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Petróleo chega a U$ 119 por barril, após ataques do Irã no Oriente Médio

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O barril de petróleo tipo Brent chegou a US$ 119 nesta quinta-feira (19) — o nível mais alto em mais de uma semana — depois que o Irã atacou instalações energéticas em vários países do Oriente Médio.

A retaliação foi direta: Israel atacou o campo de gás de South Pars, no Irã. O Irã respondeu atacando infraestrutura energética na região.

Quando países trocam ataques em campos de petróleo e gás, o mercado tem uma reação previsível: compra o que pode antes que suma.

Os números do dia

Por volta das 13h20 (horário de Brasília), o Brent estava em US$ 110 por barril, alta de 2,92% — depois de ter chegado na máxima da sessão a US$ 119,10.

O WTI — o petróleo americano — subia 2,95%, para US$ 98 por barril, depois de ter tocado US$ 100,02.

Dois marcos em um dia: o Brent no nível mais alto desde 9 de março e o WTI cruzando brevemente a barreira psicológica dos US$ 100.

Por que o Brent subiu mais que o WTI

Existe uma diferença crescente entre os dois preços — e ela diz algo importante sobre o que está acontecendo.

O WTI é o petróleo americano, negociado com base na oferta e demanda dos EUA. O Brent é a referência global, mais ligada ao que acontece nas rotas de transporte marítimo internacional.

O WTI está sendo negociado com seu maior desconto em relação ao Brent em 11 anos. Dois motivos:

1. Os EUA liberaram reservas estratégicas. Quando o governo americano abre o estoque de emergência, coloca mais petróleo no mercado doméstico — o que pressiona o preço interno para baixo.

2. O frete marítimo ficou mais caro. Com o conflito no Oriente Médio ameaçando rotas, transportar petróleo pelo mundo ficou mais arriscado e mais caro. Isso afeta o Brent mais do que o WTI, que depende menos de rotas marítimas longas.

Em resumo: os EUA conseguiram segurar um pouco o próprio preço com as reservas estratégicas. O resto do mundo não tem essa válvula de escape.

O que mudou com os ataques desta semana

Até agora, o conflito entre EUA, Israel e Irã havia impactado principalmente as rotas marítimas — a ameaça ao Estreito de Ormuz, navios desviando, custos de seguro subindo.

Os ataques desta semana cruzaram uma linha diferente: foram diretos à infraestrutura de produção.

Israel atacou South Pars — o maior campo de gás do mundo, operado pelo Irã. O Irã respondeu atacando instalações energéticas em outros países da região.

Quando campos de produção são atacados, o problema não é mais de logística. É de oferta real. Petróleo que não é extraído não pode ser transportado — independente de quantos navios estejam disponíveis.

“A escalada no Oriente Médio, os ataques à infraestrutura de petróleo e a morte da liderança iraniana apontam para uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo”, disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.

A palavra que importa ali é prolongada. Não é um pico de um dia. É o mercado precificando que esse problema vai durar.

O que vem por aí

O cenário piorou em relação ao que havia há duas semanas. Antes, o risco era de bloqueio do Estreito de Ormuz — algo grave, mas reversível se um acordo fosse fechado. Agora, há danos físicos reais a infraestrutura de produção.

Reparar um campo de gás atacado demora meses. Reconstruir confiança numa rota de navegação demora semanas. São escalas de tempo diferentes — e o mercado está começando a precificar a mais longa.

Se o Brent se estabilizar acima de US$ 110 de forma consistente, o impacto inflacionário se torna estrutural. Não é mais um choque passageiro. É um novo patamar de custo que atravessa toda a economia — do frete ao alimento, do combustível à conta de luz.

Para o Brasil, a Petrobras acabou de anunciar seu primeiro reajuste do diesel em meses. Se o petróleo continuar nesse patamar — ou subir mais —, esse reajuste não vai ser o último.

O recado

O conflito cruzou uma fronteira importante: saiu das rotas marítimas e chegou nas instalações de produção.

Isso muda a natureza do choque. Rota bloqueada abre quando a diplomacia avança. Campo de gás destruído precisa de tempo, dinheiro e engenharia para voltar.

O mercado de petróleo está agora precificando não só o risco de interrupção — mas a duração dela.

US$ 119 não foi o teto. Foi um aviso.

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