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Aena “boleta” Aeroporto do Galeão por R$2,9 bilhões

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O grupo espanhol Aena venceu o leilão do aeroporto internacional Galeão nesta segunda-feira com um lance de R$ 2,9 bilhões — 211% acima do mínimo exigido no edital, que era de R$ 932,8 milhões.

A disputa foi acirrada. A Zurich Airport travou uma intensa batalha de lances viva-voz com a Aena, com ofertas que começaram em R$ 1,5 bilhão e foram escalando. No final, os espanhóis levaram.

O que mudou com o leilão

O Galeão já era parcialmente privado desde 2013, quando foi concedido pela primeira vez no governo Dilma Rousseff — numa época em que o grupo vencedor pagou R$ 19 bilhões pela concessão. Valor bem diferente do de agora.

Com a nova concessão, a estatal Infraero deixa de ter os 49% que ainda detinha no terminal. O aeroporto passa a ser integralmente privado.

A atual administradora, a RIOgaleão — formada pela Changi Airport de Cingapura e pela francesa Vinci — tinha 51% do aeroporto e participou do leilão. Perdeu.

Agora a Aena assume o controle total.

Quem é a Aena

A Aena não é estreante no Brasil. Em 2022, a empresa espanhola venceu o leilão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo — num pacote com outros 10 aeroportos pelo qual pagou R$ 2,45 bilhões.

Com o Galeão, a Aena passa a administrar o segundo e o terceiro aeroportos mais movimentados do Brasil. Só perde para Guarulhos, que lidera o ranking nacional.

É uma posição estratégica relevante: controlar os dois principais portões aéreos de São Paulo e Rio de Janeiro dá à empresa uma presença no eixo mais movimentado do país.

Os números do Galeão

O aeroporto terminou 2025 com recorde de quase 18 milhões de passageiros — alta de 22,8% sobre 2024, quando passaram 14,5 milhões de viajantes.

O faturamento da RIOgaleão em 2024 foi de R$ 1,14 bilhão, crescimento de 37,4% em relação ao ano anterior.

São números que justificam a disputa acirrada no leilão. O Galeão está crescendo.

Mas tem um dado que torna a aposta ainda mais interessante — e arriscada ao mesmo tempo.

O aeroporto que está pela metade

O Galeão tem capacidade para mais de 37 milhões de passageiros por ano. Em 2025, recebeu 17,8 milhões.

Está operando com menos de metade da capacidade.

Para a Aena, essa ociosidade é uma oportunidade enorme: o aeroporto pode dobrar o movimento sem precisar de grandes obras de expansão. Se o turismo no Rio crescer, se novas rotas internacionais forem abertas, se o mercado doméstico continuar aquecido, o Galeão tem espaço físico para absorver tudo isso.

A aposta de R$ 2,9 bilhões é, em parte, uma aposta de que esse espaço vai ser preenchido.

Se não for — se o crescimento estagnar e o aeroporto continuar operando pela metade — a conta fica difícil de fechar.

O que a Aena vai pagar daqui para frente

Além dos R$ 2,9 bilhões do lance inicial, a Aena vai pagar à União uma contribuição variável anual de 20% do faturamento bruto da concessão até 2039.

Com o faturamento atual de R$ 1,14 bilhão por ano, isso significa cerca de R$ 228 milhões anuais só em outorga variável — fora os investimentos em manutenção e melhoria do terminal.

É uma conta pesada. Mas se o Galeão continuar crescendo no ritmo dos últimos anos, o faturamento cresce junto — e a aposta começa a fazer sentido.

O que a privatização muda para o passageiro

Na teoria, mais investimento privado significa melhor infraestrutura, mais eficiência operacional e experiência de viagem melhor.

Na prática, depende muito de quem opera. A Aena tem histórico positivo em Congonhas — um dos aeroportos mais desafiadores do Brasil pela limitação de espaço e volume de operações. O Galeão tem o desafio oposto: muito espaço, mas ainda pouco movimento.

A qualidade da operação vai definir se o aeroporto consegue atrair as rotas e companhias que preencheriam essa capacidade ociosa.

O recado

A Aena pagou 211% acima do mínimo por um aeroporto que opera com menos de metade da capacidade.

É uma aposta no potencial do Rio de Janeiro como destino — e na capacidade da empresa de transformar ociosidade em movimento.

Se o turismo no Rio cresce, se o Brasil atrai mais voos internacionais e se a infraestrutura do Galeão melhorar, a aposta paga. Se o crescimento travar, R$ 2,9 bilhões é muito dinheiro por um aeroporto que não enche.

O Rio ganhou um novo dono para o Galeão. Agora precisa dar motivo para os aviões pousarem lá.

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