INTERNACIONAL

Taiwan paga U$ 500 bi para virar parceiro de IA dos EUA

Taiwan fechou um acordo com os Estados Unidos que, na superfície, parece sobre comércio. Redução de tarifas, aumento de investimentos, facilitação de negócios.

Mas vamos direto ao ponto: isso é sobre poder. Sobre quem fabrica os chips que alimentam a IA. E sobre como Taiwan está comprando proteção americana com dinheiro, tecnologia e promessas de longo prazo.

O tamanho da aposta

Os números são impressionantes mesmo para os padrões do setor de tecnologia.

US$ 250 bilhões em investimentos diretos de empresas taiwanesas nos Estados Unidos, focados em semicondutores, energia e inteligência artificial. Desse total, US$ 100 bilhões já haviam sido prometidos pela TSMC em 2025 — o resto vem agora.

Mais US$ 250 bilhões em crédito garantido pelo governo de Taiwan para facilitar investimentos adicionais.

Somados, são US$ 500 bilhões em compromissos financeiros. Para colocar em perspectiva: é mais do que o PIB de países como a Polônia ou a Bélgica.

O que Taiwan está comprando

O vice-primeiro-ministro Cheng Li-chiun, que liderou as negociações, foi direto: Taiwan quer se tornar um “parceiro estratégico de IA” dos Estados Unidos.

Traduzindo do diplomatês: Taiwan está pagando para estar do lado certo da nova guerra fria tecnológica.

O acordo reduz tarifas sobre exportações taiwanesas — importante, mas secundário. O que realmente importa é o compromisso de aumentar a produção de chips avançados em solo americano, especialmente aqueles que alimentam sistemas de inteligência artificial.

A TSMC já está construindo fábricas no Arizona. Agora, o governo Trump quer mais. Muito mais.

Por que os EUA estão pressionando Taiwan

A administração Trump deixou claro que depender de Taiwan para a fabricação de chips é um risco inaceitável. Se algo acontecer com Taiwan — um bloqueio chinês, uma invasão, qualquer tipo de crise — os Estados Unidos perdem acesso à tecnologia que sustenta tudo, de smartphones a sistemas militares.

O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, não está pedindo. Está exigindo. E Taiwan não tem muito espaço para dizer não.

A pressão é simples: ou você investe aqui, ou a gente encontra outra forma de garantir nossa cadeia de suprimentos. E Taiwan sabe que, se perder a relevância estratégica, perde também o interesse americano em defendê-la.

O problema chamado China

A China considera Taiwan parte do seu território. Não reconhece a soberania taiwanesa. E definitivamente não gosta de ver Taiwan fazendo acordos de alto nível com os Estados Unidos — especialmente acordos que envolvem tecnologia crítica.

Esse acordo não só fortalece os laços entre Taiwan e EUA, como também acelera a transferência de capacidade produtiva para território americano. Para Pequim, isso é um movimento hostil disfarçado de parceria comercial.

Taiwan sabe disso. E está apostando que a aliança com os EUA vale o risco de irritar ainda mais a China.

O que isso significa para o setor de IA

Quem controla a fabricação de chips avançados controla o futuro da inteligência artificial. Simples assim.

A TSMC é a única empresa no mundo capaz de fabricar os chips mais avançados em escala comercial. Nvidia, AMD, Apple — todos dependem dela. E agora, Taiwan está comprometendo centenas de bilhões de dólares para replicar parte dessa capacidade nos Estados Unidos.

Isso não resolve o problema da dependência americana da noite para o dia. Construir fábricas de semicondutores leva anos. Treinar mão de obra especializada leva mais tempo ainda.

Mas é um passo enorme na direção de tornar a cadeia de suprimentos de IA menos vulnerável a riscos geopolíticos.

A aposta de Taiwan

Taiwan está fazendo o maior investimento externo da sua história, direcionado para um único país, em um único setor.

Se der certo, Taiwan garante proteção estratégica, acesso privilegiado ao mercado americano e um papel central na economia global de IA.

Se der errado — se a China decidir que isso foi longe demais, ou se os EUA mudarem de prioridade — Taiwan terá gasto meio trilhão de dólares em uma aposta geopolítica que não pagou.

Por enquanto, o governo taiwanês está apostando que o risco vale a pena. E que, quando se trata de sobrevivência, você paga o preço que for necessário.

Via: CNN Brasil