ECONOMIA

Governo vai cumprir meta de 2025 com déficit de R$20 bi

O governo federal deve cumprir a meta fiscal em 2025 e encerrar o ano com um déficit de cerca de R$ 20,6 bilhões (excluindo despesas extraordinárias).

Quem confirmou foi Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, em coletiva de imprensa nesta semana.

E olha: foi no susto.

Pra fechar as contas dentro da meta, o governo vai contar com um superávit de aproximadamente R$ 20 bilhões em dezembro, puxado principalmente por dividendos (tipo Petrobras, Banco do Brasil, Caixa).

Ou seja: sem esses dividendos, a conta não fechava.

A meta fiscal de 2025: déficit zero (com margem de erro)

A meta de resultado primário pra 2025 é de déficit zero, mas com uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.

Traduzindo: o governo pode ter um déficit de até R$ 30 bilhões e ainda assim cumprir a meta.

O que é resultado primário?

É a diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar os juros da dívida pública.

Se o governo arrecada R$ 100 bilhões e gasta R$ 90 bilhões (sem contar juros), o resultado primário é superávit de R$ 10 bilhões.

Se arrecada R$ 100 bilhões e gasta R$ 110 bilhões, é déficit de R$ 10 bilhões.

No caso de 2025, a meta era equilibrar (zerar o déficit). Mas como tem margem de erro de R$ 30 bilhões, o governo pode fechar com déficit de até R$ 30 bilhões e ainda cumprir a regra.

E pelo jeito, vai fechar com cerca de R$ 20,6 bilhões de déficit — ou seja, dentro da meta.

Como o governo vai fechar as contas em dezembro?

Dezembro é o mês mais importante pra contas públicas, porque é quando o governo faz os ajustes finais.

E esse ano, o governo vai contar com um superávit de aproximadamente R$ 20 bilhões em dezembro.

De onde vem esse dinheiro?

R$ 13 bilhões de dividendos (principalmente de empresas estatais)
Mais alguns bilhões de arrecadação e ajustes de despesas

O que são dividendos?

Dividendos são a parte do lucro das empresas que é distribuída pros acionistas.

Como o governo é dono (ou tem participação) de várias empresas estatais, ele recebe dividendos delas.

Exemplos:

Petrobras — uma das maiores pagadoras de dividendos do país
Banco do Brasil — lucro alto = dividendos altos
Caixa Econômica Federal — idem

Esses dividendos entram no caixa do governo e ajudam a fechar as contas.

Sem eles, o déficit seria muito maior.

O déficit acumulado até novembro: R$ 83,8 bilhões

No acumulado de janeiro a novembro, o governo central apresentou déficit primário de R$ 83,8 bilhões.

Ou seja: gastou R$ 83,8 bilhões a mais do que arrecadou (sem contar juros).

Pra comparação, no mesmo período de 2024, o déficit foi de R$ 67 bilhões.

Ou seja: o déficit de 2025 aumentou em relação a 2024.

MAS — sempre tem um “mas” — parte desse déficit vai ser desconsiderado pra cálculo da meta fiscal.

Despesas extraordinárias: R$ 44,4 bilhões que “não contam”

Segundo Rogério Ceron, cerca de R$ 44,4 bilhões em gastos extraordinários serão desconsiderados pro cumprimento da meta fiscal.

Esses gastos incluem:

Precatórios (dívidas judiciais que o governo tem que pagar)
Reembolso de aposentados afetados pela fraude do INSS (aquele escândalo de benefícios fraudados)

Por que esses gastos “não contam”?

Porque são considerados extraordinários — ou seja, não fazem parte do orçamento normal do governo.

São despesas pontuais, causadas por situações excepcionais.

Então, pelas regras do arcabouço fiscal, esses gastos podem ser excluídos do cálculo da meta.

Fazendo as contas:

Déficit acumulado até novembro: R$ 83,8 bilhões
Despesas extraordinárias: R$ 44,4 bilhões
Superávit esperado em dezembro: R$ 20 bilhões

Resultado final: déficit de cerca de R$ 20,6 bilhões

Como a tolerância é de R$ 30 bilhões, o governo cumpre a meta.

Foi no susto?

Sim.

Se não fosse pelos dividendos de dezembro (especialmente os R$ 13 bilhões esperados), o governo não conseguiria cumprir a meta.

E se não fossem os R$ 44,4 bilhões de despesas extraordinárias excluídas, o déficit seria muito maior.

Então, foi aquele “cumprimos a meta, mas foi apertado”.

Por que a meta fiscal importa?

Porque o mercado (investidores, bancos, agências de classificação de risco) fica de olho nas contas públicas.

Se o governo estoura a meta, o mercado interpreta como:

Falta de disciplina fiscal
Risco de aumento da dívida pública
Pressão inflacionária

E aí, o que acontece?

Juros sobem (pra compensar o risco)
Dólar dispara (investidores fogem)
Bolsa cai (insegurança geral)

Por outro lado, se o governo cumpre a meta, o mercado interpreta como:

Disciplina fiscal
Risco controlado
Confiança na economia

E aí:

Juros podem cair (economia mais confiável)
Dólar pode estabilizar
Bolsa pode subir

Então, cumprir a meta fiscal é crucial pra manter a confiança na economia brasileira.

E 2026? Como vai ser?

Bom, 2025 ainda não acabou, mas 2026 promete ser ainda mais desafiador.

Por quê?

Despesas obrigatórias crescendo (Previdência, salário mínimo, etc.)
Arrecadação pode não crescer tanto (economia desacelerando?)
Pressão política por mais gastos (ano eleitoral em 2026)

Então, o governo vai ter que apertar ainda mais os cintos pra cumprir as metas do arcabouço fiscal.

E como sempre, vai contar com dividendos, ajustes e algumas gambiarras contábeis pra fechar as contas.

Via: CNN Brasil