A Opep optou por não mexer no termômetro. Em relatório mensal divulgado nesta quarta-feira (11), a organização reafirmou a projeção de crescimento da demanda global por petróleo em 1,4 milhão de barris por dia (bpd) em 2026, mantendo inalterado o cenário traçado nos meses anteriores.
Caso a estimativa se confirme, o consumo mundial da commodity deve alcançar 106,52 milhões de bpd em 2026, sinalizando que, apesar do discurso sobre transição energética, o petróleo segue longe de pedir aposentadoria.
Para 2027, a Opep também manteve sua projeção de crescimento, estimando um aumento adicional de 1,3 milhão de bpd, o que levaria a demanda global a 107,86 milhões de bpd. Em outras palavras, o mercado continua crescendo, ainda que em ritmo menos exuberante do que em ciclos passados.
Países fora da OCDE seguem puxando o consumo
O relatório reforça um padrão já conhecido: o crescimento da demanda continua concentrado fora das economias avançadas. Nos países que integram a OCDE, a expectativa é de aumentos modestos, de cerca de 150 mil bpd em 2026 e 100 mil bpd em 2027.
É um crescimento quase simbólico, reflexo de ganhos de eficiência energética, maior penetração de fontes alternativas e políticas ambientais mais restritivas. O petróleo, nesses mercados, cresce devagar e olhando para trás.
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Já fora da OCDE, o cenário é bem diferente. A Opep projeta acréscimos de 1,2 milhão de bpd tanto em 2026 quanto em 2027, praticamente carregando o crescimento global nas costas. Economias emergentes, expansão industrial e aumento da frota veicular seguem sendo os principais vetores dessa demanda.
Estabilidade nas projeções reforça leitura cautelosa
A decisão da Opep de manter as projeções indica uma leitura relativamente estável do cenário global, sem grandes apostas em aceleração ou desaceleração abrupta. O consumo cresce, mas dentro de um ritmo que a organização considera compatível com o atual equilíbrio entre oferta, demanda e incertezas macroeconômicas.
Com tensões geopolíticas persistentes, ajustes graduais de produção e um mercado cada vez mais sensível a dados econômicos, a mensagem do cartel é clara: o petróleo segue relevante, previsível no curto prazo e resiliente no médio.
Não é exatamente um show de fogos, mas também está longe de ser um velório energético.
Via: CNN Brasil




