NEGÓCIOS

FedEx entra no jogo dos armários e compra a InPost

A FedEx resolveu que entregar encomenda só na porta já não basta. Em movimento estratégico, um consórcio liderado pela gigante americana e por investidores da InPost acertou a compra da empresa europeia de armários para encomendas por 7,8 bilhões de euros (cerca de US$ 9,2 bilhões). O anúncio foi feito nesta segunda-feira (9) e mexeu com o mercado.

A lógica é simples: a InPost amplia seu alcance pela Europa e a FedEx ganha acesso a uma das maiores redes de lockers do continente. Todo mundo sai com pacote na mão.

Quanto custou a brincadeira

O preço da oferta ficou em 15,60 euros por ação, abaixo do valor do IPO da InPost em 2021, quando os papéis saíram a 16 euros. Ou seja, quem entrou na abertura não fez exatamente um golaço, mas também não ficou totalmente no prejuízo.

Mesmo assim, o mercado reagiu bem. As ações listadas em Amsterdã abriram o dia em alta de 14%, atingindo o maior nível desde maio de 2025. Sinal de que, pelo menos agora, o mercado voltou a acreditar no modelo.

O que está por trás do acordo

Segundo Hein Pretorius, presidente do conselho de supervisão da InPost, a ideia não é misturar tudo num grande balaio logístico. FedEx e InPost não vão integrar operações e seguirão como concorrentes independentes.

O plano é mais pragmático: firmar acordos de comercialização para que cada uma explore seus pontos fortes. A InPost entra com a capilaridade dos armários. A FedEx traz escala global, volume e músculo financeiro. Uma parceria sem casamento, mas com benefícios mútuos.

Em outras palavras: cada um cuida do seu negócio, mas usando o mesmo elevador.

Por que os armários viraram peça-chave

A InPost opera em nove países, com destaque para a Polônia, seu mercado doméstico. A empresa construiu uma das maiores redes de máquinas automáticas de entrega da Europa, aproveitando uma mudança clara no comportamento do consumidor.

Lockers reduzem custos de última milha, evitam entregas frustradas e dão mais flexibilidade ao cliente. Para empresas de logística, isso significa eficiência. Para o consumidor, menos dor de cabeça. Para a FedEx, é uma porta de entrada rápida em um modelo que já está pronto.

Nem tudo foi fácil desde o IPO

Desde que abriu capital em 2021, a InPost conviveu com uma confiança apenas morna do mercado. A concorrência aumentou, especialmente na Polônia, e os investimentos pesados para expansão pela Europa pressionaram os lucros.

Cresceu, mas gastou bastante no caminho. Resultado: crescimento de receita sem a mesma empolgação no lucro. Isso ajuda a explicar por que o preço atual da oferta ainda fica abaixo do valor do IPO.

No mês passado, a empresa já havia sinalizado que algo estava no forno ao confirmar o recebimento de uma proposta indicativa de aquisição. O mercado farejou negócio antes do anúncio oficial.

O que muda daqui para frente

Para a InPost, o acordo traz fôlego financeiro e valida o modelo de lockers em escala continental. Para a FedEx, é uma forma de acelerar presença na Europa sem precisar construir uma rede do zero, o que custaria tempo e muito mais dinheiro.

No fim das contas, o recado é claro: a disputa pela última milha continua quente. E, nessa corrida, quem tiver o armário mais próximo do consumidor sai na frente.

Via: CNN Brasil