Gigante dos chips supera expectativas e projeta mais crescimento, enquanto rivais tentam ganhar espaço
A Nvidia entregou o que o mercado queria ver: crescimento forte, receita recorde e projeção acima das estimativas.
No quarto trimestre, a empresa faturou US$ 68,1 bilhões. Isso representa alta de 20% em relação ao trimestre anterior e avanço de 73% na comparação com o mesmo período do ano passado.
No acumulado do ano fiscal, a receita somou US$ 215,9 bilhões, crescimento de 65%.
Em outras palavras: a máquina de fazer chips continua imprimindo dinheiro.
O que os números mostram
Além da receita, outro dado chamou atenção: a margem bruta ficou em torno de 75%.
Margem bruta é o quanto sobra da receita depois de pagar os custos diretos de produção. Se uma empresa vende US$ 100 e sobra US$ 75 antes das demais despesas, a margem é de 75%.
Para indústria de tecnologia, isso é margem de luxo.
O lucro por ação ficou em US$ 1,76 no padrão contábil oficial (GAAP) e US$ 1,62 na versão ajustada (não GAAP). Essa diferença acontece porque a versão ajustada exclui alguns custos considerados não recorrentes.
Mas o ponto principal não foi o passado. Foi o futuro.
Projeção acima do esperado
A Nvidia projetou receita de US$ 78 bilhões para o primeiro trimestre fiscal, com margem de erro de 2%.
O mercado esperava US$ 72,6 bilhões.
Ou seja, a empresa está dizendo que a demanda continua forte.
E essa demanda tem nome e sobrenome: inteligência artificial.
Quem está pagando essa conta?
As gigantes da tecnologia.
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Empresas como Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta estão despejando bilhões em infraestrutura de data centers e processadores de IA.
A estimativa é que esses investimentos somem pelo menos US$ 630 bilhões até 2026.
Grande parte desse dinheiro vai para servidores e chips de alto desempenho. E a Nvidia domina justamente esse segmento.
Por que isso importa?
Hoje, treinar modelos de inteligência artificial exige enorme poder computacional. Quanto mais avançado o modelo, mais chips são necessários.
E os chips da Nvidia se tornaram padrão de mercado.
Investidores acompanham os resultados da empresa como se fossem um termômetro do setor de IA. Se a receita cresce, significa que as big techs continuam investindo pesado.
Se desacelera, o sinal de alerta acende.
Por enquanto, o ritmo segue forte.
Mas nem tudo é céu azul
A liderança da Nvidia começa a ser desafiada.
A Advanced Micro Devices, conhecida como AMD, deve lançar ainda este ano um novo servidor de IA topo de linha. A empresa já fechou acordos com grandes clientes da Nvidia, incluindo a Meta.
Além disso, o Google, controlado pela Alphabet, vem apostando em chips próprios, chamados TPUs. A companhia fechou acordo para fornecer esses processadores à Anthropic, criadora do chatbot Claude, e negocia expandir o fornecimento.
O movimento é estratégico.
As big techs perceberam que depender exclusivamente da Nvidia pode ser caro e arriscado. Desenvolver chips internos reduz custo no longo prazo e aumenta controle sobre infraestrutura.
É como deixar de alugar e começar a construir a própria casa.
Impacto para investidores
Para quem investe na Nvidia, o recado é claro: a empresa ainda está surfando a onda da IA com força.
Receita crescente, margem alta e guidance acima do esperado são ingredientes que costumam agradar Wall Street.
Mas o mercado também começa a observar dois pontos com atenção:
- Até quando as big techs vão manter esse ritmo de investimento?
- Quanto espaço concorrentes vão conseguir tirar da Nvidia?
Se a demanda continuar forte e a empresa mantiver vantagem tecnológica, o crescimento pode seguir robusto.
Se os clientes passarem a usar mais chips próprios ou diversificar fornecedores, o ritmo pode desacelerar.
O que observar agora
Nos próximos trimestres, vale acompanhar:
– O crescimento da divisão de data centers, que é o coração do negócio
– A evolução das margens, para ver se a concorrência começa a pressionar preços
– O nível de investimento anunciado por Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta
A corrida pela inteligência artificial ainda está na fase de construção de infraestrutura.
E, nesse momento, a Nvidia é quem vende as pás e picaretas da corrida do ouro.
A pergunta que fica não é se a IA vai continuar crescendo.
É quem vai capturar a maior fatia desse bolo bilionário nos próximos anos.




