A Coreia do Sul não vai aceitar tarifas sobre chips de IA sem negociar.
Um porta-voz do gabinete presidencial deixou isso claro neste domingo: o país vai buscar “termos favoráveis” nas tarifas americanas sobre importações de chips.
A estratégia? Um acordo comercial do ano passado que, segundo o governo sul-coreano, garante que a Coreia não pode receber tratamento pior do que seus principais concorrentes.
O que a Coreia do Sul está alegando
No ano passado, Coreia do Sul e Estados Unidos divulgaram um informativo conjunto sobre o acordo comercial entre os dois países.
Segundo o porta-voz do governo sul-coreano, esse acordo incluía termos que garantiam tratamento igualitário em relação a tarifas sobre chips importados — ou seja, a Coreia do Sul não poderia ser prejudicada em comparação com Taiwan, Japão ou outros grandes produtores.
Agora, com Trump anunciando tarifas sobre chips de IA, a Coreia do Sul está usando esse compromisso para exigir isenção ou, no mínimo, condições equivalentes às de seus concorrentes.
Por que a Coreia do Sul tem poder de barganha
A Coreia do Sul não é um player qualquer no mercado de semicondutores. É um dos pilares da cadeia global de chips.
Samsung Electronics e SK Hynix estão entre os maiores produtores de chips de memória do mundo. Esses chips são essenciais para sistemas de IA, data centers, smartphones e praticamente qualquer dispositivo que processe grandes volumes de dados.
Sem Samsung e SK Hynix, a cadeia de suprimentos de chips de memória entra em colapso. E os Estados Unidos sabem disso.
Isso dá à Coreia do Sul uma vantagem na negociação. Trump pode ameaçar tarifas, mas aplicar essas tarifas sem exceções pode prejudicar empresas americanas que dependem de chips sul-coreanos.
O governo sul-coreano está otimista
O ministro do comércio da Coreia do Sul disse no sábado que as tarifas americanas sobre chips de computação avançada teriam “impacto limitado” sobre empresas sul-coreanas.
Essa declaração pode significar duas coisas:
Primeiro: O governo acredita que vai conseguir negociar uma isenção ou condições favoráveis.
Segundo: Mesmo que as tarifas sejam aplicadas, o impacto será absorvido porque a demanda por chips de memória é tão alta que os compradores americanos vão pagar de qualquer forma.
Provavelmente, é uma combinação dos dois.
O que está em jogo para os EUA
Se Trump aplicar tarifas sobre chips sul-coreanos sem isenções, três coisas acontecem:
Empresas americanas de tecnologia pagam mais caro por chips de memória essenciais para IA, data centers e eletrônicos.
Fabricantes de chips americanos perdem competitividade, porque seus custos de produção sobem enquanto concorrentes de outros países continuam comprando chips sul-coreanos sem tarifa.
A relação comercial com um dos principais aliados asiáticos dos EUA fica tensa — justamente em um momento em que os Estados Unidos precisam da Coreia do Sul como contrapeso à China.
O que vem por aí
A Coreia do Sul vai para a mesa de negociação com um argumento claro: o acordo comercial do ano passado garante tratamento igualitário. Se Taiwan não paga tarifa, a Coreia também não deveria pagar.
Trump pode aceitar isso e conceder isenção. Ou pode insistir nas tarifas e arriscar uma briga comercial com um aliado estratégico que fornece componentes críticos para a cadeia de IA americana.
A aposta do governo sul-coreano é que, no fim das contas, a dependência americana de chips de memória vai falar mais alto do que a vontade de aplicar tarifas.
E, pelo tom confiante das declarações, parece que eles acreditam estar certos.
Via: Infomoney




