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Meta alugar servidores de IA da Nebius por US$ 27 bilhões

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Zuckerberg está abrindo o cofre de novo.

A Meta fechou contrato com a Nebius — uma provedora de nuvem holandesa que você provavelmente nunca ouviu falar — para ter acesso a infraestrutura de inteligência artificial nos próximos cinco anos. O valor total pode chegar a US$ 27 bilhões.

Para colocar em perspectiva: é mais do que o PIB de muitos países. Para alugar servidores.

O que é a Nebius

A Nebius é o que o mercado chama de neocloud — uma empresa que constrói data centers especializados para treinar modelos de IA e rodar serviços como o ChatGPT, competindo com os grandes provedores tradicionais como Google Cloud e Amazon Web Services.

A empresa foi separada do gigante russo de internet Yandex em 2024, tem sede em Amsterdã e mantém parceria estratégica com a Nvidia — que na semana passada anunciou investimento de US$ 2 bilhões na empresa, impulsionando uma alta de 16% nas ações.

Nesta segunda-feira (16), o papel subiu mais 15% no pré-mercado após o anúncio da Meta. Nos últimos 12 meses, as ações da Nebius quase quadruplicaram.

Ninguém conhecia a Nebius há um ano. Agora ela está no centro de um dos maiores contratos da história da Meta.

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Como o contrato funciona

O acordo tem duas partes:

US$ 12 bilhões em capacidade dedicada exclusivamente para a Meta, a partir do início de 2027. A Nebius vai construir e reservar infraestrutura específica para uso da empresa.

Até US$ 15 bilhões em capacidade adicional que a Nebius está construindo para vários clientes — e que a Meta pode acessar conforme precisar.

Total potencial: US$ 27 bilhões em cinco anos. É o maior contrato individual já assinado pela Meta e representa uma aposta enorme numa empresa que ainda está construindo boa parte da infraestrutura prometida.

Vale lembrar: no ano passado, a Meta já havia fechado um acordo separado de US$ 3 bilhões com a Nebius. O relacionamento entre as duas vinha sendo construído antes desse anúncio histórico.

Por que a Meta não usa o Google ou a Amazon

A pergunta óbvia é essa. E a resposta é estratégica.

Depender de Google Cloud ou Amazon Web Services significa que a sua infraestrutura de IA está nas mãos dos seus principais concorrentes. Google e Amazon também desenvolvem modelos de IA e disputam os mesmos mercados que a Meta.

Usar a Nebius resolve esse problema: é uma empresa especializada em infraestrutura, sem interesse em competir com a Meta nos produtos finais. Um fornecedor puro, sem conflito de interesse.

Um porta-voz da Meta confirmou que a estratégia de diversificar parcerias faz parte de “construir uma infraestrutura mais resiliente e flexível.” Traduzindo: não quero depender de ninguém que também seja meu rival.

O tamanho da aposta na IA

O contrato com a Nebius não é um caso isolado. É mais um capítulo de uma estratégia de gastos que está redefinindo o que significa investir em tecnologia.

Mark Zuckerberg prometeu investir US$ 600 bilhões em infraestrutura nos Estados Unidos até 2028. Este ano, a Meta já fechou acordos de múltiplos bilhões com Nvidia e AMD. Está desenvolvendo chips próprios internamente. E agora assina um contrato de US$ 27 bilhões com uma neocloud europeia.

As big techs — Meta, Google, Microsoft e Amazon — devem gastar juntas em torno de US$ 650 bilhões só em 2026 para construir data centers e comprar infraestrutura de IA.

Seiscentos e cinquenta bilhões em um ano. Em data centers.

A crítica que ninguém quer ouvir mas todos estão pensando

Tem uma dinâmica estranha no centro de toda essa movimentação.

A Nvidia investe bilhões em neoclouds como a Nebius e a CoreWeave. As neoclouds usam esse dinheiro para comprar chips da Nvidia. A Nvidia registra a receita, reporta crescimento, e o mercado aplaude.

O dinheiro sai de um bolso e volta para o mesmo bolso — inflando os números de todos os lados.

Analistas já começam a usar a palavra “bolha” em voz mais alta. A Nvidia investiu US$ 2 bilhões na Nebius, US$ 2 bilhões na CoreWeave, US$ 30 bilhões na OpenAI e US$ 2 bilhões na Nscale — tudo em empresas que compram seus chips.

Pode ser um ciclo virtuoso de crescimento real. Pode ser uma engenharia financeira que vai cobrar o preço mais tarde.

Por enquanto, as ações sobem, os contratos são assinados e ninguém quer ser o primeiro a sair da festa.

O que vem por aí

Três pontos para acompanhar:

1. A Nebius entrega o que prometeu? O contrato começa a valer em 2027. A empresa ainda está construindo boa parte da infraestrutura prometida. Atraso ou problema de execução numa empresa tão central para os planos da Meta seria um risco real.

2. A bolha das neoclouds estoura? Se o crescimento da demanda por IA desacelerar — ou se as big techs reduzirem os gastos de infraestrutura — empresas como a Nebius, que dependem desses contratos gigantes, seriam as primeiras a sentir. A valorização de 4x em 12 meses deixa pouca margem para erro.

3. Os chips próprios da Meta mudam o jogo? A empresa está desenvolvendo processadores internamente. Se esses chips ficarem bons o suficiente, a dependência de infraestrutura externa diminui — e contratos como esse com a Nebius podem não se renovar no mesmo volume.

O recado

A corrida pela IA está na fase de construção de infraestrutura. E nessa fase, quem não investe agora arrisca chegar tarde.

A Meta está investindo como se não houvesse amanhã — ou como se o amanhã custasse US$ 600 bilhões.

O contrato com a Nebius é mais um sinal de que Zuckerberg não está apostando em IA. Está apostando tudo em IA.

Se der certo, a Meta sai com vantagem competitiva de infraestrutura que vai durar anos. Se der errado, vai ter gasto dezenas de bilhões alugando servidores de uma empresa que quase ninguém conhecia até semana passada.

Nos dois casos, a Nebius agradece.

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