ECONOMIA

Estatais acumulam déficit de R$ 20,5 bilhões no governo Lula — o maior da história

As empresas estatais (excluindo Petrobras e bancos públicos) acumularam um déficit primário de R$ 20,5 bilhões desde o início do terceiro mandato do presidente Lula, segundo dados do Banco Central.

E esse é o maior déficit registrado para o período em toda a série histórica.

Ou seja: as estatais nunca gastaram tanto a mais do que arrecadaram como agora.

E quem tá puxando esse resultado negativo? Os Correios, que sozinhos já acumulam R$ 8,6 bilhões de déficit entre 2024 e 2025.

A evolução do déficit: de R$ 2,2 bi a R$ 10,3 bi por ano

Veja como o déficit cresceu:

2023: R$ 2,2 bilhões de déficit
2024: R$ 8,07 bilhões de déficit (quase quadruplicou)
2025 (jan-nov): R$ 10,3 bilhões de déficit

Ou seja: o déficit mais que dobrou entre 2023 e 2024, e em 2025 continua crescendo.

Total acumulado no governo Lula 3:

R$ 20,5 bilhões de déficit

É muito dinheiro.

E importante: Petrobras e bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa) não entram nessa conta.

Por que Petrobras e bancos públicos ficam de fora?

Porque a Petrobras é uma empresa de economia mista (governo + setor privado) e segue regras de governança corporativa semelhantes às de empresas privadas de capital aberto.

Ela tem autonomia pra captar recursos nos mercados interno e externo, e não depende tanto do Tesouro Nacional.

Então, pra fins de análise fiscal, ela fica de fora do cálculo das estatais.

O mesmo vale pros bancos públicos (BB e Caixa), que têm dinâmica própria e não são contabilizados da mesma forma.

Quem tá afundando? Os Correios

Os Correios são os principais responsáveis pelo déficit.

Veja os números:

2024: déficit de R$ 2,6 bilhões
2025 (jan-set): déficit de R$ 6 bilhões

Total: R$ 8,6 bilhões de déficit em menos de dois anos.

E isso antes da empresa pegar emprestado R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro (que contamos em outra matéria aqui).

Ou seja: os Correios tão sangrando dinheiro há anos, e agora o governo tá tendo que socorrer com empréstimo bilionário.

O governo se defende: “Déficit não é problema”

O Ministério da Gestão e Inovação (MGI) argumenta que o resultado primário não é o indicador mais adequado pra medir a saúde financeira de uma estatal.

Por quê?

Porque, segundo o governo, se uma empresa faz investimentos ou paga dividendos usando recursos acumulados em anos anteriores, isso pode gerar um déficit primário sem necessariamente indicar desequilíbrio financeiro.

Traduzindo do governês:

“Se a gente gastou dinheiro que tava guardado, tecnicamente é déficit. Mas não significa que a empresa tá quebrada.”

O MGI reforça que o resultado primário é calculado sob a ótica das finanças públicas (metodologia do Orçamento da União), e não reflete necessariamente a situação de caixa ou o desempenho mercadológico da empresa.

E conclui:

“Um déficit primário pode indicar um ciclo de investimento intensivo, financiado por recursos previamente acumulados ou por endividamento planejado, e não necessariamente uma falha de gestão ou insuficiência de receitas operacionais.”

Traduzindo de novo:

“A gente tá gastando mais porque tá investindo. Não é descontrole, é estratégia.”

Mas será mesmo?

Bom, depende.

Se o déficit é causado por investimentos que vão gerar retorno no futuro, aí sim, faz sentido a defesa do governo.

Por exemplo:

Estatal investe R$ 5 bilhões em infraestrutura → gera déficit agora, mas melhora a operação depois
Estatal paga dividendos com dinheiro guardado → gera déficit contábil, mas não é problema real

MAS — sempre tem um “mas” — tem que ser investimento de verdade, não desperdício.

E no caso dos Correios, que tão acumulando déficit bilionário há anos e agora precisaram de R$ 12 bilhões emprestados, fica difícil acreditar que é só “investimento estratégico”.

Parece mais descontrole.

Comparação com governos anteriores

O dado mais preocupante é que esse é o maior déficit da série histórica.

Ou seja: as estatais nunca gastaram tanto a mais do que arrecadaram como agora.

E isso acontece num contexto de:

Contas públicas apertadas (governo tentando cumprir meta fiscal)
Juros altos (Selic em 15%)
Pressão pra cortar gastos

Então, ter estatais acumulando déficit recorde complica ainda mais o quadro fiscal.

O que isso significa na prática?

Se as estatais tão gastando mais do que arrecadam, alguém tem que cobrir esse déficit.

E quem cobre? O governo federal (leia-se: você, contribuinte).

Como?

Aportes de capital (governo coloca dinheiro direto nas estatais)
Empréstimos com garantia do Tesouro (tipo os R$ 12 bilhões dos Correios)
Aumento de dívida pública (governo pega mais emprestado pra bancar as estatais)

Resultado? Mais pressão sobre o orçamento federal.

E como o governo já tá apertado pra cumprir a meta fiscal, isso complica ainda mais as contas públicas.

E se o déficit continuar crescendo?

Se as estatais continuarem acumulando déficit, três coisas podem acontecer:

Governo vai ter que socorrer com mais dinheiro (tipo os Correios)
Privatização volta à mesa (se não conseguir consertar, vende)
Estatais quebram e deixam de operar (cenário mais drástico)

Nenhuma dessas opções é boa.

O ideal seria as estatais se sustentarem sozinhas — arrecadando o suficiente pra cobrir suas despesas e investimentos.

Mas pelo jeito, tá longe disso.

Via: CNN Brasil