ECONOMIA

FGC já pagou R$ 26 bilhões aos clientes do Master

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) divulgou nesta sexta-feira (23) os números parciais do resgate aos clientes do Banco Master.

Até agora, R$ 26 bilhões já foram pagos, o que representa 66,43% do montante total a ser repassado.

521 mil clientes já receberam — 67,29% do total que será ressarcido.

Os pagamentos começaram na tarde de 19 de janeiro de 2026. Ou seja, em menos de uma semana, o FGC já colocou bilhões nas contas de centenas de milhares de pessoas.

E a conta final vai ser maior do que o previsto.

A estimativa inicial era de R$ 40 bilhões

Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, o FGC estimou que precisaria dispor de cerca de R$ 40 bilhões líquidos — aproximadamente um terço do total disponível no fundo.

Já era muito. Mas não seria tudo.

Agora, com a liquidação do Will Bank (braço direito do Master, adquirido em 2024), a conta subiu.

O FGC estima gastar mais R$ 6,3 bilhões em garantias para clientes do Will Bank.

Somando tudo, o resgate vai ultrapassar R$ 46 bilhões.

É o maior pagamento da história do FGC.

Por que o valor aumentou

O Will Bank foi comprado pelo Master em agosto de 2024. Na prática, virou parte do mesmo conglomerado financeiro.

Quando o Master quebrou, o Will Bank foi junto. E os clientes de ambos têm direito ao ressarcimento do FGC — respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ dentro do mesmo conglomerado.

Ou seja, se você tinha dinheiro no Master e no Will Bank, os valores são somados. Se o total for até R$ 250 mil, o FGC cobre tudo. Se passar disso, você só recebe até o limite.

O problema é que muita gente tinha valores nos dois bancos. E isso aumentou o montante que o FGC precisa desembolsar.

A velocidade dos pagamentos

521 mil clientes receberam em menos de uma semana.

Isso é impressionante. E mostra que o FGC estava preparado.

O processo foi todo digital: cadastro no app, validação biométrica, assinatura do termo de cessão de créditos e pagamento direto na conta em até 48 horas úteis.

Funcionou. E funcionou rápido.

Mas ainda faltam 33% dos clientes e 33% do valor. Ou seja, cerca de 260 mil pessoas ainda precisam receber aproximadamente R$ 13 bilhões.

O que falta para os pagamentos do Will Bank

Enquanto os clientes do Master já estão recebendo, os do Will Bank ainda aguardam.

O FGC deixou claro: o início dos pagamentos do Will Bank só acontecerá após o recebimento da base consolidada de credores, que será preparada pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.

Esse processo demora. O liquidante precisa:

  • Identificar todos os clientes com produtos elegíveis à garantia do FGC
  • Consolidar os valores devidos
  • Separar quem tinha produtos antes e depois da aquisição pelo Master (porque isso afeta se os R$ 250 mil são somados ou não)
  • Enviar tudo ao FGC

Nas últimas liquidações, esse prazo ficou entre 30 e 60 dias após o decreto de liquidação extrajudicial.

O impacto no FGC

O fundo tem atualmente cerca de R$ 120 bilhões em recursos disponíveis.

Gastar R$ 46 bilhões de uma vez é quase 40% do total.

É um impacto enorme. Mas é exatamente para isso que o FGC existe: proteger depositantes quando instituições financeiras quebram.

E dessa vez, a proteção está funcionando. Rápido, eficiente e em escala massiva.

A lição para quem investe

A quebra do Master e do Will Bank reforçou uma regra que todo investidor deveria seguir, mas muitos ignoram:

Nunca concentre mais de R$ 250 mil em uma única instituição financeira ou conglomerado.

Se você ultrapassar esse limite e o banco quebrar, o que passar de R$ 250 mil fica preso no processo de liquidação. E na maioria dos casos, você não vê esse dinheiro de volta.

Diversificação não é só sobre tipos de investimento (ações, renda fixa, fundos). É também sobre instituições financeiras.

Distribua seu dinheiro entre bancos diferentes. Se um quebrar, você tem garantia até R$ 250 mil. O resto segue protegido nas outras instituições.

O recado do FGC

O fundo deixou claro em seus comunicados: cadastre-se no app agora, mesmo que o sistema de solicitação ainda não esteja disponível para o Will Bank.

Assim que o liquidante consolidar a base de credores, o FGC avisa pelos canais oficiais e o sistema libera para pedidos.

E mais importante: desconfie de qualquer contato que não seja pelos canais oficiais do FGC. Ninguém vai ligar pedindo dados ou cobrando taxas. Todo o processo é gratuito e digital.

O maior resgate da história

R$ 46 bilhões. Mais de 780 mil clientes. Duas instituições financeiras quebradas ao mesmo tempo.

É o maior resgate que o FGC já fez. E está acontecendo de forma rápida, organizada e eficiente.

Isso não apaga o prejuízo de quem tinha mais de R$ 250 mil nas instituições. Nem elimina o impacto econômico da quebra de um banco médio

Via: CNN Brasil