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Wall Street se recompõe após tombo da IA, mas mercado segue de olho nos juros

Depois de começar o dia tropeçando, S&P 500 e Nasdaq viraram para o positivo nesta segunda-feira. O motivo: as ações de tecnologia respiraram depois da pancada da semana passada, quando o medo da inteligência artificial bagunçou o humor do mercado.

Nada de euforia. É mais um “calma, vamos com calma”.

Tecnologia tenta levantar do chão

O setor de tecnologia do S&P 500 subiu 1,8%, dando sequência ao movimento de recuperação iniciado na sexta-feira. Na semana anterior, o setor tinha apanhado feio, pressionado pelo receio de que a IA aumente demais a concorrência e esmague margens.

As empresas de software lideraram a reação. O índice de serviços de software avançou 6%, depois de sete sessões seguidas de queda. Um clássico movimento de “apanhou demais, voltou”.

Mesmo assim, vale o alerta: o setor ainda está cerca de 13% abaixo do nível de 27 de janeiro, antes do início do tombo.

Oracle vira o jogo

O grande destaque do dia foi a Oracle, com alta de 10,8%.

O empurrão veio de uma mudança de recomendação da DA Davidson, que passou de “neutra” para “compra”. Tradução: alguém achou que o preço caiu mais do que devia.

Em mercado estressado, basta um analista levantar a sobrancelha para o papel disparar.

Uma frase, um mercado inteiro

Outro fator que ajudou o setor veio de uma frase atribuída a Sam Altman, CEO da OpenAI. Segundo a CNBC, ele teria dito internamente que o ChatGPT voltou a crescer mais de 10% ao mês.

Não é dado oficial. Nem confirmação independente. Mas em um mercado sobrevendido, isso foi o suficiente.

“O elástico esticou demais”, resumiu Keith Lerner, da Truist Advisory Services. Quando o elástico estica demais, qualquer notícia positiva vira desculpa para repique.

Onde os índices fecharam

Por volta das 14h12, os números eram os seguintes:

S&P 500: alta de 0,05%, aos 6.972 pontos
Nasdaq: alta de 1,03%, aos 23.267 pontos
Dow Jones: alta de 0,58%, aos 50.140 pontos

O Dow ficou para trás no ritmo, mas ainda assim bateu máxima histórica intradiária, após romper os 50 mil pontos pela primeira vez na sexta-feira.

Já o Russell 2000, de small caps, subiu 0,8%, mostrando que a empolgação segue concentrada nas gigantes.

Perto do topo, mas não lá ainda

O Nasdaq está a menos de 3% de sua última máxima histórica, registrada em novembro. O S&P 500 também flerta com o topo, mas ainda não passou do fechamento recorde de janeiro.

Ou seja: o mercado está melhor, mas não resolveu todos os seus problemas existenciais.

Chips sobem, consumo básico cai

O índice de semicondutores da Filadélfia subiu cerca de 1,7%, ajudado pela expectativa em torno da Nvidia, que avançou 2,9%.

O balanço da Nvidia sai só no fim do mês. Até lá, o mercado segue no modo “espera ansiosa”.

Na ponta oposta, o setor de bens de consumo essenciais foi o pior desempenho do dia. Foi o setor que serviu de abrigo durante a queda da tecnologia. Agora, com o risco diminuindo, o dinheiro começa a sair dali.

O que realmente importa agora

O foco do mercado está nos próximos dados econômicos.

Na quarta-feira sai o relatório de empregos de janeiro. Na sexta, o índice de preços ao consumidor.

Esses dois números vão ajudar a responder a pergunta que manda em tudo: quando o Fed começa a cortar os juros?

Hoje, o mercado aposta no primeiro corte em junho, segundo a ferramenta FedWatch do CME. Qualquer surpresa nesses dados pode mudar esse roteiro.

Destaques individuais do dia

Nem todo mundo aproveitou o bom humor.

A Hims & Hers Health despencou 17% após ser processada pela Novo Nordisk por violação de patente. Brigar com dona de Wegovy costuma sair caro.

A Workday caiu 6% depois de anunciar o retorno do cofundador Aneel Bhusri ao cargo de CEO. Nem sempre o fundador de volta anima o mercado.

Já a Apollo Global Management subiu 1,3%, com lucro trimestral 13% maior.

O caso mais extremo foi o da Kyndril, que afundou mais de 54% após adiar balanço e sinalizar problemas contábeis. Quando empresa adia número, o mercado imagina o pior. Geralmente acerta.

O resumo do dia

Wall Street ensaia recuperação. A tecnologia tenta se levantar. Mas o mercado ainda anda com cautela.

O próximo movimento não depende de IA, de analista ou de frase vazada. Depende de inflação, emprego e juros.

E nisso, não tem algoritmo que resolva.

Via: Reuters