A Ambev (ABEV3) encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 4,53 bilhões, queda de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira. O resultado reflete um cenário de volumes mais fracos, compensado parcialmente por crescimento de receita e resiliência de margens.
A receita líquida cresceu organicamente 4,8%, alcançando R$ 24,81 bilhões, enquanto o volume caiu 3,6% na mesma base de comparação. Ainda assim, os números vieram levemente acima das expectativas do mercado.
Analistas consultados pela LSEG projetavam receita líquida de R$ 24,585 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 8,47 bilhões.
Ebitda cai, mas margem permanece estável
O Ebitda ajustado da companhia somou R$ 8,85 bilhões, recuo de 8,0% na comparação anual. Apesar da queda nominal, a margem Ebitda se manteve praticamente estável, passando de 35,6% para 35,7%.
O dado reforça a capacidade da Ambev de proteger rentabilidade mesmo em um ambiente mais pressionado por custos e menor volume, especialmente no mercado brasileiro de cervejas.
A dinâmica do trimestre mostra um padrão recorrente nos resultados recentes da companhia: menos volume, mais preço, mix e eficiência operacional.
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Premium segue como motor de crescimento
O principal destaque positivo veio do segmento premium, que cresceu 17% no trimestre. Marcas como Stella Artois, Spaten e Corona seguem puxando a expansão da categoria e sustentando o posicionamento de valor da companhia.
A Ambev manteve a liderança no segmento premium, posição conquistada no terceiro trimestre e reforçada agora no fim do ano. O desempenho indica que a estratégia de premiumização continua funcionando, mesmo em um cenário de consumo mais seletivo.
Para o mercado, o crescimento dessa divisão é fundamental para compensar a desaceleração em categorias mais sensíveis a preço.
Pressão de custos no radar para 2026
Olhando à frente, a companhia alertou para um ambiente de custos mais desafiador. A Ambev estima que o custo dos produtos vendidos (CPV) por hectolitro, excluindo depreciação e amortização, para o negócio de cerveja no Brasil deve crescer entre 4,5% e 7,5% em 2026.
Os principais vetores de pressão são:
- Alta das commodities, especialmente o alumínio
- Mudanças no mix de portfólio, com maior peso de produtos premium
Ainda assim, a empresa manteve um discurso confiante sobre sua capacidade de navegar esse cenário.
“Seguimos confiantes em relação à categoria de cerveja”, afirmou a companhia no relatório.
Segundo a Ambev, a força do portfólio e o desempenho das inovações sustentam uma visão positiva para o médio e longo prazo.
Estratégia segue focada em valor, não volume
A mensagem central do balanço é clara: a Ambev está menos preocupada em vender mais litros e mais focada em capturar valor por hectolitro. A empresa aposta na expansão da base de consumidores premium e no aumento das ocasiões de consumo, em vez de uma guerra de preços.
“A força contínua do nosso portfólio e o sucesso das nossas inovações reforçam nossa visão positiva de que existem oportunidades relevantes para expandir a categoria”, afirmou a companhia.
Para o investidor, o balanço não traz grandes surpresas, mas confirma o perfil defensivo da Ambev: margens sólidas, marcas fortes e capacidade de atravessar ciclos adversos com relativa previsibilidade.
O desafio segue sendo acelerar volumes sem comprometer rentabilidade. Por enquanto, o mercado parece disposto a aceitar menos crescimento em troca de mais consistência.
Via: Infomoney




