A Alemanha, conhecida como a locomotiva econômica da Europa, está passando por um momento complicado. O país registrou o maior número de desempregados em doze anos em 2025, e o Ministério do Trabalho alemão deixou claro nesta quarta-feira (7): 2026 não vai ser fácil.
O número médio de desempregados em 2025 aumentou em 161 mil, chegando a 2,948 milhões — o maior número anual desde 2013. E antes que você pergunte “mas não era pra melhorar?”, a resposta é: calma, vai demorar.
A recuperação vai demorar (e nem vai ser tão forte assim)
Segundo Andrea Nahles, chefe do Ministério do Trabalho, embora o ponto mais baixo da curva provavelmente já tenha sido atingido, uma ligeira melhora não é esperada antes de meados do ano, no mínimo.
“2026 não é um ano de paz, mas sim um ano com desafios consideráveis”, disse Nahles. Ela observou que uma recuperação moderada, apoiada pelos pacotes fiscais do governo e por uma retomada na construção civil, não será suficiente para uma queda significativa no desemprego.
Traduzindo: não adianta esperar milagres. A Alemanha vai precisar de tempo (e muito trabalho) pra sair dessa.
Dezembro trouxe um alívio (mas mínimo)
A boa notícia? O número de desempregados aumentou menos do que o esperado em dezembro. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o número de desempregados subiu em 3.000 em termos ajustados sazonalmente em relação ao mês anterior. Analistas previam um aumento de 5.000.
A taxa de desemprego ajustada sazonalmente permaneceu estável em 6,3%.
Mas não se anime tanto. “O mercado de trabalho continua sem dinamismo econômico”, disse Nahles. “Portanto, a tendência de fraqueza persiste até o final do ano.”
Por que a Alemanha chegou a esse ponto?
A resposta é simples (e triste): a economia alemã está estagnada há mais de cinco anos. Segundo Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, nos últimos quatro anos, o desemprego na Alemanha aumentou em cerca de 500 mil pessoas.
“Essa piora gradual reflete a lógica econômica clássica: com a economia praticamente estagnada por mais de cinco anos e a indústria enfrentando graves desafios estruturais, uma deterioração no mercado de trabalho era inevitável”, disse Brzeski.
Em dezembro, havia 619 mil vagas de emprego registradas no escritório de trabalho — 35 mil a menos do que no ano anterior. Ou seja, não é só o desemprego que subiu; as oportunidades também diminuíram.
A taxa de desemprego em 2025 foi de 6,3%, um aumento em relação aos 6,0% registrados em 2024.
A contradição alemã: desemprego alto, mas falta mão de obra
Aqui é onde a história fica interessante (e confusa). Apesar do aumento do desemprego, a escassez de mão de obra qualificada continua sendo um problema sério na Alemanha. Como isso é possível?
Segundo estimativas do Ministério do Trabalho, o número de trabalhadores disponíveis deverá diminuir em cerca de 40.000 em 2026 devido a fatores demográficos. Ou seja, a população está envelhecendo, e menos pessoas estão entrando no mercado de trabalho.
“O aumento do desemprego não significa que não precisamos de trabalhadores qualificados”, disse Nahles. “Nada, e enfatizo, nada protege melhor contra o desemprego do que boas qualificações.”
Traduzindo: tem desemprego, sim. Mas falta gente qualificada pra preencher as vagas que realmente importam.
Refugiados estão ajudando (mas ainda há desafios)
Andrea Nahles elogiou a integração dos refugiados sírios no mercado de trabalho. Segundo ela, a taxa de integração dos homens sírios é superior à do grupo de comparação alemão. Porém, ainda existe um déficit na integração das mulheres sírias.
A situação entre os refugiados ucranianos também melhorou, com 370.000 ucranianos trabalhando na Alemanha — 79.000 a mais do que há um ano.
Ou seja: a imigração está ajudando a preencher lacunas no mercado de trabalho alemão, mas ainda há muito trabalho a ser feito pra garantir uma integração plena.
O que esperar de 2026?
Segundo Brzeski, a deterioração gradual do mercado de trabalho alemão provavelmente persistirá, complicando claramente qualquer recuperação do consumo privado em 2026.
“A deterioração gradual do mercado de trabalho alemão provavelmente persistirá, complicando claramente qualquer recuperação do consumo privado em 2026”, disse Brzeski.
Ou seja: não espere uma recuperação rápida. A Alemanha vai precisar de paciência, investimentos estratégicos e, claro, mão de obra qualificada pra sair dessa situação.
Via: CNN Brasil


