A Alemanha acabou de revisar para baixo a expectativa de crescimento da economia em 2026. Saiu de 1,3% para 1,0%.
Não parece muita coisa, mas considerando que o país passou os últimos dois anos praticamente parado, qualquer crescimento já é novidade.
O ministro das Finanças, Lars Klingbeil, deu uma explicação interessante: o problema não é falta de plano nem de dinheiro. É velocidade de execução.
Tem dinheiro, mas ninguém consegue gastar
A Alemanha aprovou em março de 2025 um pacote fiscal robusto. Criou um fundo de infraestrutura de 500 bilhões de euros para tocar obras, modernizar estradas, pontes, ferrovias.
Até o final do ano, quanto foi gasto? 24 bilhões de euros.
Isso mesmo. De 500 bilhões disponíveis, apenas 24 bilhões saíram do papel.
Não é porque faltou aprovação. É porque o sistema federal alemão é lento demais para tomar decisões. Tem que passar por estados, municípios, comitês, análises técnicas, mais comitês.
Enquanto isso, o dinheiro fica parado esperando alguém assinar.
O governo sabe onde está o problema
Klingbeil foi direto: “O foco no investimento é o correto. Quando se trata de implementação, precisamos aumentar ainda mais o ritmo.”
Traduzindo: a estratégia está certa, mas a burocracia está engasgando tudo.
Economistas e grupos empresariais concordam. As reformas prometidas para destravar o crescimento existem no papel. Mas continuam no papel.
O ministro até reconheceu: “O que importa para mim são as reformas que tornam nosso país mais rápido e mais eficiente, liberam o potencial e eliminam os obstáculos burocráticos.”
Mas quando perguntaram quais reformas específicas viriam a seguir, ele não deu detalhes.
Por que isso importa
A Alemanha é a maior economia da Europa. Quando ela cresce, puxa o continente junto. Quando empaca, arrasta todo mundo para baixo.
E nos últimos dois anos, ela empacou. Crescimento próximo de zero, indústria estagnada, consumo fraco.
Agora há dinheiro para investir. Mas se levar mais dois anos para gastar 500 bilhões de euros, o efeito na economia vai chegar tarde demais.
O problema alemão não é econômico. É administrativo.
A ironia alemã
A Alemanha sempre foi conhecida pela eficiência. Trens no horário, fábricas produtivas, infraestrutura de primeiro mundo.
Mas quando o assunto é burocracia pública, o país virou refém do próprio sistema. Decisões que deveriam levar semanas levam meses. Projetos que deveriam começar esse ano começam no próximo.
E enquanto a Alemanha discute em comitês, outros países avançam.
O que esperar de 2026
1% de crescimento não é explosivo. Mas depois de dois anos parados, já é progresso.
A questão é se o governo consegue acelerar a implementação dos investimentos ou se 2026 vai ser mais um ano de dinheiro aprovado e obras atrasadas.
Por enquanto, a Alemanha tem o remédio. Só precisa conseguir abrir a caixa.
Via: CNN Brasil




