ECONOMIA

Presidente da Petrobras confirma aumento da gasolina “já já”

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Sabe quando você está em um relacionamento onde a outra pessoa paga todas as contas, mas de repente ela vira e diz: “A partir de segunda, vamos dividir o boleto do aluguel”? Pois é, prepare o coração (e a carteira), porque a Petrobras resolveu que o período de mimos para o seu tanque de combustível está chegando ao fim.

A notícia da manhã desta terça-feira caiu como uma pedra no sapato de quem achou que o preço da gasolina ia ficar no “precinho” para sempre. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, basicamente avisou que o aumento vem aí e ele não vai pedir licença para entrar.

Se você acha que a economia brasileira é difícil de entender, pense nela como um grande buffet: às vezes o prato principal fica caro demais para o dono do restaurante manter o desconto, e ele precisa repassar o custo para você não sair comendo de graça.

Onde o filho chora e a mãe não vê

Em bom português, o que a Petrobras está fazendo é o que chamamos de ajuste de preços ao mercado. Sabe quando você vê o preço do petróleo subindo lá fora porque teve briga em algum lugar do mundo (a tal da guerra)? Pois é, a conta chega aqui.

A Petrobras estava segurando os preços com uma ajudinha do governo, o que tecnicamente chamamos de subvenção. Imagine que o governo é aquele pai que completa o dinheiro do seu lanche porque o preço na cantina subiu, mas ele não quer que você passe fome.

Só que o CFO da empresa, Fernando Melgarejo, já deu o papo: esse “empurrãozinho” está com os dias contados. Em poucos dias, os preços estarão “a mercado”, o que é o jeito chique de dizer que você vai pagar o que o mundo inteiro paga, sem o desconto camarada do governo federal.

O entrave agora é a briga de vizinhos. A gasolina tem um concorrente forte: o etanol. Como a safra de cana começou e o preço do álcool caiu nas bombas nos últimos 15 dias, a gasolina não pode subir demais, senão todo mundo corre para o lado verde da força e o produto da Petrobras fica mofando no estoque.

A matemática do pão de queijo

Se você é um investidor mirim que ainda está aprendendo a contar as moedas do porquinho, aqui está o que realmente importa nessa história de gente grande:

  • Fim do subsídio é bom para o caixa: Quando a Petrobras para de “dar desconto” e o governo paga o que deve (a subvenção), entra mais dinheiro limpo no fluxo de caixa da companhia. Isso faz o investidor sorrir.
  • Autossuficiência no horizonte: A Magda falou em um plano para o Brasil produzir todo o diesel e gasolina que consome. É como se sua mãe decidisse fazer o próprio pão em casa para nunca mais depender da padaria que vive aumentando o preço.
  • A parceria com o governo: A Petrobras está tentando equilibrar dois pratinhos: ser lucrativa para quem tem ações e ser “legal” com a sociedade entregando preços acessíveis. É um malabarismo perigoso (e quase sempre alguém acaba quebrando um prato).
  • Impacto no fluxo de caixa: O pagamento dessa subvenção pelo governo vai entrar como um bônus no balanço. É aquele dinheiro extra que você não esperava e que ajuda a pagar as dívidas ou investir em novos brinquedos (no caso deles, refinarias).

O drama da cana-de-açúcar

A grande vilã (ou heroína, depende de quem olha) nessa história é a cana. Com o aumento da produção de etanol, a Petrobras fica em uma saia justa. Se ela sobe a gasolina hoje, o motorista faz a conta e vê que compensa mais abastecer com álcool.

Isso cria uma pressão imensa na estratégia da companhia. Eles precisam aumentar o preço para serem “rentáveis” (palavra favorita da Magda), mas não podem exagerar para não perderem o cliente para o usineiro da esquina.

A executiva ressaltou que a análise para esse aumento será “segura e rentável”. Traduzindo do economês: “vamos subir o máximo que der antes de você decidir que é melhor andar de bicicleta ou usar o combustível de cana”.

O mercado brasileiro confia na Petrobras, mas o bolso do consumidor tem memória curta. O governo reconhece o papel da petroleira, mas no fim do dia, o que o investidor quer ver são os dividendos caindo na conta, independentemente de quão “proveitosa” seja a parceria para a sociedade brasileira.

Por que você deve se importar (além de chorar no posto)

Para quem olha o gráfico da PETR4, essa movimentação é um sinal de que a empresa está tentando recuperar sua autonomia de preços. É o famoso “crescer e aparecer”.

Se a empresa consegue alinhar seus preços com o mercado internacional sem causar uma revolta popular, ela mostra que tem musculatura para aguentar crises externas sem precisar quebrar o cofrinho do Tesouro Nacional a cada variação do dólar.

Por outro lado, o risco político nunca dorme. O governo gosta de preços baixos para manter a inflação na linha, e a Petrobras gosta de lucros altos para manter os acionistas felizes. É o clássico cabo de guerra onde a corda é o seu orçamento mensal.

No final das contas, o recado foi dado: a gasolina vai subir, o diesel está sendo “encaminhado” e a Petrobras quer ser a dona da própria cozinha. Se você é investidor, prepare-se para ver o caixa brilhar. Se você é motorista, talvez seja a hora de olhar com mais carinho para aquele posto que vende etanol de qualidade.

Afinal, no mundo dos negócios e da tecnologia, quem não se adapta ao preço da “energia” acaba ficando parado no acostamento da história.

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