A Índia está priorizando mecanismos para tornar os pagamentos transfronteiriços mais eficientes e acessíveis, estimulando o uso das moedas locais em transações internacionais. A declaração foi feita por Sanjay Malhotra, presidente do Reserve Bank of India (RBI), durante evento do setor bancário em Mumbai.
Presidente do bloco dos BRICS no ano de 2026, o país busca modernizar as rotas financeiras globais sem, contudo, aderir a propostas de criação de um bloco monetário unificado.
O Foco: Conectividade e Uso de Moedas Locais
De acordo com o presidente do BC indiano, o foco das discussões entre os países membros está na redução de custos e prazos, especialmente para operações de varejo e pequenas empresas:
- Integração de Sistemas: O bloco avalia a interconexão de sistemas de pagamentos instantâneos (a exemplo do modelo adotado por países como o Brasil com o Pix e a Índia com o UPI).
- Moedas Digitais (CBDCs): Discussões sobre a interoperabilidade de moedas digitais emitidas por bancos centrais para liquidação direta de transações.
- Internacionalização da Rúpia: O RBI já possui acordos vigentes com bancos centrais dos Emirados Árabes Unidos, Maurício, Maldivas e Indonésia para permitir o faturamento comercial nas moedas locais, e atua para expandir essa rede.
“Há muito espaço para reduzir os custos e aumentar a velocidade das operações internacionais. Continuaremos nossos esforços para internacionalizar a rúpia e promover o uso de moedas locais no comércio, mas ainda estamos na fase de discussões.”
— Sanjay Malhotra, presidente do Banco Central da Índia.
Rejeição Clara à “Moeda Única do BRICS”
Apesar das iniciativas para simplificar as rotas de pagamento, o governo indiano reafirmou sua oposição direta a propostas de criação de uma moeda comum para o bloco econômico.
Na semana anterior ao evento, o ministro do Comércio e da Indústria da Índia, Piyush Goyal, pontuou a posição oficial do país durante coletiva em Jaipur:
“Não apoiamos a introdução de qualquer esquema desse tipo de moeda do BRICS; a Índia se opõe a isso.”
— Piyush Goyal, ministro do Comércio e da Indústria da Índia.
O Contexto Geopolítico
A cautela indiana no avanço de uma moeda única reflete tanto dinâmicas internas quanto o cenário diplomático internacional:
- Aumento da Abrangência dos BRICS: Com a recente expansão para 11 países membros (representando mais de 40% da economia global), a criação de uma união monetária exigiria uma convergência fiscal e cambial de altíssima complexidade.
- Pressão dos EUA: O presidente norte-americano, Donald Trump, manifestou publicamente represálias e imposição de tarifas elevadas contra blocos ou países que tentem implementar mecanismos formais destinados a desbancar o dólar como moeda de reserva global.
Ao priorizar acordos bilaterais e a conexão de sistemas de pagamentos já existentes, a Índia busca modernizar sua infraestrutura financeira e baratear o comércio exterior mantendo sua autonomia de política monetária.




