INTERNACIONAL

Trump ameaça tarifas por causa da Groenlândia e a UE prepara retaliação de US$ 108 bilhões

Donald Trump quer comprar a Groenlândia. A Europa disse não. Agora Trump ameaça tarifas. E a União Europeia está preparando uma resposta à altura.

Uma reunião de emergência foi convocada para este domingo (18) em Bruxelas para discutir o que fazer diante das ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos. E o tom da conversa não é conciliador.

França e Alemanha, as duas maiores economias do bloco, classificaram as ameaças como chantagem. A França já propôs contramedidas econômicas que nunca foram testadas antes.

O que a Europa está considerando

Segundo o Financial Times, a União Europeia está avaliando duas linhas de retaliação:

Tarifas no valor de aproximadamente US$ 108 bilhões sobre produtos americanos.

Restrições à entrada de empresas norte-americanas no mercado europeu — o que pode afetar desde gigantes de tecnologia até empresas de manufatura que dependem de operações no bloco.

As medidas estão sendo desenhadas às pressas para dar aos líderes europeus alguma vantagem nas reuniões com Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos, que acontece esta semana na Suíça.

A ideia é clara: chegar a Davos com algo concreto na mesa, não apenas protestos diplomáticos.

O que Trump está ameaçando

Trump prometeu impor tarifas contra oito países europeus até que os Estados Unidos sejam autorizados a comprar a Groenlândia.

Os países na mira são: Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Reino Unido e Noruega.

Essas nações já estão sujeitas a tarifas americanas de 10% e 15%. Agora, Trump quer apertar ainda mais — tudo porque esses países enviaram contingentes militares para a Groenlândia e recusaram a ideia de vender o território aos Estados Unidos.

Vale lembrar: a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca. E a Dinamarca é membro da OTAN, aliada militar dos Estados Unidos. Ou seja, Trump está ameaçando tarifas contra aliados porque eles se recusam a entregar um território que nem é propriedade deles para começar.

A resposta europeia

Os oito países ameaçados divulgaram uma declaração conjunta de apoio à Groenlândia neste domingo.

O primeiro-ministro da Irlanda foi mais direto: afirmou que a União Europeia vai retaliar caso as ameaças de tarifas se concretizem. Não disse “pode”. Disse “vai”.

A Europa raramente age de forma tão coordenada e tão rápida em questões comerciais. O fato de uma reunião de emergência ter sido convocada em um domingo mostra que o bloco está levando as ameaças a sério.

E mais: está disposto a responder com força.

Por que isso está acontecendo agora

Trump já havia falado sobre comprar a Groenlândia no passado. A diferença é que, desta vez, ele está usando tarifas como instrumento de pressão geopolítica.

A Groenlândia é estratégica por três motivos:

Recursos naturais: minerais raros, petróleo, gás.

Posição geográfica: controle de rotas árticas que estão se abrindo com o derretimento do gelo.

Presença militar: base americana em Thule, crucial para vigilância de mísseis e defesa do Ártico.

A disputa com a China e a Rússia pelo controle do Ártico torna a Groenlândia ainda mais valiosa do ponto de vista estratégico. E Trump, ao que tudo indica, não está blefando.

O que está em jogo

Se a Europa retaliar com tarifas de US$ 108 bilhões e restrições a empresas americanas, o impacto não será pequeno.

Empresas de tecnologia como Google, Meta, Amazon e Microsoft têm operações massivas na Europa. Restrições de mercado podem afetar receitas, capacidade de expansão e até presença física no bloco.

Do lado europeu, tarifas americanas sobre produtos alemães, franceses e escandinavos podem prejudicar setores automotivos, farmacêuticos e de tecnologia.

Mas o maior risco é político. Se aliados da OTAN entram em guerra comercial aberta, a coesão do bloco militar fica comprometida. E isso acontece justamente em um momento em que a Rússia pressiona no Leste Europeu e a China avança no Ártico.

O que vem por aí

As reuniões de Davos vão definir o tom das próximas semanas. Se Trump recuar, a crise pode ser contida. Se insistir nas tarifas, a Europa já deixou claro que não vai aceitar calada.

A diferença desta vez é que a Europa não está apenas ameaçando. Está preparando contramedidas concretas, com valores específicos e alvos definidos.

E se Trump acha que a Groenlândia vale uma guerra comercial com os aliados mais próximos dos Estados Unidos, está prestes a descobrir se a aposta foi boa.

Via: CNN brasil