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Amazon anuncia entrega rápida de 15 minutos

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A Amazon quer entregar sua compra antes de você terminar de decidir o que jantar.

O Amazon Now, lançado nesta terça-feira (3), promete entregar produtos de mercearia em até 15 minutos. É a entrada da empresa no segmento de entregas ultrarrápidas no Brasil — e, pela primeira vez, com alimentos frescos e congelados no carrinho.

A corrida pelo seu estômago acabou de ganhar um novo competidor. E esse tem bolso fundo.

Como funciona

O serviço começa a ser disponibilizado de forma gradual até 9 de março em bairros elegíveis de oito cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte.

Os pedidos podem ser feitos pelo site ou pelo aplicativo Amazon Shopping. Para membros Prime, o frete é gratuito em compras a partir de R$ 15. Para os demais, a gratuidade começa nos R$ 60. Fora isso, a taxa é de R$ 5,49 por pedido.

Como promoção de lançamento, todos os pedidos estão isentos de taxa de serviço. A Amazon está, essencialmente, pagando pra você experimentar. Aproveite enquanto dura.

Há ainda a opção de adicionar gorjeta — e o valor vai inteiro pro entregador. Que vai ter que ser muito rápido.

Por que a Amazon consegue fazer isso

Não é mágica. É logística.

A Amazon soma hoje mais de 250 centros logísticos no Brasil — sendo 100 inaugurados apenas em 2025. É essa malha que permite prometer 15 minutos com alguma credibilidade.

Em 2025, a empresa afirma ter entregado mais de 50 bilhões de itens no mesmo dia ou no dia seguinte para membros Prime no mundo. O Amazon Now é a evolução natural dessa obsessão por velocidade: se o mesmo dia já era pouco, agora são 15 minutos.

A infraestrutura foi construída ao longo de anos. O Amazon Now é só o produto mais visível dela.

O que muda com a entrada da Amazon

Até agora, a briga pelas entregas ultrarrápidas de mercado no Brasil era travada por iFood, Rappi, Mercado Livre e redes de supermercados com apps próprios.

A Amazon chega com algumas vantagens que os concorrentes não têm na mesma escala: base de clientes Prime já fidelizada, infraestrutura logística consolidada, capacidade de subsidiar o serviço por tempo indeterminado e uma marca que o brasileiro já associa à confiança na entrega.

A desvantagem? Está chegando depois. O iFood e o Rappi já têm anos de operação nesse segmento, parcerias com supermercados e hábito instalado no consumidor.

Mas a Amazon não costuma entrar em mercados para ficar em segundo lugar.

O que a Amazon está de olho

O varejo alimentar brasileiro movimenta centenas de bilhões de reais por ano. E é um dos setores que mais resistiu à digitalização — a maior parte das compras de supermercado ainda acontece na loja física.

A Amazon enxerga nisso uma oportunidade. O Amazon Now não é só um serviço de entrega rápida. É uma porta de entrada para o mercado de alimentos — um segmento que a empresa nunca havia tocado no Brasil.

“Introduzimos, pela primeira vez no país, categorias inteiramente novas — alimentos frescos e congelados — que transformam a forma como os brasileiros podem fazer suas compras urgentes de mercearia”, disse Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.

Traduzindo: a Amazon quer ser o lugar onde você resolve a falta de leite às 22h, o jantar esquecido e o café que acabou na segunda de manhã. Tudo em 15 minutos.

Os riscos do modelo

Prometer 15 minutos é fácil. Cumprir é outra história.

Esse tipo de serviço depende de uma rede densa de mini-centros de distribuição espalhados pelos bairros — os chamados dark stores. É uma operação cara, complexa e que exige volume alto para ser viável.

A expansão será gradual, tanto em cobertura geográfica quanto em variedade de produtos. Ou seja: por enquanto, não é para todo mundo.

Se a cobertura demorar para se expandir ou se os 15 minutos virarem 40 na prática, a promessa vira problema. No delivery, a expectativa frustrada é punida rápido — o consumidor migra de app com a mesma velocidade que a entrega deveria chegar.

O que vem por aí

A Amazon vai expandir o serviço com base na demanda e nas preferências dos consumidores. A estratégia é a de sempre: começar pequeno, aprender rápido e escalar.

O mercado de conveniência no Brasil está crescendo. O brasileiro está cada vez mais disposto a pagar por tempo. E a Amazon está apostando que, quando o assunto é velocidade, 15 minutos é o novo padrão.

O recado

A Amazon não lançou um serviço de delivery. Lançou uma declaração de guerra ao varejo alimentar brasileiro.

Com infraestrutura pronta, base de clientes fidelizada e capacidade de operar no prejuízo por quanto tempo for necessário, a empresa tem tudo para bagunçar um mercado que ainda está se consolidando.

A pergunta não é se o Amazon Now vai crescer. É quanto tempo os concorrentes têm antes de sentir o peso disso no próprio faturamento.

Quinze minutos. É o tempo que a Amazon promete entregar sua compra. E talvez também o tempo que o mercado de delivery tem para se preocupar de verdade.

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