ECONOMIA

FGC vai gastar R$ 6,3 bilhões com a quebra do Will Bank — veja como pedir o reembolso

A conta da quebra do Will Bank está ficando clara: R$ 6,3 bilhões.

Esse é o valor estimado que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deve desembolsar para cobrir os clientes afetados pela liquidação extrajudicial da Will Financeira, decretada pelo Banco Central.

Os números são preliminares, baseados em dados de novembro de 2025. A quantidade exata de clientes e o valor final só serão divulgados depois que o liquidante consolidar todas as informações.

Mas uma coisa já está clara: você não recebe automaticamente. Precisa pedir. E tem regras importantes para entender antes.

Quanto você pode receber

O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, somando todos os produtos elegíveis em uma mesma instituição financeira.

Produtos cobertos incluem:

  • Contas correntes e poupança
  • CDBs
  • LCIs e LCAs
  • Letras de câmbio
  • Outros depósitos e investimentos de renda fixa

Se você tinha mais de R$ 250 mil no Will Bank, recebe até o limite. O que passar disso fica preso no processo de liquidação — e não há garantia de que você vai ver esse dinheiro de volta.

O problema do Master

Aqui complica um pouco.

Se você comprou produtos do Will Bank antes de 21 de agosto de 2024 — quando o Master adquiriu o Will — sua garantia está preservada separadamente.

Mas se você tinha produtos depois dessa data, e também tinha dinheiro no Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, os valores são consolidados por CPF ou CNPJ.

Ou seja: os R$ 250 mil são somados entre todas essas instituições, porque elas pertencem ao mesmo conglomerado financeiro.

Se você já recebeu R$ 250 mil pela liquidação do Master, não receberá nada adicional do Will Bank pelo FGC.

Como funciona o processo

O pagamento não é automático. Você precisa manifestar interesse. E o processo tem etapas.

1. O Banco Central nomeia um liquidante

Esse liquidante é quem vai levantar todos os credores e valores devidos. Com apoio do FGC.

2. O liquidante envia a lista ao FGC

Depois de consolidar os dados, o liquidante passa a relação completa de pessoas beneficiárias e valores. Esse prazo varia por instituição.

3. O FGC abre o sistema para solicitação

Quando tudo estiver pronto, o FGC avisa pelos canais oficiais que o sistema está disponível para pedidos.

4. Você precisa pedir

Isso é crítico. Se você não pedir, não recebe. O pagamento não é automático.

Ao pedir, você está fazendo uma cessão de créditos com sub-rogação de direitos. Traduzindo: você recebe o dinheiro garantido, e o FGC passa a ter o direito de cobrar esse valor do banco liquidado.

5. O FGC paga em até 48 horas úteis

Depois de assinar digitalmente o termo de solicitação e validar os dados bancários, o FGC transfere o dinheiro direto para sua conta em até 48 horas úteis.

Prazo para o início dos pagamentos

Não existe prazo legal. Mas nas últimas liquidações, o FGC começou a pagar entre 30 e 60 dias após o decreto de liquidação extrajudicial.

Por enquanto, o fundo recomenda que clientes do Will Bank façam o cadastro básico no aplicativo e aguardem as notificações sobre as próximas etapas.

Como pedir o reembolso

Para pessoas físicas:

  1. Baixe o aplicativo do FGC (disponível no Google Play e na Apple Store)
  2. Complete o cadastro com nome completo, CPF e data de nascimento
  3. Quando o sistema liberar, solicite o pagamento da garantia
  4. Informe uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos
  5. Realize a validação biométrica e envie eventuais documentos solicitados

Para pessoas jurídicas:

  1. O representante legal acessa o Portal do Investidor no site do FGC
  2. Preenche as informações solicitadas
  3. Recebe um e-mail com o passo a passo
  4. O pagamento é feito em conta-corrente ou poupança do mesmo CNPJ da empresa

Casos especiais (inventariantes ou espólio):

Nesses casos, o FGC trata diretamente com os beneficiários. Não é possível fazer a solicitação pelo aplicativo.

O que acontece com o dinheiro acima de R$ 250 mil

Se você tinha mais de R$ 250 mil no Will Bank, o valor que exceder o limite do FGC fica sujeito ao processo de liquidação.

Você vira um credor quirografário na massa falida. Isso significa que está na fila para receber, mas sem garantia nenhuma. E geralmente, em processos de liquidação, os credores quirografários recuperam pouco ou nada.

O recado do FGC

O fundo deixou claro: cadastre-se no aplicativo agora, mesmo que o sistema de solicitação ainda não esteja disponível.

“Assim que o liquidante enviar ao FGC a base consolidada de credores, o Fundo divulgará, em seus canais oficiais e em seu site, todas as instruções sobre o início dos pagamentos, incluindo o período para solicitação da garantia.”

Todo o processo será digital. Ninguém vai ligar pedindo dados ou cobrando taxas. Desconfie de qualquer contato que não seja pelos canais oficiais do FGC.

Por que isso importa

R$ 6,3 bilhões é muito dinheiro. É o maior resgate da história do FGC.

Mas para quem tinha valores acima de R$ 250 mil, a notícia não é boa. Tudo que passar do limite fica preso. E a chance de recuperar é baixa.

A lição aqui é velha, mas vale repetir: nunca concentre mais de R$ 250 mil em uma única instituição financeira. Diversifique. Porque quando a coisa quebra, o FGC cobre até o limite. O resto é prejuízo.

Via: G1