A Coreia do Sul decidiu atacar um problema clássico da economia com uma solução direta: incentivo fiscal. Com o won apanhando do dólar nos últimos meses, o governo anunciou um pacote de benefícios tributários para trazer dólares de volta ao país, reduzir a volatilidade cambial e estimular investimentos domésticos.
Na prática, Seul está dizendo ao investidor: “traga seu dinheiro de fora que a gente facilita a sua vida”.
Incentivo para vender ações no exterior e investir em casa
Uma das principais medidas mira o investidor pessoa física. O governo vai criar incentivos temporários para quem vender ações no exterior, converter os recursos para won e reinvestir no mercado acionário sul-coreano por um período mínimo.
O atrativo está no imposto: quem fizer esse movimento poderá ter isenção ou redução do imposto sobre ganho de capital. O benefício será escalonado conforme o momento do retorno do dinheiro ao país — quanto antes em 2026, melhor.
O objetivo é simples: aumentar a oferta de dólares no mercado e aliviar a pressão sobre o câmbio.
Hedge cambial com desconto no imposto
Outra novidade envolve proteção cambial, algo ainda pouco acessível ao investidor individual no país. A Coreia do Sul vai introduzir contratos a termo de câmbio voltados para pessoas físicas.
Quem mantiver investimentos no exterior, mas fizer hedge cambial usando esses instrumentos, poderá abater parte disso no cálculo do imposto sobre ganho de capital. A lógica é reduzir o medo da valorização do won e, ao mesmo tempo, organizar melhor o fluxo de dólares.
Em resumo: menos risco cambial, menos imposto e mais previsibilidade.
Empresas também entram no pacote
O governo não esqueceu das grandes empresas. A parcela isenta de imposto sobre dividendos recebidos por empresas-mãe sul-coreanas de subsidiárias no exterior vai subir de 95% para 100%.
Na prática, isso funciona como um convite para a repatriação de lucros. Segundo o Ministério da Economia e Finanças, mesmo uma volta parcial desse dinheiro já teria impacto relevante na liquidez do mercado de câmbio.
Fundo de pensão já entrou em ação
O pacote chega acompanhado de movimentos práticos. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que o Fundo Nacional de Pensões da Coreia do Sul — o terceiro maior do mundo, com US$ 927 bilhões sob gestão — já iniciou operações estratégicas de hedge cambial.
Esse movimento teria sido um dos responsáveis pela recente valorização do won. E, segundo as fontes, a estratégia deve continuar por “um período significativo de tempo”.
Câmbio virou prioridade na Ásia
As medidas da Coreia do Sul seguem uma tendência maior na Ásia: governos estão cada vez menos tolerantes com movimentos bruscos de desvalorização cambial.
O Banco da Coreia (BoK) já vinha alertando sobre o aumento da volatilidade nos mercados financeiros, e agora o país passa a usar, de forma coordenada, instrumentos fiscais, financeiros e macroprudenciais para proteger sua moeda.
Via: CNN Brasil


