ECONOMIA

BNDES lança plano de R$ 5,7 bilhões para ampliar aeroportos

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (11) o Plano de Investimentos em Ampliação e Modernização de Aeroportos, uma iniciativa que prevê R$ 5,7 bilhões em financiamentos para 11 terminais administrados pela espanhola Aena. O pacote inclui um dos ativos mais sensíveis da aviação nacional: o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Do total, R$ 4,64 bilhões contam com apoio do BNDES. Vinculado ao Novo PAC, o plano deve destravar investimentos adicionais e elevar o volume total para R$ 9,2 bilhões. Traduzindo: o dinheiro público entra como empurrão inicial, e o setor privado faz o resto da corrida.

O lançamento ocorreu em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Clima de obra grande, discurso de longo prazo e foto oficial garantida.

Congonhas leva a maior fatia do bolo

O Aeroporto de Congonhas concentra a maior parte dos recursos. Serão cerca de R$ 3,8 bilhões apenas na primeira fase do projeto. O plano prevê a construção de um novo terminal de passageiros, que mais do que dobrará a área atual, passando de 40 mil m² para 105 mil m².

Além disso, o projeto inclui a ampliação do pátio de aeronaves, o aumento do número de pontes de embarque de 12 para 19 e a expansão da área comercial, que ultrapassará 20 mil m². Em resumo, menos fila, mais lojas e mais espaço para atrasos acontecerem com dignidade.

Outros 10 aeroportos entram na rota dos investimentos

Além de Congonhas, os recursos contemplam aeroportos em seis estados brasileiros. Estão na lista:

  • Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá (MS)
  • Santarém, Marabá, Carajás e Altamira (PA)
  • Uberlândia, Uberaba e Montes Claros (MG)

Segundo o BNDES, a ampliação e modernização desses terminais devem beneficiar 29 milhões de passageiros. Com a elevação da capacidade operacional, o bloco poderá atender mais de 40 milhões de passageiros por ano. É uma aposta clara em crescimento da demanda, ainda que o setor aéreo continue sensível a juros, câmbio e preço do combustível.

Aena aposta alto no Brasil

De acordo com Santiago Yus, diretor-presidente da Aena Brasil, esta é a maior operação de financiamento para infraestrutura aeroportuária já realizada no país. Para ele, o tamanho do investimento sinaliza confiança no crescimento da economia brasileira e no mercado de aviação.

A Aena administra 46 aeroportos e dois heliportos na Espanha, além de deter 51% do Aeroporto de Londres-Luton. A empresa também opera 12 aeroportos no México e dois na Jamaica. No Brasil, além dos 11 terminais incluídos no novo plano, a companhia já administra Recife, Maceió, Aracaju, João Pessoa, Juazeiro do Norte e Campina Grande, que receberam R$ 1,04 bilhão em apoio do BNDES em investimentos anteriores.

Ou seja, a empresa já conhece o terreno, o tráfego e a burocracia. Nada de voo cego.

BNDES entra com debêntures e financiamento direto

A estrutura financeira do plano combina mercado de capitais e crédito direto. A oferta pública de debêntures foi coordenada pelo BNDES em sindicato com o Santander. O banco de fomento subscreveu R$ 4,24 bilhões em debêntures e concedeu ainda R$ 400 milhões via linha Finem.

Na prática, o modelo dilui riscos, amplia prazos e garante previsibilidade para um setor que exige investimentos pesados antes de qualquer retorno aparecer no radar.

Infraestrutura aérea entra no radar do Novo PAC

O anúncio reforça a estratégia do governo de usar o Novo PAC como plataforma de coordenação de investimentos estruturantes. Aeroportos entram nesse pacote não só como ativos logísticos, mas como peças-chave para turismo, integração regional e atração de negócios.

Não é um plano que resolve todos os gargalos da aviação brasileira. Mas, para um setor historicamente travado por falta de capital e projetos engavetados, o movimento indica que, pelo menos desta vez, a pista está liberada para decolagem.

Via: Infomoney