A Meta anunciou que vai separar o Horizon Worlds (seu ambiente virtual) da plataforma Quest (os óculos de realidade virtual).
Traduzindo: o metaverso agora vai focar em smartphones. E os óculos de VR vão virar ferramenta pra desenvolvedores.
É um sinal claro de que a proposta de 2021 não deu certo.
O que a Meta prometeu em 2021
Em 2021, o Facebook mudou de nome pra Meta. E Mark Zuckerberg vendeu uma visão: o futuro era o metaverso. Uma “internet corpórea, em que você está na experiência, não apenas olhando para ela”.
A ideia era que todo mundo usaria óculos de realidade virtual pra trabalhar, socializar, jogar e fazer reuniões.
Não funcionou.
Por que não deu certo
A Meta foi direta no comunicado: o mercado de realidade virtual não cresceu tanto quanto o esperado.
Os óculos fazem sucesso com crianças e adolescentes que gostam de jogos casuais. Mas jovens e adultos não aderiram.
Ninguém quer fazer reunião de trabalho usando óculos de VR. Ninguém quer participar de espaços profissionais colaborativos com aquilo na cara.
Tanto que a Meta encerrou o Horizon Workrooms, que era o metaverso corporativo dela. Simplesmente não tinha usuário.
A mudança de foco
Se quase ninguém tem óculos de realidade virtual, por que continuar investindo pesado nisso?
Essa parece ter sido a pergunta dos executivos da Meta.
E a resposta foi: vamos levar o Horizon Worlds pra smartphones e tablets.
Segundo a empresa, em 2025 o número de mundos exclusivos pra plataformas móveis foi de zero pra mais de 2 mil. E os usuários ativos mensalmente em smartphones e tablets cresceram quatro vezes.
O Horizon Worlds virou concorrente do Roblox
Com a mudança, o Horizon Worlds deixa de ser um metaverso imersivo e vira uma plataforma de mundos virtuais, tipo o Roblox.
Usuários criam jogos e mundos. Outros usuários jogam. E os criadores podem monetizar.
A Meta já vê sinais positivos. Quatro criadores atingiram a marca de US$ 1 milhão em receitas.
Isso é bem diferente da proposta original. Mas pelo menos tem usuários de verdade.
O que acontece com os óculos Quest
Os óculos de VR não vão desaparecer. Mas o foco muda.
Agora, em vez de tentar convencer todo mundo a usar, a Meta vai focar em desenvolvedores.
Ou seja: os óculos viram ferramenta pra quem cria conteúdo. Não pra consumidor comum.
É uma admissão de que o mercado de massa não existe. Pelo menos não ainda.
O que deu errado
Três coisas principais:
1. Preço: óculos de VR não são baratos. E as pessoas não veem motivo pra gastar nisso.
2. Experiência: usar óculos pesado na cabeça por horas é cansativo. E desconfortável. Ninguém quer fazer reunião assim.
3. Utilidade: não tem aplicação prática que justifique. Jogos? Dá pra jogar sem VR. Trabalho? Tela do computador resolve. Socializar? Já existe Instagram, WhatsApp, TikTok.
A aposta de US$ bilhões que não deu certo
A Meta investiu dezenas de bilhões de dólares no metaverso.
Mudou o nome da empresa. Zuckerberg foi pra eventos usando óculos. Fez apresentações empolgadas.
E no fim, quem usa os óculos mesmo? Criança jogando Beat Saber.
Não é pouco. Mas não é a revolução que foi prometida.
O que isso diz sobre o futuro da tecnologia
Nem toda aposta em tecnologia dá certo. Mesmo quando feita por uma das empresas mais ricas e poderosas do mundo.
O metaverso foi vendido como o próximo grande passo da internet. Como algo inevitável.
Mas acontece que as pessoas não querem colocar óculos na cara pra acessar a internet. Querem pegar o celular, abrir o app e pronto.
E a Meta percebeu isso. Tarde. Mas percebeu.
O recado
A Meta não desistiu completamente do metaverso. Mas desistiu da versão que foi vendida em 2021.
Agora é metaverso light. Sem óculos. No celular. Competindo com Roblox.
É uma derrota estratégica? Sim.
Mas pelo menos é uma derrota reconhecida. E a empresa está ajustando o rumo antes de queimar mais bilhões.




