O Banco de Brasília vai precisar aportar R$ 2 bilhões por conta das fraudes ligadas ao Banco Master. E mesmo assim, está negociando renovar o contrato de patrocínio ao Flamengo, que deve custar cerca de R$ 40 milhões por ano.
O BRB (Banco de Brasília) está negociando a renovação do contrato de patrocínio com o Flamengo.
O acordo atual paga R$ 25 milhões por ano. A renovação, com reajuste pelo IPCA, pode durar três anos e deve aumentar esse valor.
Além do patrocínio, o BRB tem um banco digital em parceria com o clube: o Nação BRB Fla. Antes, o banco pagava R$ 0,30 por cliente cadastrado. Agora, há um valor mínimo de R$ 15 milhões por ano.
Somando tudo, os dois negócios — patrocínio e banco digital — devem custar ao BRB cerca de R$ 40 milhões por ano.
E aqui está o problema: o BRB precisa fazer um aporte financeiro de R$ 2 bilhões por causa das fraudes ligadas ao Banco Master.
O que aconteceu com o Master
O Banco Master quebrou. E o BRB estava exposto.
As fraudes envolvendo o Master geraram prejuízos bilionários. E o BRB, como parte do sistema financeiro e por ter conexões com o conglomerado, vai precisar aportar R$ 2 bilhões para cobrir parte do rombo.
Isso não é pouco. É 50 vezes o valor anual que o banco está negociando para renovar com o Flamengo.
A conta que não fecha
Vamos colocar isso em perspectiva:
- R$ 2 bilhões para cobrir fraudes
- R$ 40 milhões/ano para patrocinar futebol e manter banco digital com o Flamengo
Se o BRB renovar por três anos, vai gastar R$ 120 milhões no total com o Flamengo.
É 6% do valor que precisa aportar por causa do Master. Não parece muito. Mas é dinheiro saindo em marketing e patrocínio enquanto o banco lida com um rombo bilionário.
O que o BRB diz
Em nota à CNN Brasil, o banco afirmou que “as decisões de patrocínio seguem critérios técnicos e estratégicos, alinhados às novas diretrizes do banco.”
E que “os contratos vigentes estão sendo criteriosamente reavaliados em um processo interno que observa os princípios de economicidade, transparência e governança.”
Traduzindo: estamos reavaliando, mas vamos renovar.
Porque se estivesse cortando o patrocínio, não estaria negociando renovação com reajuste por IPCA e extensão por três anos.
Por que renovar faz sentido (para o banco)
Do ponto de vista de marketing, o Flamengo é um ativo valioso.
É o clube com a maior torcida do Brasil. Exposição massiva. Marca forte. E o BRB ganha visibilidade nacional ao estar estampado no uniforme.
O banco digital Nação BRB Fla também é uma estratégia de captação de clientes. Se funcionar, pode gerar receita que justifica o investimento.
E cortar o patrocínio agora, justo quando o banco está fragilizado por causa do Master, poderia sinalizar ainda mais fraqueza.
Então, do ponto de vista interno da instituição, renovar faz sentido.
Por que renovar não faz sentido (para quem paga a conta)
O BRB é um banco público. Pertence ao governo do Distrito Federal. E quem banca os rombos, no fim das contas, é o contribuinte.
Se o banco precisa de R$ 2 bilhões para cobrir fraudes, gastar R$ 40 milhões por ano em patrocínio e banco digital com um clube de futebol parece, no mínimo, questionável.
Não é tecnicamente proibido. Não é ilegal. Mas é estranho.
Porque se o BRB está em apuros financeiros, a primeira coisa que deveria cortar é gasto não essencial. E patrocínio esportivo não é essencial.
A comparação com outros patrocínios
O BRB também patrocina times locais do Distrito Federal e competidores do automobilismo.
Não sabemos quanto esses contratos custam. Mas somados ao Flamengo, o banco está comprometido com uma série de gastos em marketing esportivo enquanto precisa aportar bilhões para cobrir fraudes.
E isso levanta uma pergunta: prioridade de quem?
Se o banco fosse privado, a decisão seria interna. Acionistas cobram retorno, executivos respondem, pronto.
Mas sendo público, a decisão afeta contribuintes. E contribuintes não foram consultados se querem que o BRB gaste R$ 40 milhões por ano com o Flamengo enquanto aporta R$ 2 bilhões para cobrir rombo de fraude.
O que deveria acontecer
Três cenários possíveis:
1. Suspender a renovação até resolver o rombo do Master.
Prioridade total em estancar prejuízos e reforçar capital. Patrocínio volta depois, quando a casa estiver arrumada.
2. Renovar com valor menor.
Se o patrocínio é estratégico, pelo menos reduza o custo. Renegocie para baixo. Justifique cada centavo.
3. Renovar como está sendo negociado e assumir publicamente a escolha.
Se o banco realmente acredita que gastar R$ 40 milhões/ano com Flamengo faz sentido mesmo precisando aportar R$ 2 bilhões, que explique isso de forma clara e transparente.
O problema não é necessariamente renovar. É renovar sem justificativa sólida e sem considerar o contexto de crise.
O recado
Quando um banco público precisa de bilhões para cobrir fraudes e ao mesmo tempo renova patrocínio milionário com clube de futebol, alguém precisa perguntar: qual a prioridade?
Não é sobre ser contra esporte. Não é sobre ser contra marketing.
É sobre coerência. Se o banco está em apuros, age como banco em apuros. Corta o que não é essencial. Foca no essencial. E explica as escolhas.
Porque no fim, quem paga a conta não é o BRB. É o contribuinte.
via: CNN Brasil




