ECONOMIA

Galípolo: BC não vai entregar spoiler sobre os juros

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deixou claro nesta quinta-feira (18): não espere spoilers sobre o que vai acontecer com a Selic (aquela taxa de juros que mexe com absolutamente tudo na economia).

Em outras palavras? O BC virou série da Netflix — sem trailer, sem prévia, sem nada. Você só vai saber o que acontece quando o episódio sair.

“Não há setas dadas nem portas fechadas”

Galípolo foi direto: “Não há setas dadas nem portas fechadas na decisão dos juros”.

Traduzindo do economês: o Banco Central não vai dar pista nenhuma se vai subir, baixar ou manter os juros na próxima reunião, marcada para janeiro.

Por quê? Porque, segundo ele, é melhor assim.

A ideia é usar o tempo entre as reuniões pra reunir dados, avaliar o cenário e só então bater o martelo. Sem pressa, sem pressão do mercado, sem aquele joguinho de “vai subir 0,25% ou 0,5%?” que os analistas adoram.

É tipo quando você pergunta pra alguém onde vocês vão jantar e a pessoa responde: “Vamos ver”. Frustrante? Sim. Mas é a estratégia.

O mercado não gostou (mas o BC tá pouco se lixando)

O mercado financeiro adora quando o Banco Central dá sinalizações claras. Tipo: “vamos subir os juros nas próximas reuniões” ou “a tendência é de queda”.

Por quê? Porque aí dá pra se preparar, fazer apostas, ajustar carteiras, lucrar em cima da informação.

Mas Galípolo cortou essa onda. Segundo ele, não antecipar decisões é melhor pra manter a flexibilidade do BC — ou seja, a capacidade de reagir ao que acontecer na economia sem ficar preso a uma promessa feita semanas antes.

Faz sentido? Faz. O mercado vai gostar? Não.

“Estamos confessando que não temos uma decisão tomada”

A frase mais sincera da entrevista foi essa:

“Estamos confessando que não temos uma decisão tomada nem para a próxima reunião.”

Ou seja: ninguém sabe o que vai acontecer. Nem os diretores do BC, nem os economistas, nem o seu tio que “entende de economia”.

E tá tudo bem. Porque a economia é imprevisível. O dólar sobe, o dólar desce. A inflação acelera, a inflação desacelera. O cenário muda toda semana.

Por isso, na visão de Galípolo, é melhor esperar, analisar os dados mais recentes e só então decidir.

É a estratégia do “vamos com calma” aplicada à política monetária.

E a Selic, como tá?

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano — um dos patamares mais altos dos últimos tempos.

Isso significa que:

Empréstimos ficam mais caros — financiar carro, casa ou qualquer coisa sai uma fortuna
Investimentos em renda fixa ficam mais atrativos — quem tem dinheiro guardado tá ganhando bem
Consumo desacelera — com juros altos, as pessoas gastam menos e poupam mais

A ideia de manter os juros elevados é controlar a inflação. Quanto mais caro fica o dinheiro, menos as pessoas gastam, e menos os preços sobem.

Só que manter os juros altos por muito tempo também freia o crescimento da economia. É tipo pisar no freio do carro: você controla a velocidade, mas também demora mais pra chegar no destino.

O que esperar de janeiro?

Três cenários possíveis:

BC mantém os juros em 15% — espera mais tempo pra ver se a inflação está realmente controlada
BC sobe os juros — se a inflação ou o dólar dispararem, pode ter alta
BC começa a cortar os juros — se o cenário melhorar, pode abrir espaço pra queda

Mas como Galípolo deixou claro: ninguém sabe. Nem ele.

E o mercado vai ter que engolir essa incerteza.

Por que o BC não quer dar spoiler?

A resposta é estratégica.

Se o BC disser “vamos cortar os juros”, o mercado antecipa isso e começa a se movimentar antes. O dólar cai, os investimentos migram, e quando a decisão oficial sai, o impacto já foi diluído.

Se o BC disser “vamos subir os juros”, acontece o contrário: o dólar dispara, o mercado entra em pânico, e a decisão pode acabar sendo ainda mais drástica do que o necessário.

Então, a solução de Galípolo é simples: não dizer nada.

Deixa o mercado na expectativa, analisa os dados friamente, e decide só quando for o momento certo.

É frustrante? Pra quem gosta de previsibilidade, sim. Mas pra autoridade monetária, faz todo sentido.

Via: CNN Brasil