ECONOMIA

Haddad indica Durigan para assumir a Fazenda

Fernando Haddad indicou seu sucessor na Fazenda.

O escolhido é Dario Durigan, atual secretário-executivo do ministério. Ainda não há data definida para a troca, mas a sinalização política está feita.

Haddad também quer que Rogério Ceron, atual secretário do Tesouro Nacional, assuma a função de secretário-executivo hoje ocupada por Durigan.

É uma transição organizada. Mas o timing ainda é incerto.

Quem é Dario Durigan

Durigan não é um nome aleatório. Ele tem histórico dentro do governo e confiança de Haddad.

Está no cargo de secretário-executivo da Fazenda desde que Gabriel Galípolo foi indicado para a diretoria de política monetária do Banco Central. Depois, Galípolo virou presidente do BC, e Durigan seguiu na Fazenda.

Antes disso, Durigan trabalhou com Haddad na Prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016.

Também atuou como assessor de assuntos jurídicos da Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff (2011-2015) e foi servidor da AGU (Advocacia-Geral da União) entre 2017 e 2019.

E antes de voltar ao governo federal, foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp.

Ou seja: formação jurídica, experiência em governo, passagem pelo setor privado e alinhamento político com Haddad.

Por que Haddad quer sair

Haddad tem dito que quer deixar o governo para ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral.

Em entrevista no dia 19, o ministro manifestou o desejo de “discutir um projeto de país no cenário internacional”.

Isso pode significar várias coisas:

  • Coordenar estratégia de campanha em nível nacional
  • Representar o governo em articulações internacionais
  • Preparar terreno para eventual candidatura própria em 2030

Mas há outra possibilidade — e é a que Lula prefere.

O que Lula realmente quer

Lula quer que Haddad dispute o governo de São Paulo em 2026.

Segundo auxiliares do presidente, Lula é entusiasta da ideia e ainda pretende tentar convencer Haddad dos planos.

Faz sentido do ponto de vista eleitoral. São Paulo é o estado mais importante do país. O PT não governa lá desde 2006. E Haddad já foi prefeito da capital — tem nome conhecido, histórico político e base.

Mas Haddad parece resistir. Ou pelo menos, não demonstra entusiasmo público.

A disputa pelo governo de São Paulo é arriscada. Se perder, pode queimar capital político. Se ganhar, fica preso no estado por quatro anos, longe do governo federal e da articulação nacional.

O timing da saída

Não há data definida para Haddad deixar a Fazenda. Mas já indicar o sucessor é um sinal de que a saída está no horizonte.

O mais provável é que aconteça em meados de 2026, quando o calendário eleitoral apertar e Haddad precisar se desincompatibilizar para disputar qualquer cargo.

Se ele realmente for candidato ao governo de São Paulo, a saída tem que acontecer até abril de 2026 (seis meses antes da eleição, conforme a lei eleitoral).

Se for apenas para coordenar campanha de Lula, pode ficar um pouco mais.

Mas o fato de já ter indicado Durigan sugere que a saída está sendo planejada.

O que muda com Durigan na Fazenda

Durigan não é uma figura disruptiva. Ele vem de dentro da casa. Conhece as políticas, conhece a equipe, compartilha a visão econômica de Haddad.

A transição deve ser suave, sem grandes rupturas.

Mas há dois pontos a considerar:

1. Continuidade não é novidade.
Se Durigan assume, a política econômica segue a mesma linha. Isso tranquiliza o mercado no curto prazo, mas também significa que os problemas não resolvidos continuam.

2. Falta carisma político.
Haddad é uma figura pública forte, com presença, articulação política e capacidade de segurar pressões. Durigan é técnico, vem da burocracia. Se houver crise política ou pressão do Congresso, ele pode não ter o mesmo peso.

O recado da indicação

Haddad indicar Durigan agora é um aviso: estou saindo.

Não é amanhã. Mas está no cronograma.

E a escolha de Durigan mostra que Haddad quer garantir continuidade. Não quer que a Fazenda vire palco de disputa política ou mudança brusca de rumo.

Se Lula conseguir convencer Haddad a disputar São Paulo, a saída vem mais cedo e mais definitiva.

Se Haddad resistir e ficar só na coordenação de campanha, pode até voltar depois da eleição.

Mas o fato é: a Fazenda já tem sucessor escolhido. E Haddad está de saída.