O Banco Central divulgou a pesquisa Firmus do quarto trimestre, e o resultado é aquele clássico “tá ruim, mas já esteve pior”.
Quase metade das empresas não-financeiras (49,2%) veem a situação econômica atual de forma negativa.
Mas calma, antes que você entre em pânico: isso melhorou em relação ao trimestre anterior, quando 63% estavam pessimistas.
Ou seja: o pessimismo ainda domina, mas tá diminuindo.
É tipo quando você sai de “tudo horrível” pra “só meio ruim”. Progresso? Tecnicamente sim. Motivo pra comemorar? Nem tanto.
Quem tá pessimista, quem tá otimista?
Vamos aos números do quarto trimestre (dados coletados entre 10 e 28 de novembro):
Sentimento negativo: 49,2%
- Discretamente negativo: 35%
- Fortemente negativo: 14,2%
Sentimento neutro: 27,9%
- Empresas que não tão nem felizes, nem tristes. Só existindo.
Sentimento positivo: 22,9%
- Discretamente positivo: 22,5%
- Fortemente positivo: 0,4% (basicamente ninguém)
Traduzindo: metade das empresas acha que a coisa tá ruim, um quarto tá na neutralidade, e menos de um quarto vê algo positivo.
E praticamente ninguém (0,4%) tá super animado.
Comparando com o trimestre anterior
A boa notícia? O pessimismo diminuiu.
No terceiro trimestre:
- Discretamente negativo: 47,8% (agora: 35%)
- Fortemente negativo: 15,2% (agora: 14,2%)
Ou seja: caiu bastante o número de empresas que veem a economia de forma negativa.
E aumentou o número de empresas neutras e discretamente positivas.
Segundo o BC: “A percepção sobre a situação econômica atual apresentou melhora em relação às três rodadas anteriores, mas continua em patamar negativo.”
É tipo dizer: “Tá menos ruim, mas ainda tá ruim.”
Crédito: a maioria diz que tá igual
Pra 67,1% das empresas, a oferta de crédito permaneceu inalterada em relação ao trimestre anterior.
Ou seja: não melhorou, mas também não piorou.
MAS — sempre tem um “mas” — o BC notou um aumento moderado no índice agregado, porque mais empresas identificaram melhora na oferta de crédito.
Traduzindo: a maioria não viu mudança, mas algumas viram melhora. O que, no agregado, dá uma leve subida.
É aquele “melhora microscópica” que economista adora apontar, mas que na prática não muda muito.
Custos: estáveis, mas…
Mão de obra
As expectativas de aumento nos custos de mão de obra ficaram estáveis em 4,8%.
Ou seja: as empresas esperam que os salários subam 4,8% em média.
Considerando que a inflação tá em torno de 4,5% a 5%, isso significa que os salários vão subir mais ou menos na linha da inflação.
Nem ganho real, nem perda real. Só empate.
Insumos
Já os custos com insumos (matéria-prima, materiais, etc.) tiveram expectativa de alta de 4,3% — o terceiro trimestre consecutivo de queda nesse índice.
Ou seja: as empresas esperam que os insumos fiquem menos caros (ou subam menos) do que antes.
Isso é bom, porque significa que produzir tá ficando (um pouquinho) mais barato.
Mas tem uma bomba: reajustes acima da inflação
Aqui vem a parte preocupante.
39,6% das empresas planejam reajustar preços acima da inflação.
Isso é um aumento em relação aos trimestres anteriores, depois de três quedas consecutivas.
Traduzindo: as empresas tavam segurando os preços, mas agora tão voltando a aumentar.
E não é só pra acompanhar a inflação — é acima dela.
Isso pode significar duas coisas:
As empresas estão confiantes de que o consumidor vai pagar mais (otimismo)
As empresas estão desesperadas e precisam repassar custos mesmo sem demanda (desespero)
Qual das duas? Difícil saber. Mas a tendência não é das melhores.
O que isso tudo significa?
Resumindo a pesquisa:
Pessimismo caiu — menos empresas veem a economia de forma negativa
Crédito tá estável (ou melhorando levemente)
Custos com insumos subindo menos — produzir tá ficando (um pouco) mais barato
Mas ainda tem mais empresas pessimistas que otimistas
Reajustes de preços acima da inflação voltaram a crescer
Ninguém tá “fortemente otimista” — só 0,4%
Então, é aquele cenário de “melhorando na margem, mas ainda longe do ideal”.
Por que as empresas tão pessimistas?
Alguns motivos que podem explicar:
Juros altos — Selic em 15% ao ano deixa tudo mais caro (crédito, investimento, etc.)
Consumo fraco — brasileiro tá segurando o bolso
Incerteza global — guerra comercial EUA-China, tensões geopolíticas
🇧🇷 Incerteza interna — política fiscal, contas públicas, reformas
É muita coisa ao mesmo tempo. E empresário odeia incerteza.
Prefere cenário ruim, mas previsível, do que cenário incerto.
O que vem por aí?
Se o pessimismo continuar caindo, pode ser que a confiança volte aos poucos.
MAS — sempre tem um “mas” — se os reajustes acima da inflação se espalharem, a inflação pode acelerar de novo.
E aí o Banco Central vai ter que subir os juros ainda mais pra segurar os preços.
E juros mais altos = menos consumo = mais pessimismo = volta pro início do ciclo.
É aquela roda que não para de girar.
Via: Infomoney


