Emmanuel Macron subiu no palco de Davos usando óculos de sol. Em um evento fechado. Durante o dia.
As redes sociais fizeram o que fazem de melhor: viralizaram. Memes de Top Gun, comentários sobre “presidente piloto de caça”, especulações sobre motivações políticas. Até Donald Trump comentou.
E no meio disso tudo, uma pequena empresa italiana de óculos de luxo viu suas ações subirem 30% em um único dia.
O que aconteceu
Macron discursou no Fórum Econômico Mundial em Davos na quarta-feira (21). E estava usando óculos escuros. Modelo esportivo, estilo aviador, visual que imediatamente lembrou Tom Cruise em Top Gun.
A internet explodiu. E alguém identificou a marca: Henry Jullien, uma fabricante francesa de óculos de luxo.
A Henry Jullien pertence à iVision Tech, um grupo italiano listado em bolsa. E na quinta-feira (22), as ações da empresa fecharam em alta de mais de 30%.
A valorização adicionou cerca de 3,5 milhões de euros à capitalização de mercado da empresa.
O modelo que Macron usou
O CEO da iVision Tech, Stefano Fulchir, reconheceu os óculos imediatamente. E confirmou: era o modelo Pacific S 01, que custa 659 euros no site da marca.
Fulchir disse à Reuters que enviou os óculos a Macron em 2024. E que ficou surpreso com o impacto.
“Isso certamente causou um grande impacto nas ações”, declarou.
O gabinete de Macron não confirmou a marca. Mas explicou o motivo dos óculos: proteger os olhos devido a um vaso sanguíneo rompido.
Ou seja, não foi escolha de estilo. Foi necessidade médica. Mas o mercado não se importou com o motivo. Importou-se com a exposição.
Por que as ações subiram tanto
A iVision Tech não é uma gigante. É uma empresa pequena, com baixa liquidez em bolsa. Quando uma ação tem baixo volume de negociação, qualquer aumento de interesse pode gerar movimentos bruscos de preço.
E o que aconteceu foi exatamente isso: exposição global massiva, reconhecimento da marca, curiosidade de investidores e possível aumento de vendas.
Óculos de luxo vivem de imagem. E ter o presidente da França usando seu produto em um dos eventos mais assistidos do ano — mesmo que por acidente médico — é propaganda que dinheiro nenhum compra.
O efeito “celebrity endorsement” não planejado
Macron não foi pago para usar os óculos. Não fez propaganda. Nem sequer confirmou a marca publicamente.
Mas o efeito foi o mesmo de um endorsement milionário. Só que gratuito.
Empresas de moda e luxo conhecem bem esse fenômeno. Quando uma celebridade ou figura pública usa um produto e viraliza, as vendas disparam. E se a empresa é pequena, o impacto é ainda maior.
A iVision Tech surfou uma onda que não criou. Mas soube aproveitar. O CEO confirmou publicamente que era o modelo deles, citou o preço, reforçou a marca. Transformou um acidente em estratégia de marketing em tempo real.
Quanto tempo esse efeito dura?
Provavelmente, pouco.
Ações de empresas pequenas que sobem 30% por causa de um evento viral tendem a cair de volta quando a empolgação passa. A menos que a empresa consiga converter a exposição em vendas reais e sustentáveis.
Se os óculos Henry Jullien virarem febre entre compradores de luxo — especialmente na França — a alta pode se sustentar. Se for só hype de uma semana, as ações voltam para onde estavam.
Mas a iVision Tech ganhou algo que não tinha antes: visibilidade global. E visibilidade, no mercado de luxo, vale muito.
A lição para investidores
Eventos como esse são imprevisíveis. Ninguém investe em uma fabricante de óculos italiana esperando que o presidente da França use o produto em Davos e vire meme global.
Mas eles acontecem. E quando acontecem, movimentam mercados.
Para quem já tinha ações da iVision Tech, foi lucro inesperado. Para quem viu a notícia e quis comprar depois da alta, já era tarde demais — a valorização já havia acontecido.
A lição? Empresas pequenas, de nicho, com produtos de luxo, estão sempre a um evento viral de distância de uma alta expressiva. Mas apostar nisso é loteria, não estratégia.
O que a iVision Tech fez bem foi aproveitar o momento. Não criou a situação, mas soube transformá-la em valor.
Via: CNN Brasil




