ECONOMIA

Correios descarta privatização e vai pegar R$ 12 bilhões emprestado

Os Correios apresentaram nesta segunda-feira (29) o plano de reestruturação 2025–2027, e a mensagem foi clara: privatização tá fora de cogitação (por enquanto), mas parcerias com o setor privado estão na mesa.

Quem afirmou foi Emmanoel Rondon, presidente da estatal, durante coletiva de imprensa.

E olha: a situação dos Correios tá complicada. Tanto que a empresa acabou de pegar R$ 12 bilhões emprestados com garantia do Tesouro Nacional (ou seja, se der errado, você paga a conta).

Além disso, o plano prevê demissão voluntária de até 15 mil funcionários, fechamento de mil unidades, e venda de imóveis pra tentar equilibrar as contas.

É aquela reestruturação clássica: cortar custos, vender ativos, pegar dinheiro emprestado e torcer pra dar certo.

Privatização? “Não, obrigado” (mas talvez sim, mas não agora)

Segundo Emmanoel Rondon, privatização não tá no radar no momento.

MAS — sempre tem um “mas” — a empresa avalia parcerias com o setor privado, incluindo parcerias societárias (tipo sociedade de economia mista).

“Não tem um olhar sobre privatização, mas tem um olhar sobre parcerias, inclusive societárias. Tem exemplos de sociedade de economia mista que funcionam.”

Traduzindo: vender tudo pro setor privado? Não. Mas abrir parte da empresa pra investidores privados? Pode ser.

É tipo dizer: “Não vou vender minha casa, mas posso alugar uns cômodos”.

Consultoria externa vai decidir o modelo

Uma das medidas do plano prevê a contratação de uma consultoria externa pra revisar o modelo organizacional e societário dos Correios.

Ou seja: a consultoria vai estudar exemplos de outras empresas (públicas e privadas) e sugerir qual modelo faz mais sentido pros Correios.

Pode ser:

Sociedade de economia mista (governo + setor privado)
Parcerias específicas (tipo terceirizar logística ou serviços financeiros)
Manter como está (só com ajustes internos)

Rondon deixou claro que estão abertos a sugestões.

Traduzindo: não sabemos o que fazer, então vamos pagar alguém pra decidir por nós.

Empréstimo de R$ 12 bilhões (e você garante)

Na última sexta-feira (26), os Correios assinaram um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco bancos.

O objetivo? Reequilibrar as contas nos próximos dois anos.

O detalhe importante: tem garantia do Tesouro

Isso significa que, se os Correios não conseguirem pagar, o governo federal (leia-se: você, contribuinte) assume a dívida.

Por que os bancos aceitaram? Porque o risco é zero pra eles. Se der errado, quem paga é o governo.

E pra conseguir juros menores e condições mais favoráveis, o governo deu essa garantia.

É tipo seu pai assinar como avalista no seu empréstimo. O banco sabe que, se você não pagar, seu pai paga.

Mas R$ 12 bilhões não basta

A estratégia de reestruturação prevê a captação total de até R$ 20 bilhões.

Com os R$ 12 bilhões já contratados, ainda faltam R$ 8 bilhões.

E de onde vai sair esse dinheiro?

Duas opções:

Aporte do Tesouro (governo coloca dinheiro direto)
Nova rodada de empréstimos (pegar mais dinheiro emprestado)

A decisão deve ser tomada em 2026.

Traduzindo: ainda não sabemos de onde vai sair, mas vai ter que sair de algum lugar.

Corte de despesas: R$ 4,2 bilhões por ano

Pra tentar economizar, os Correios vão cortar R$ 4,2 bilhões por ano em despesas.

Como?

Demissão voluntária de até 15 mil funcionários

A empresa vai oferecer um Programa de Demissão Voluntária (PDV) pra até 15 mil empregados.

Isso deve gerar uma economia anual de R$ 2,1 bilhões com otimização do quadro de funcionários.

Revisão de cargos de média e alta remuneração

Vai ter revisão de cargos com salários altos — provavelmente cortes ou reestruturações.

Reavaliação de planos de saúde e previdência

Os benefícios dos funcionários também vão ser revistos — ou seja, podem ficar menos generosos.

Fechamento de cerca de mil unidades

Os Correios vão fechar aproximadamente mil unidades (agências, centros de distribuição, etc.).

Isso deve gerar uma economia adicional de R$ 2,1 bilhões por ano.

Traduzindo: menos agências, menos funcionários, menos custos.

Mas também: menos atendimento e menos cobertura.

Aumento de receita: R$ 1,7 bilhão

Além de cortar custos, os Correios esperam aumentar as receitas em R$ 1,7 bilhão por ano.

Como?

Aumentar tarifas (frete mais caro)
Expandir serviços (logística, e-commerce)
Parcerias comerciais (vender espaço publicitário, oferecer serviços financeiros)

Ou seja: você vai pagar mais pra enviar uma encomenda.

Venda de imóveis: R$ 1,5 bilhão

Os Correios também vão vender imóveis (terrenos, prédios, galpões) pra levantar R$ 1,5 bilhão.

É aquela jogada clássica de vender patrimônio pra tapar buraco no orçamento.

Funciona? No curto prazo, sim. Você ganha dinheiro rápido.

Mas no longo prazo, pode ser problemático — porque aí você não tem mais o imóvel (e pode precisar alugar algo no futuro, o que sai mais caro).

Impacto total: R$ 7,4 bilhões por ano

Somando tudo:

R$ 4,2 bilhões cortados em despesas
R$ 1,7 bilhão de aumento de receita
R$ 1,5 bilhão com venda de imóveis

Total: R$ 7,4 bilhões por ano de impacto positivo no caixa.

Parece muito? É. Mas considerando que os Correios têm prejuízo bilionário há anos, vai precisar de tudo isso (e mais) pra equilibrar as contas.

Quando começa a fazer efeito?

Os impactos dessas medidas começam em 2028, segundo a empresa.

Ou seja: ainda vai demorar.

Em 2025 e 2026, a empresa vai estar implementando as mudanças (demissões, fechamento de unidades, venda de imóveis).

Só em 2028 é que o caixa deve começar a melhorar de verdade.

Por que os Correios chegaram nesse ponto?

Várias razões:

Concorrência — empresas privadas (Jadlog, Loggi, etc.) tomaram mercado
Queda no volume de cartas — ninguém manda mais carta (tudo é digital)
Custos altos — muitos funcionários, muitas unidades, muitos benefícios
Gestão ineficiente — burocracia, desperdício, falta de modernização

Resultado? Prejuízo crônico.

E agora, o governo (e você, contribuinte) tá tendo que bancar a reestruturação.

Vai dar certo?

Difícil dizer.

Por um lado, o plano tem medidas concretas (cortes, vendas, empréstimos).

Por outro, depende de muita coisa dar certo ao mesmo tempo:

Conseguir vender os imóveis pelo preço esperado
Conseguir demitir 15 mil pessoas sem causar caos operacional
Conseguir aumentar receita num mercado cada vez mais competitivo
Conseguir fechar mil unidades sem perder clientes

Se tudo der certo, talvez os Correios voltem a ser sustentáveis.

Se algo der errado, vai precisar de mais dinheiro (e adivinha de quem?).

Via: CNN Brasil