A ByteDance, proprietária chinesa do TikTok, anunciou nesta quinta-feira (22) a finalização de um acordo para estabelecer uma joint venture com participação majoritária americana. O objetivo é proteger os dados dos usuários nos EUA e evitar uma possível proibição do aplicativo de vídeos curtos, usado por mais de 200 milhões de americanos.
O acordo representa um marco para a empresa de mídia social após anos de batalhas iniciadas em agosto de 2020, quando o presidente Donald Trump tentou, sem sucesso, banir o aplicativo devido a preocupações com a segurança nacional.
Como funciona a joint venture?
A TikTok USDS Joint Venture LLC garantirá a segurança dos dados, aplicativos e algoritmos dos usuários americanos por meio de medidas de privacidade de dados e cibersegurança, afirmou a ByteDance.
O acordo prevê que:
- Investidores americanos e globais detenham 80,1% da joint venture
- A ByteDance ficará com apenas 19,9%
“A joint venture, majoritariamente detida por americanos, operará sob salvaguardas definidas que protegem a segurança nacional por meio de proteção abrangente de dados, segurança de algoritmos, moderação de conteúdo e garantias de software para usuários americanos”, afirmou o grupo em comunicado.
Quem são os principais investidores?
Os três investidores gestores da TikTok USDS JV deterão 15% cada:
- Oracle (gigante da computação em nuvem)
- Silver Lake (grupo de private equity)
- MGX (empresa de investimentos sediada em Abu Dhabi)
Outros investidores incluem:
- Dell Family Office (empresa de investimentos do fundador da Dell Technologies, Michael Dell)
- Vastmere Strategic Investments
- Alpha Wave Partners
- Revolution
- Merritt Way
- Via Nova
- Virgo LI
- NJJ Capital
Adam Presser e Will Farrell, ex-executivos do TikTok, foram nomeados CEO e diretor de segurança, respectivamente. O atual CEO do TikTok, Shou Chew, também foi nomeado para o conselho da joint venture e continuará liderando os negócios e a estratégia global do TikTok.
Governos dos EUA e da China aprovaram
Um funcionário da Casa Branca disse à Reuters que os governos dos EUA e da China aprovaram o acordo. A Embaixada da China em Washington não comentou imediatamente.
Os detalhes do acordo estão em linha com os divulgados em setembro, quando Trump adiou para 23 de janeiro a entrada em vigor de uma lei que proibiria o aplicativo, a menos que seu proprietário chinês o vendesse, em meio a esforços para retirar os ativos da empresa nos EUA.
No ano passado, Trump afirmou que o acordo atendia aos requisitos de desinvestimento da lei de 2024. Em setembro, a Casa Branca anunciou que a joint venture operaria o aplicativo TikTok nos EUA.
Trump e o TikTok: uma relação complicada (que virou amor)
O presidente tem mais de 16 milhões de seguidores em sua conta pessoal no TikTok e atribuiu ao aplicativo o mérito de tê-lo ajudado a vencer a reeleição.
Ele até recebeu um documento do TikTok em 22 de dezembro, destacando sua popularidade no aplicativo, como mostra uma foto publicada este mês pelo jornal The New York Times. A Casa Branca também lançou uma conta oficial do TikTok em agosto.
Ironicamente, foi o próprio Trump quem tentou banir o TikTok em 2020 por questões de segurança nacional. Agora, anos depois, ele se tornou um dos maiores defensores da plataforma — e seu uso político do aplicativo foi crucial para sua campanha.
Como ficam os dados e o algoritmo?
A joint venture irá treinar, testar e atualizar o algoritmo de recomendação de conteúdo do TikTok com base em dados de usuários dos EUA, e o algoritmo será protegido na nuvem da Oracle nos EUA, afirmou o TikTok.
Segundo fontes da Reuters em setembro:
- A joint venture atuará como back-end operacional da empresa americana e será responsável pelos dados dos usuários dos EUA e pelo algoritmo
- Uma divisão separada, totalmente controlada pela ByteDance, controlará as operações comerciais geradoras de receita, como comércio eletrônico e publicidade
- A nova empresa receberá uma parte da receita de seus serviços de tecnologia e dados
Ou seja: a ByteDance ainda vai lucrar com o TikTok nos EUA, mas o controle dos dados e do algoritmo fica com a joint venture americana.
Veredicto Geek
Esse acordo é uma jogada política e financeira gigante. A ByteDance conseguiu manter o TikTok funcionando nos EUA sem perder totalmente o controle da operação — ela ainda vai faturar com publicidade e e-commerce, só não terá mais acesso direto aos dados dos usuários americanos.
Do lado dos EUA, o governo conseguiu o que queria: controle sobre os dados sensíveis e o algoritmo, enquanto mantém o aplicativo funcionando (e evita a revolta de 200 milhões de usuários americanos).
E Trump? Bem, ele saiu dessa como o cara que “salvou o TikTok” — politicamente, é uma vitória enorme, especialmente considerando que ele mesmo foi quem tentou banir o app anos atrás.
Agora é ver como essa joint venture vai funcionar na prática. Mas uma coisa é certa: o TikTok não vai sair tão cedo dos EUA.
Via: CNN Brasil




