Na abertura da CES em Las Vegas, a NVIDIA fez questão de mostrar que continua mandando no mercado de infraestrutura para inteligência artificial. O presidente da empresa, Jensen Huang, subiu no palco e anunciou a consumidores e investidores que a próxima geração de “supersistemas” voltados para IA, chamada de Vera Rubin, já está em plena produção e deve chegar ao mercado ainda em 2026.
A novidade? Um sistema de seis chips integrados projetados para trabalhar como uma unidade. E olha, isso não é pouca coisa: a arquitetura quebra uma regra interna da NVIDIA, que tradicionalmente mudava no máximo a configuração de dois chips a cada troca de geração.
Por que a NVIDIA quebrou as próprias regras?
Segundo Jensen Huang, seguir essa regra antiga tornava impossível acompanhar o desenvolvimento dos novos modelos de IA e a demanda crescente por poder computacional do mercado. “Decidimos que, nesta geração, não teríamos escolha a não ser projetar todos os chips de novo”, explicou o CEO.
Traduzindo: a corrida da inteligência artificial está tão acelerada que até a NVIDIA, líder absoluta do setor, teve que pisar no acelerador e repensar completamente sua arquitetura.
O que o Vera Rubin traz de novo?
O sistema é formado por uma CPU da linha Vera, com desempenho cerca de duas vezes superior ao da geração anterior, e por duas GPUs da linha Rubin, mais eficientes do que a arquitetura Blackwell — que hoje ocupa o topo do catálogo da companhia.
Essa nova combinação promete oferecer até cinco vezes mais capacidade de processamento para aplicações de inteligência artificial em relação ao antecessor. É basicamente um monstro de poder computacional.
Mas o mercado não ligou muito (e isso é preocupante)
O novo “superchip” foi o ponto alto da apresentação da NVIDIA na abertura da CES, mas pouco mexeu com as ações da companhia, que fecharam o dia com queda de 0,39%. Por quê?
Bem, a existência do sistema não é grande novidade para o mercado, que já o esperava desde março do ano passado, em linha com a política de lançamentos anuais da NVIDIA. Mas tem outro fator pesando nas decisões dos investidores: a concorrência está chegando forte.
No mesmo dia, Intel e AMD também apresentaram suas próprias soluções de inteligência artificial. E tem mais: grandes clientes da NVIDIA, como o Google, já sinalizaram disposição para investir em sistemas próprios para atender às suas necessidades de computação. Ou seja, a NVIDIA pode estar perdendo terreno.
O fantasma da bolha de IA está no ar
Outro ponto que tem deixado investidores ressabiados é o medo de uma bolha de inteligência artificial — receio que, convenhamos, não foi endereçado na conferência.
O número de modelos de IA cresceu rapidamente em 2025, principalmente por conta dos projetos de código aberto. Esse crescimento repentino aqueceu a discussão sobre a sustentabilidade financeira desse mercado e a forte competição entre os projetos, que pode negativar as margens financeiras da maioria das iniciativas.
Basicamente: muita gente tá investindo pesado em IA, mas será que todo mundo vai conseguir lucrar com isso? Ou estamos caminhando pra uma bolha que vai estourar na cara de todo mundo?
Jensen defende a sustentabilidade do setor
Durante sua apresentação, Jensen Huang fez questão de defender a sustentabilidade do mercado de IA. Segundo ele, uma verdadeira revolução está em curso, e a IA estará na base do desenvolvimento de aplicações no futuro próximo.
“Uma indústria de US$ 100 trilhões está se modernizando. Boa parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento está migrando para IA. As pessoas perguntam de onde está vindo o dinheiro. É daí que vem o dinheiro”, afirmou o CEO.
Em outras palavras: ele acredita que o dinheiro investido em IA não está vindo do nada, mas sim de uma reestruturação massiva de indústrias inteiras que estão se adaptando à nova realidade tecnológica.
Via: CNN Brasil


