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Como Guilherme Benchimol transformou R$15 mil na XP

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Guilherme Benchimol é o cara que transformou R$ 15 mil em uma das maiores corretoras do Brasil. E a história começou de um jeito bem diferente do que você imagina.

Não foi um plano genial desde o começo. Não foi filho de banqueiro. Não herdou nada. Foi um cara que perdeu o emprego e decidiu tentar por conta própria.

E deu certo. Muito certo.

De estagiário a empreendedor por necessidade

Benchimol nasceu no Rio de Janeiro e se formou em economia pela UFRJ. Começou a carreira como estagiário aos 18 anos em uma corretora. Trabalhou em mais duas empresas do ramo depois disso.

Quando foi demitido do terceiro emprego, decidiu que era hora de fazer a própria empresa. Não foi exatamente um plano de vida. Foi mais uma resposta ao desemprego.

Ele conhecia o mercado financeiro. Sabia como corretoras funcionavam. Mas estava desempregado e precisava de dinheiro.

A XP começou como escola de finanças

Em 2001, Benchimol e Marcel Maisonnave fundaram a XP em Porto Alegre. Mas não era corretora. Era uma empresa de educação financeira.

A ideia era simples: brasileiro não investe em ações porque não entende de ações. Se você ensinar, eles investem.

Os dois davam cursos e palestras sobre mercado financeiro. E quem fazia os cursos virava cliente. Era um modelo de negócio que ninguém estava fazendo na época.

Corretoras tradicionais focavam em vender produtos. A XP focava em ensinar primeiro. E vender depois.

Capital inicial? R$ 15 mil. Dois estagiários. Computadores usados. Escritório de menos de 25m².

Os primeiros dez computadores foram comprados usados de uma lan house. Não era equipamento de ponta. Era o que dava pra comprar com o orçamento que tinham.

O escritório era minúsculo. Menos de 25 metros quadrados. Todo mundo apertado. Mas funcionava.

O começo foi brutal

Em 2002, o mercado de ações despencou por causa da alta do dólar. Ninguém queria investir. A XP não conseguia captar clientes.

Benchimol vendeu o próprio carro para manter a empresa funcionando.

Mas eles não desistiram. E em pouco tempo, a XP Educação virou o maior grupo de educação financeira do país.

De educação para corretora

Em 2005, a XP criou o braço de gestão de recursos. Em 2007, incorporou a Americainvest e virou oficialmente uma corretora de valores.

Daí pra frente foi compra atrás de compra:

  • 2011: Interfloat, Senso Corretora e InfoMoney
  • 2012: Prime
  • 2014: Clear
  • 2016: Rico

A cada aquisição, a XP crescia. E crescia rápido.

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O Itaú entrou no jogo

No final de 2017, aconteceu o grande movimento: o Itaú Unibanco comprou 49,9% das ações da XP por mais de R$ 6,3 bilhões.

Para colocar em perspectiva: a empresa que começou com R$ 15 mil foi avaliada em mais de R$ 12 bilhões.

A abertura de capital na Nasdaq

A XP abriu capital na Nasdaq, a bolsa americana. Hoje, a corretora tem:

  • Mais de 1,4 milhão de clientes
  • R$ 260 bilhões sob custódia
  • 1.200 funcionários
  • Operações no Brasil e nos Estados Unidos

O detalhe curioso: a esposa era estagiária

Ana Clara, atual esposa de Benchimol, foi estagiária da XP quando a empresa começou. Ela virou sócia da companhia e, depois disso, começou o relacionamento com ele.

Reconhecimento internacional

Em 2018, Benchimol foi listado pela Bloomberg como uma das 50 pessoas mais influentes do mundo. Único representante da América do Sul na lista.

A estratégia que funcionou

O modelo de negócio da XP era diferente desde o começo. Em vez de tentar vender investimentos diretamente, eles educavam primeiro.

Ensinavam as pessoas a investir. E essas pessoas viravam clientes naturalmente.

Além disso, a XP funcionava como intermediária entre investidores e corretores, conectando os dois lados.

Dava certo porque brasileiro realmente não entendia de investimentos. E quem ensina ganha confiança.

De lan house a bilhões

Os primeiros dez computadores da XP foram comprados usados de uma lan house.

Vinte e poucos anos depois, a empresa vale bilhões de dólares e compete diretamente com os maiores bancos do país.

Benchimol passou de desempregado vendendo o carro para pagar as contas a um dos empresários mais influentes do Brasil.

E tudo começou ensinando gente comum a investir.