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Meta prioriza IA, e faz nova rodada de demissões

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A Meta iniciou uma nova rodada de demissões que atinge centenas de funcionários em diferentes áreas — operações globais, recrutamento, vendas, Facebook e a divisão de realidade virtual Reality Labs.

Parte dos impactados recebeu oferta para mudar de função dentro da empresa. Com a ressalva: algumas vagas exigem mudança de cidade. Quem não topou, foi desligado.

Alguns funcionários foram orientados a trabalhar de casa enquanto esperam a formalização do desligamento. É o tipo de situação que transforma a home office em sala de espera.

Por que a Meta está demitindo

A resposta oficial é reestruturação. O porta-voz da empresa disse que “as equipes da Meta se reestruturam ou implementam mudanças regularmente para garantir que estejam na melhor posição para atingir seus objetivos.”

É a frase corporativa padrão para demissão em massa. Mas o contexto real é mais específico.

A Meta está redirecionando recursos para inteligência artificial — contratando engenheiros de IA enquanto corta em outras áreas. É uma troca deliberada: menos gente em funções que a empresa considera menos estratégicas, mais investimento em quem vai construir os modelos e produtos de IA que Zuckerberg considera o futuro da companhia.

O Reality Labs está no centro das demissões

A divisão de realidade virtual da Meta — responsável pelos óculos Quest, pela plataforma Horizon Worlds e pela aposta no metaverso — já havia perdido mais de mil postos em janeiro, o equivalente a cerca de 10% da força de trabalho da unidade.

Agora recebe mais cortes.

O Reality Labs é o projeto mais caro e mais questionado da Meta. Desde 2021, quando Zuckerberg renomeou a empresa e declarou que o futuro era o metaverso, a divisão já queimou dezenas de bilhões de dólares. Em 2024, o prejuízo operacional do Reality Labs foi de mais de US$ 17 bilhões.

O metaverso que deveria revolucionar a forma como as pessoas trabalham, socializam e se divertem ainda não encontrou o público que Zuckerberg imaginava. Os óculos vendem, mas não em escala suficiente para justificar o investimento. A plataforma Horizon Worlds nunca decolou da forma prometida.

O resultado: a divisão que deveria ser o futuro da empresa virou o lugar de onde saem as demissões enquanto a IA recebe o orçamento.

O padrão que se repete

Não é a primeira vez. Em 2022, a Meta cortou 11 mil funcionários. Em 2023, mais 10 mil. Cada rodada vinha acompanhada de uma justificativa ligeiramente diferente — excesso de contratações na pandemia, ajuste estratégico, foco em eficiência.

O padrão é sempre o mesmo: a Meta contrata quando o ambiente está favorável, corta quando precisa redirecionar recursos ou quando os investidores cobram eficiência.

O que mudou agora é o destino do dinheiro economizado. Nas rodadas anteriores, o corte era apresentado como ajuste de tamanho. Desta vez, é explicitamente uma troca: menos pessoas em funções tradicionais, mais dinheiro em IA.

O que vem por aí

Há relatos de que a Meta estuda cortes mais amplos — com estimativas de que uma parcela significativa da força de trabalho global ainda pode ser afetada. Os números ainda não estão confirmados.

O que está claro é a direção: a Meta vai continuar priorizando IA sobre tudo. Isso significa menos investimento em realidade virtual no curto prazo, menos contratações em funções de suporte e operações, e mais concentração de recursos em engenharia de IA.

Para o mercado, a mensagem é positiva — eficiência e foco em IA são exatamente o que os investidores querem ouvir. As ações da Meta subiram mais de 60% em 2024 justamente porque a empresa demonstrou capacidade de crescer resultado enquanto cortava custos.

Para os funcionários, a mensagem é diferente.

A Meta está trocando postos de trabalho por poder computacional.

É uma aposta de que o futuro da empresa está em modelos de IA, não em headsets de realidade virtual ou em equipes de operações. Pode estar certa — os resultados financeiros recentes sugerem que a estratégia está funcionando para os acionistas.

O metaverso que Zuckerberg prometeu em 2021 ainda não chegou. A IA que ele está construindo agora pode chegar mais rápido — mas vai custar empregos no caminho.

Zuckerberg pediu para o mundo olhar para o metaverso. O mundo olhou, não gostou muito e foi usar o Instagram. Agora ele está redirecionando o dinheiro para onde as pessoas realmente foram.

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