Se você estava de olho no mercado automotivo esperando o momento certo para trocar de carro, o governo da Argentina acabou de dar um empurrãozinho financeiro vindo de fora. Nesta quarta-feira (1º de julho de 2026), a Casa Rosada anunciou o fim gradual dos chamados DEX (Direitos de Exportação), o polêmico imposto que o país cobrava de suas próprias empresas quando elas vendiam produtos para o exterior.
A medida mexe diretamente com o comércio na América do Sul: o corte atinge em cheio os veículos e bens industriais produzidos em solo argentino. Como o Brasil é o maior comprador dos carros e picapes fabricados pelos nossos vizinhos, a eliminação dessa taxa promete reduzir os custos de importação e baratear esses produtos em território nacional.
O Cronograma do Alívio Fiscal: Alíquotas de Até 4,5% Vão Sumir
Atualmente, a maioria das indústrias argentinas precisa pagar uma alíquota que varia entre 3% e 4,5% para conseguir enviar suas mercadorias para fora do país — um custo fixo que tirava a competitividade das empresas na hora de fechar contratos internacionais.
O plano de desmonte desse imposto foi desenhado em ritmo de descida rápida:
- Início Imediato: Uma série de insumos de base e metais (como aço, alumínio, cobre e zinco), além de produtos químicos e petroquímicos, teve a taxa zerada na hora.
- Transição Automotiva: Carros de passeio, picapes, caminhões, ônibus e autopeças entram em um cronograma de redução progressiva das alíquotas.
- Fim da Linha: A eliminação definitiva e total de todos os impostos de exportação industrial está carimbada para junho de 2027.
O Impacto no Bolso do Consumidor Brasileiro
Para o mercado brasileiro, o anúncio funciona como um desconto indireto na nota fiscal. Modelos famosíssimos e líderes de vendas por aqui — como várias das picapes médias e SUVs que rodam nas nossas ruas — são fabricados exclusivamente nas plantas argentinas de Córdoba e Buenos Aires.
Ao retirar a cobrança dos DEX na saída da alfândega argentina, as montadoras ganham uma margem de manobra financeira preciosa. Em um ano marcado por juros domésticos altos no Brasil (com a Selic projetada pelo Focus em 14%), esse alívio tributário na origem pode ser o diferencial para as marcas segurarem os preços nas concessionárias brasileiras ou até aplicarem descontos agressivos para desovar os estoques.
O Pulo do Gato para o Tabuleiro do Mercosul
Essa decisão aprofunda uma reforma estrutural que o governo argentino iniciou em 2025, quando já havia extinguido as taxas de exportação para as economias regionais (como têxtil e alimentos) e limpado o terreno para 88% dos produtos industriais.
A grande jogada de bastidor do país em 2026 é se posicionar de forma agressiva para o novo cenário global. Com a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e as conversas avançadas com o bloco EFTA (Suíça, Noruega e Islândia), a Argentina quer garantir que suas fábricas consigam exportar para o Velho Continente sem carregar o peso morto de impostos internos na bagagem.
Ao zerar o imposto de exportação, o país abre mão de uma receita imediata de curto prazo no caixa do governo para tentar colher um ganho muito maior no longo prazo: atrair dólares via investimentos estrangeiros, modernizar suas fábricas e gerar empregos reais. Para o investidor e para o motorista brasileiro, a mensagem que vem de Buenos Aires é clara: o comércio no Mercosul acaba de ficar mais barato.



