FINANÇAS

Metaverso: o futuro que não chegou?

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Você já quis estar em dois lugares ao mesmo tempo? O metaverso não resolve isso — mas chega perto.

Em vez de olhar para uma tela, você entra nela. Cria um personagem que te representa, anda por ambientes virtuais, conversa com outras pessoas, trabalha, compra, vende e participa de eventos. Tudo sem sair do lugar.

É a internet, mas em 3D. E com você dentro.

O que é o metaverso, de verdade

Pense no metaverso como um mundo paralelo que existe dentro dos computadores.

Assim como a internet conecta páginas e informações, o metaverso conecta ambientes e pessoas — mas de forma muito mais imersiva. Você não lê sobre um show. Você vai ao show, representado por um avatar seu, e assiste ao lado de outras pessoas que também estão lá, cada uma na sua casa ao redor do mundo.

A palavra “metaverso” foi inventada em 1992, no romance de ficção científica Snow Crash, do escritor Neal Stephenson. No livro, as pessoas escapavam da realidade entrando num universo virtual chamado Metaverse. Trinta anos depois, a ficção virou produto.

Como funciona na prática

Para entrar no metaverso, você precisa de tecnologia. E aí entram alguns termos que parecem complicados mas são simples.

Realidade virtual (VR): você coloca um óculos especial e é transportado para um ambiente completamente digital. Olha para os lados e vê o mundo virtual. É o nível mais imersivo — você literalmente some da sala onde está.

Realidade aumentada (AR): aqui é diferente. Você continua vendo o mundo real, mas com elementos digitais sobrepostos. Lembra do jogo Pokémon Go, onde monstrinhos apareciam na câmera do celular? É esse o conceito — só que muito mais sofisticado.

Por baixo de tudo isso, há tecnologias que sustentam o funcionamento:

  • Internet rápida para que tudo aconteça em tempo real, sem travar
  • Computação em nuvem para armazenar os ambientes virtuais (eles ficam em servidores gigantes, não no seu aparelho)
  • Blockchain para garantir que bens digitais comprados dentro do metaverso realmente sejam seus — e não desapareçam se a plataforma fechar
  • Inteligência artificial para criar experiências personalizadas e fazer o ambiente parecer mais vivo

Quem inventou o metaverso

Não tem uma pessoa só. É uma cadeia de contribuições que vem de décadas.

Em 1938, o poeta francês Antonin Artaud usou pela primeira vez a expressão “realidade virtual” — referindo-se a um espaço imersivo rico em detalhes. Ele não tinha computador. Tinha imaginação.

Em 1956, o cineasta americano Morton Heilig criou o Sensorama: uma cabine que simulava um passeio de moto por Nova York com vídeo 3D, som, cheiro e uma cadeira que vibrava. Era o metaverso na versão analógica.

Em 2003, a empresa Linden Lab lançou o Second Life — um dos primeiros mundos virtuais em grande escala. As pessoas criavam avatares, compravam terrenos digitais, montavam lojas. Era estranho. Era pioneiro. E era viciante para quem entrava.

Em 2021, Mark Zuckerberg fez uma aposta de US$ 10 bilhões: mudou o nome do Facebook para Meta e declarou que o futuro da empresa era o metaverso. Isso colocou o tema nas manchetes do mundo inteiro.

A aposta não deu muito certo até agora — o produto da Meta ainda engatinha. Mas ajudou a popularizar a conversa.

Para que serve no mundo real

O metaverso não é só entretenimento. Algumas aplicações já existem e funcionam.

Educação: universidades realizam aulas em ambientes virtuais. Estudantes de medicina treinam cirurgias sem precisar de um paciente de verdade. Pilotos treinam em simuladores há décadas — o metaverso é a evolução disso.

Trabalho: reuniões em salas virtuais onde cada participante tem um avatar. Parece videogame, mas elimina o problema de olhar para câmeras e telas congeladas no Zoom.

Saúde: terapias para fobias usando realidade virtual já existem e têm resultados comprovados. Paciente com medo de altura enfrenta o medo num ambiente seguro e controlado.

Entretenimento: shows de artistas em ambientes virtuais, com ingressos digitais e experiências impossíveis no mundo físico. O cantor Travis Scott fez um show dentro do jogo Fortnite com mais de 12 milhões de espectadores simultâneos.

Comércio: lojas virtuais onde você experimenta roupas no seu avatar antes de comprar. Ou onde compra itens que existem só digitalmente — como uma roupa exclusiva para o seu personagem.

Tem dinheiro de verdade nisso?

Tem. E muito.

Dentro dos metaversos existem economias inteiras. As pessoas compram e vendem terrenos virtuais, roupas digitais, obras de arte em formato NFT e até publicidade em outdoors dentro do jogo.

Em 2021, no auge do interesse pelo tema, terrenos em plataformas de metaverso chegaram a ser vendidos por milhões de dólares. O mercado esfriou bastante depois — mas a infraestrutura ficou.

A lógica é a mesma da internet nos anos 90: parecia coisa de nerd. Depois virou shopping, banco e escritório.

O metaverso morreu?

Não. Mas também não explodiu como prometia.

Depois do investimento bilionário da Meta e da euforia de 2021, veio a ressaca. Os óculos são caros, os ambientes ainda parecem toscas demais e a maioria das pessoas não viu motivo suficiente para mudar seus hábitos.

Mas a tecnologia continua avançando. Os óculos da Apple, da Meta e de outras empresas estão ficando menores e mais acessíveis. A inteligência artificial está tornando os ambientes mais realistas. E a geração que cresceu jogando videogame online tem menos resistência a existir em mundos digitais.

O metaverso não chegou do jeito que Zuckerberg prometeu. Mas também não foi embora.

O recado

O metaverso é uma ideia antiga que finalmente tem tecnologia para existir de verdade.

Não vai substituir o mundo físico. Mas pode mudar a forma como trabalhamos, aprendemos, nos divertimos e fazemos negócios — da mesma forma que a internet mudou tudo isso nas últimas três décadas.

A pergunta não é se o metaverso vai existir. É quando vai fazer sentido para a maioria das pessoas.

Por enquanto, ainda estamos na fase em que a maioria olha com curiosidade pela janela. Mas a porta está aberta.

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