A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas “recíprocas” de Trump na sexta-feira (20).
Menos de 24 horas depois, Trump anunciou uma nova tarifa global de 15%.
Ou seja: a vitória durou um dia.
O que aconteceu
Na sexta, a Suprema Corte decidiu que o presidente não podia usar uma lei de emergência pra aplicar tarifas amplas sobre praticamente todos os países.
Com isso, caíram as tarifas “recíprocas”, que começaram em 10% em abril de 2025 e chegaram a percentuais mais altos pra alguns países. O Brasil chegou a ter sobretaxa adicional de 40% sobre vários produtos.
No mesmo dia, a Casa Branca anunciou nova tarifa global de 10%. No sábado, aumentou pra 15%.
Essa nova tarifa começa a valer às 2h01 (horário de Brasília) desta terça-feira (24) e pode durar até 150 dias, salvo prorrogação pelo Congresso.
Como o Brasil é afetado agora
O Brasil está entre os países atingidos pela nova tarifa de 15%.
Na prática, funciona assim: mantém a alíquota normal de cada produto e soma 15% em cima.
Mas não vale pra tudo. Produtos que já têm cobrança por motivos de segurança nacional seguem regras próprias. Alguns bens agrícolas e minerais estratégicos também ficaram de fora.
O que continua valendo pro Brasil
As tarifas aplicadas por razões de segurança nacional não foram afetadas pela decisão da Corte.
A situação atual:
Aço: 50%
Alumínio: 50%
Peças de cobre: 50%
Madeira: 10%
Demais produtos: 15% adicional
Ainda não está claro se a tarifa de 15% será aplicada sobre produtos que já têm tarifa específica (tipo aço e alumínio). Em 2025, às vezes era somada, às vezes não, dependendo de negociações.
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O histórico das tarifas sobre o Brasil
Abril de 2025: Brasil passou a pagar 10% de tarifa ampla
Junho: Aço e alumínio subiram pra 50%
Julho: Alguns produtos sofreram aumento adicional de 40%, elevando a carga total pra até 50% em certos casos
Novembro: Após negociações, parte dessas sobretaxas foi retirada
Sexta-feira (20): Suprema Corte anulou tarifas baseadas em lei de emergência. Caíram taxa geral de 10% e sobretaxa de 40%
Sábado (21): Trump anuncia nova tarifa global de 15%
O Brasil está melhor ou pior?
Segundo levantamento da Global Trade Alert, o Brasil aparece entre os países com maior redução na tarifa média após a mudança.
A queda estimada é de 13,6 pontos percentuais na tarifa média, considerando o pico do tarifaço em 2025 e o novo arranjo com 15%.
Ou seja: apesar da nova sobretaxa, o nível médio de cobrança sobre produtos brasileiros ficou abaixo do pico de 2025, quando parte das exportações enfrentou alíquotas de até 50%.
Leonardo Costa, economista do ASA, resume: “A decisão é marginalmente positiva para Brasil.”
Mas ele faz uma ressalva importante: “Contudo, o aumento da incerteza com o comércio global tende a diminuir os benefícios que se colheria dessa redução de cobrança de tarifa.”
Os riscos que continuam
Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, aponta que no curto prazo a decisão é positiva pro Brasil (via câmbio e bolsa).
Mas alerta: “Há riscos em nossas relações com a China, e aqui reside o risco estratégico para o Brasil.”
Por quê? Porque sob o regime de tarifas agressivas, a China frequentemente redirecionava excedentes de produção pro Brasil. Isso gerava pressões desinflacionárias (bom), mas prejudicava a indústria nacional (ruim).
O que vem por aí
A nova tarifa de 15% pode durar até 150 dias.
Mas o governo americano já indicou que pode usar outros instrumentos legais pra criar novas tarifas.
Ou seja: Trump perdeu uma ferramenta (lei de emergência), mas tem outras no arsenal.
O recado
A Suprema Corte derrubou as tarifas de Trump. Mas Trump simplesmente criou outras usando base legal diferente.
O Brasil saiu melhor que antes? Sim, na média.
Mas a incerteza continua alta. E incerteza alta é ruim pra comércio, investimentos e planejamento de empresas.
Por enquanto, o Brasil está melhor que em 2025. Mas nada garante que vai continuar assim.




