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ASML descobre novo jeito de produzir 50% mais chips

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A ASML, empresa holandesa que fabrica as máquinas mais avançadas de produção de chips do mundo, anunciou nesta segunda-feira (23) que conseguiu aumentar a potência da fonte de luz em 50%.

Isso significa produzir até 50% mais chips por hora. E reduzir o custo de cada um.

E tem um detalhe importante: a ASML é a única empresa no mundo que fabrica essas máquinas comercialmente.

O que a ASML faz

A ASML fabrica máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV). São equipamentos essenciais pra produção de chips avançados.

Empresas como TSMC (Taiwan) e Intel dependem dessas máquinas. Sem elas, não dá pra fazer os chips mais modernos.

Por isso essas máquinas são estratégicas. Tanto que os governos dos EUA e da Holanda trabalharam juntos pra impedir que fossem vendidas pra China.

E a China, sem acesso a elas, lançou um esforço nacional pra tentar construir as próprias máquinas.

O que mudou

Os pesquisadores da ASML descobriram como aumentar a potência da fonte de luz EUV de 600 watts pra 1.000 watts.

Isso não é teste de laboratório. É sistema que funciona de verdade, sob as mesmas condições que um cliente real enfrentaria.

Michael Purvis, tecnólogo-chefe da ASML, foi direto: “Não é um truque de salão ou algo parecido, em que demonstramos por um curto período de tempo que pode funcionar.”

Por que isso importa

Maior potência significa menos tempo de exposição pra imprimir cada chip.

Chips são impressos de forma parecida com fotografia. A luz EUV é projetada sobre uma pastilha de silício revestida com produtos químicos especiais.

Com fonte de luz mais potente, o processo fica mais rápido. E dá pra produzir mais chips por hora.

Até o final da década, clientes da ASML devem conseguir processar cerca de 330 wafers por hora em cada máquina. Hoje são 220.

Cada wafer pode conter dezenas a milhares de chips, dependendo do tamanho.

Como eles conseguiram isso

A tecnologia já era absurdamente complexa. E ficou mais.

Pra produzir luz com comprimento de onda de 13,5 nanômetros, a máquina da ASML faz o seguinte:

  1. Dispara um jato de gotículas derretidas de estanho
  2. Um laser gigante de dióxido de carbono aquece essas gotículas
  3. Elas viram plasma (estado superaquecido da matéria, mais quente que o Sol)
  4. O plasma emite luz EUV
  5. Equipamentos ópticos de precisão da alemã Carl Zeiss coletam essa luz e usam pra imprimir chips

O avanço agora foi:

  • Dobrar o número de gotas de estanho (pra cerca de 100 mil por segundo)
  • Usar duas rajadas menores de laser em vez de uma só

Jorge J. Rocca, professor da Universidade Estadual do Colorado especializado em tecnologias a laser, resumiu: “É muito desafiador, porque você precisa dominar muitas coisas, muitas tecnologias. O que foi alcançado — um quilowatt — é bastante surpreendente.”

E ainda dá pra ir além

A ASML acredita que consegue ir mais longe.

Segundo Purvis, “vemos um caminho razoavelmente claro pra 1.500 watts e nenhuma razão fundamental pra não conseguirmos chegar a 2.000 watts.”

Ou seja: dá pra dobrar de novo.

Por que a ASML não tem concorrente

Essas máquinas estão entre as invenções mais complexas da humanidade.

Cada uma custa dezenas de milhões de dólares. E leva anos pra desenvolver.

A ASML passou décadas aperfeiçoando essa tecnologia. E hoje é a única que consegue fabricar comercialmente.

Nos EUA, pelo menos duas startups (Substrate e xLight) levantaram centenas de milhões de dólares pra tentar desenvolver concorrentes americanos.

A xLight até garantiu financiamento do governo de Trump.

Mas até agora, ninguém conseguiu chegar perto.

O que isso significa geopoliticamente

Quem controla a produção dessas máquinas controla a produção de chips avançados.

E quem controla chips avançados controla tecnologia, defesa, inteligência artificial.

Por isso os EUA pressionaram a Holanda pra não vender essas máquinas pra China.

E por isso a China está desesperada pra desenvolver as próprias.

Mas a ASML continua anos-luz à frente. E agora anunciou mais um salto tecnológico que ninguém mais consegue replicar.

O recado

A ASML não é uma empresa qualquer. É uma das poucas no mundo que tem tecnologia que ninguém mais domina.

E essa nova descoberta reforça essa posição.

Produzir 50% mais chips por hora não é melhoria incremental. É vantagem competitiva brutal.

E enquanto startups americanas e chinesas tentam alcançá-la, a ASML continua acelerando.

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