O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$ 2 bilhões em debêntures pra Rumo concluir a primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT).
E antes que você pergunte “ferrovia? quem liga?”, saiba que essa obra é crucial pro agronegócio brasileiro — que, por sua vez, é crucial pra economia do país.
Traduzindo: essa ferrovia vai ajudar a transportar soja e milho de uma das maiores regiões produtoras do Brasil de forma mais barata e eficiente.
E isso importa? Muito. Bora entender por quê.
O que é essa ferrovia?
A Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT) é um projeto gigante que vai ligar:
Rondonópolis (sul do MT)
Lucas do Rio Verde (norte do MT)
Cuiabá (capital, via ramal adicional)
A obra toda vai ter 743 km de trilhos, divididos em cinco fases.
A primeira fase, que tá recebendo os R$ 2 bilhões agora, vai de:
Rondonópolis até o terminal da BR-070, em Dom Aquino
162 km de extensão
Previsão de conclusão: segundo semestre de 2026
Ou seja: daqui a 2 anos, a primeira etapa tá pronta.
Por que isso importa?
Mato Grosso é o maior produtor de soja e milho do Brasil.
E o Brasil é o maior exportador de soja do mundo.
Então, quando você melhora a logística de Mato Grosso, você melhora a competitividade de boa parte do agronegócio brasileiro.
O problema atual: caminhões demais
Hoje, quase tudo que sai de Mato Grosso vai de caminhão.
E caminhão:
É caro (combustível, pedágio, manutenção)
É lento (trânsito, estradas ruins)
Polui muito mais que trem
Estraga as rodovias (que já são ruins)
Resultado? O custo de transporte no Brasil é absurdo.
A solução: ferrovia
Trem é:
Mais barato por tonelada transportada
Mais rápido em longas distâncias
Menos poluente
Não depende de estradas asfaltadas
Segundo o BNDES, a FMT vai:
Capturar uma parcela expressiva do transporte de grãos da região
Ampliar a capacidade de escoamento da produção agroindustrial do estado
Integrar os modos rodoviário e ferroviário (o famoso “modal misto”)
O terminal da BR-070: hub logístico
Parte do projeto inclui um novo terminal próximo à BR-070, em Dom Aquino.
Esse terminal vai funcionar como um “ponto de transbordo”: os caminhões trazem a carga das fazendas, despejam no terminal, e de lá o trem leva tudo pro porto.
Capacidade: até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.
Pra você ter noção: isso é muita soja.
Quem tá por trás? A Rumo
A Rumo é uma das maiores empresas de logística ferroviária do Brasil.
Ela já opera:
Malha Oeste (Mato Grosso do Sul até o Porto de Santos)
Malha Norte (Rondonópolis até o Porto de Santos)
Malha Paulista (interior de São Paulo)
Basicamente, a Rumo domina o transporte ferroviário de grãos no Brasil.
E agora, com a FMT, ela vai ampliar ainda mais sua presença em Mato Grosso.
Por que o BNDES tá bancando isso?
O BNDES é o banco de desenvolvimento do governo federal.
Ele financia projetos de infraestrutura que são estratégicos pro país, mas que empresas privadas sozinhas teriam dificuldade de bancar (porque o retorno demora).
No caso da FMT:
É um projeto de longo prazo (743 km de ferrovia não se constrói em 1 ano)
Tem impacto nacional (melhora a competitividade do agronegócio)
Reduz custos logísticos (o que beneficia todo mundo, do produtor ao consumidor)
Então, faz sentido o BNDES entrar com R$ 2 bilhões agora pra viabilizar a primeira etapa.
Quando fica pronta?
A primeira fase (Rondonópolis – Dom Aquino) deve ficar pronta no segundo semestre de 2026.
As outras quatro fases ainda não têm cronograma oficial, mas o projeto completo deve levar vários anos pra ser concluído.
Ferrovia não é obra rápida. Mas quando fica pronta, funciona por décadas.
O impacto no bolso
Você pode estar pensando: “Legal, mas isso muda o quê pra mim?”
Resposta curta: não diretamente. Mas indiretamente, sim.
Quando o custo de transporte cai:
O preço final dos produtos pode cair também (ou subir menos)
O agronegócio brasileiro fica mais competitivo no mercado internacional
Mais exportações = mais dólares entrando no Brasil = economia mais forte
Então, mesmo que você more em São Paulo ou no Rio e nunca vá a Mato Grosso, essa ferrovia afeta você.
Porque o que acontece no agro afeta o Brasil inteiro.
Via: CNN Brasil




