INTERNACIONAL

Mercedes paga acordo de US$ 149 milhões para encerrar Dieselgate

A Mercedes-Benz acabou de fechar um acordo de US$ 149,6 milhões (cerca de R$ 793 milhões) com 48 estados americanos, Porto Rico e o Distrito de Columbia pra encerrar uma investigação sobre fraude nas emissões de diesel.

Traduzindo: a montadora alemã trapaceou nos testes de poluição, escondeu o quanto seus carros poluíam de verdade, e agora vai pagar a conta.

E tem mais: se você é um dos donos dos 39.565 veículos afetados nos EUA, pode receber US$ 2 mil de indenização — desde que tenha feito o reparo obrigatório.

Bem-vindo ao capítulo mais recente do Dieselgate, o escândalo que não acaba nunca.

O que a Mercedes fez de errado?

Segundo a investigação dos estados americanos, a Mercedes instalou softwares ilegais (os chamados “defeat devices” — dispositivos de trapaça) em veículos a diesel.

Esses softwares faziam o seguinte:

Durante testes de emissões governamentais: reduziam artificialmente a poluição pra passar nos limites legais
Durante direção normal: os carros emitiam até 30 ou 40 vezes mais poluição do que o permitido

É tipo fazer prova de vestibular com cola escondida, passar, e depois não saber nada na faculdade.

Só que aqui, em vez de reprovar, você polui o ar que todo mundo respira.

Dieselgate: a fraude que começou com a Volkswagen

O Dieselgate estourou em setembro de 2015, quando a Volkswagen foi pega instalando softwares pra trapacear em testes de emissões.

Desde então:

A VW pagou mais de US$ 20 bilhões em multas, acordos e indenizações
11 milhões de veículos no mundo todo foram afetados
Outras montadoras foram investigadas e também pegas — incluindo Mercedes, Audi, Porsche, BMW, Fiat Chrysler

E quase 10 anos depois, o escândalo ainda não acabou.

A Mercedes, especificamente, já tinha pago US$ 2,2 bilhões em 2020 pra resolver uma investigação federal nos EUA.

Agora, tá pagando mais US$ 149,6 milhões pros estados.

Como funciona o acordo?

Vamos aos números:

US$ 149,6 milhões no total
US$ 120 milhões pagos imediatamente aos estados
US$ 29,6 milhões suspensos — só pagos se a Mercedes não reparar os carros

Além disso, a montadora vai:

Pagar US$ 2 mil pra cada dono de carro afetado que fez o reparo
Instalar software de correção em todos os veículos afetados (sem custo pro dono)
Oferecer garantia estendida pros carros reparados
Recomprar ou retirar do mercado os carros que não podem ser reparados

E ainda vai ter que adotar medidas de supervisão pra garantir que não faça mais trapaça no futuro.

Mercedes diz que “lucros não serão afetados”

Um porta-voz da Mercedes afirmou que “os lucros financeiros do grupo não serão afetados” e que “uma provisão suficiente foi feita para os custos do acordo total”.

Traduzindo do corporatês: “A gente já sabia que ia ter que pagar, então já separamos o dinheiro”.

Ou seja: a Mercedes já esperava esse acordo e já contabilizou o prejuízo.

Pra uma empresa que vale centenas de bilhões, US$ 149 milhões é chato, mas não é desastroso.

É tipo receber uma multa de trânsito de R$ 200 quando você ganha R$ 20 mil por mês. Dói? Dói. Mas não quebra.

Se você tem um carro afetado, pode ganhar US$ 2 mil

Se você mora nos EUA e tem (ou tinha) um dos 39.565 veículos afetados, pode receber US$ 2 mil — desde que:

Tenha feito o reparo de emissões obrigatório
O carro ainda esteja em circulação (ou tenha sido retirado oficialmente do mercado)
Você seja o dono ou locatário do veículo

Os detalhes ainda vão ser finalizados no tribunal, mas a expectativa é que os pagamentos comecem em breve.

É tipo aquele dinheiro extra que aparece quando você menos espera — e que você nem sabia que tinha direito.

A Inglaterra também tá processando

Como se não bastasse o acordo nos EUA, a Mercedes também enfrenta um processo coletivo na Inglaterra, iniciado em outubro.

Outras montadoras também tão na mira:

Ford
Nissan
Renault

Ou seja: o Dieselgate tá longe de acabar na Europa.

E considerando que a União Europeia é super rigorosa com emissões, é provável que mais acordos (e multas) venham por aí.

Por que as montadoras fizeram isso?

A resposta curta: dinheiro.

Criar motores diesel que sejam potentes, econômicos E limpos é difícil e caro.

Então, em vez de investir bilhões em tecnologia pra cumprir as leis ambientais, algumas montadoras decidiram trapacear.

Instalaram softwares pra enganar os testes e fingiram que os carros eram limpos.

Funcionou? Por um tempo, sim.

Mas quando o escândalo estourou, o custo da trapaça acabou sendo muito maior do que teria sido fazer a coisa certa desde o início.

A VW já pagou mais de US$ 20 bilhões. A Mercedes, somando todos os acordos, já passou de US$ 2,3 bilhões.

Via: Reuters