ECONOMIA

Balança comercial tem superávit de US$62 bilhões em setembro

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Sabe quando você fecha o caixa do mês na sua loja e percebe que, mesmo gastando um pouquinho a mais nas compras de estoque, as vendas explodiram tanto que o lucro no cofre ficou quase 35% maior do que no ano passado?

Pois bem, os dados oficiais divulgados nesta terça-feira (6 de outubro de 2026) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC mostram que a balança comercial do Brasil está exatamente nessa pegada de cruzeiro. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o país registrou um superávit comercial robusto de US$ 62,396 bilhões — um salto impressionante de 34,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Para alcançar esse saldo positivo no cofre nacional, o Brasil vendeu para o exterior o equivalente a US$ 284,654 bilhões (alta de 10,4% nas exportações), enquanto comprou US$ 222,259 bilhões em produtos gringos (alta de 5,0% nas importações).

Onde o filho chora e a mãe não vê

Em bom português, quem puxou o carrinho de compras do planeta e garantiu esse resultado recorde no comércio exterior brasileiro foi o setor de commodities e extração de recursos minerais e energéticos.

Sabe aquela força do agronegócio e do petróleo/minério que costuma salvar as contas externas do país? Ela deu um show de desempenho no acumulado de 2026:

  • Indústria Extrativa (O motor do crescimento): A exploração de minérios e petróleo deu um verdadeiro salto quântico, disparando 21,2% e injetando US$ 71,150 bilhões nas receitas de exportação do país.
  • Agropecuária (Firme no campo): As vendas do campo avançaram 8,9%, somando US$ 64,837 bilhões de janeiro a setembro, impulsionadas pela demanda global por grãos e alimentos.
  • Indústria de Transformação (A maior fatia): Embora crescendo em ritmo mais modesto (+6,3%), a indústria processada liderou em volume absoluto, arrecadando US$ 146,915 bilhões nas vendas externas.

A matemática do pão de queijo

Se você quer entender como ficou a divisão do bolo das trocas comerciais do Brasil no acumulado até setembro de 2026, confira o raio-X detalhado do MDIC:

Setor EconômicoExportações (US$)Variação (2026 vs 2025)Importações (US$)Variação (2026 vs 2025)
AgropecuáriaUS$ 64,837 bi📈 +8,9%US$ 4,178 bi📉 -10,1%
Indústria ExtrativaUS$ 71,150 bi📈 +21,2%US$ 9,476 bi📉 -3,9%
Indústria de TransformaçãoUS$ 146,915 bi📈 +6,3%US$ 207,167 bi📈 +5,8%
TOTAL CONSOLIDADOSUS$ 284,654 bi📈 +10,4%US$ 222,259 bi📈 +5,0%

O pulo do gato (ou o pulo das commodities)

A grande surpresa do lado das compras externas (importações) está na divergência entre os setores. Enquanto o Brasil reduziu significativamente a compra de itens brutos do exterior — caindo 10,1% na Agropecuária e 3,9% na Indústria Extrativa —, a compra de insumos e manufaturados da Indústria de Transformação cresceu 5,8% (atingindo US$ 207,167 bilhões).

Esse movimento mostra que o parque fabril brasileiro continua dependendo de peças, máquinas, eletrônicos e insumos intermediários importados para manter a produção interna rodando. No entanto, como o valor das exportações extrativas e agrícolas disparou a um ritmo mais do que duplo (+10,4% contra +5,0%), a gordura do superávit final só acumulou reservas.

Por que você deve se importar

Para a economia do seu dia a dia e para o mercado financeiro, um superávit comercial perto dos US$ 62,4 bilhões até setembro funciona como um verdadeiro “colchão de segurança” cambial.

A entrada massiva de dólares proveniente das exportações ajuda a irrigar as reservas internacionais do Banco Central, segurando valorizações bruscas da moeda americana e aliviando pressões inflacionárias sobre produtos importados e combustíveis.

No final das contas, o balanço de nove meses de 2026 confirma que, mesmo em um cenário internacional desafiador, a vocação exportadora de bens primários e extrativos do Brasil continua sendo a maior garantia de dólares no caixa do país.