A carne cultivada em laboratório ainda divide opiniões, mas a Mosa Meat acaba de provar que o setor não está morto. A startup holandesa anunciou uma nova rodada de investimento de € 15 milhões (cerca de US$ 17,6 milhões) — e o detalhe que chama atenção: entre os investidores está Leonardo DiCaprio, um dos maiores defensores globais de pautas ambientais.
Em um momento em que várias foodtechs do setor estão fechando as portas, a Mosa segue nadando contra a maré.
Quem colocou dinheiro na Mosa Meat
O aporte veio, em sua maioria, de investidores que já conheciam bem a empresa. Entre eles:
- Invest-NL, gestora de impacto apoiada pelo governo holandês
- LIOF, agência regional de desenvolvimento
- PHW Group, gigante do setor avícola
- Jitse Groen, fundador e CEO da Just Eat Takeaway
Segundo Tim van de Rijdt, diretor de negócios da Mosa Meat, o dinheiro garante fôlego financeiro até 2028. O foco agora é claro: aprovação regulatória e preparação para a entrada no mercado.
Com essa rodada, a startup já soma mais de US$ 156 milhões captados desde sua fundação.
A empresa que criou o primeiro hambúrguer de laboratório do mundo
A Mosa Meat não é novata. Em 2013, seu cofundador e diretor científico, Mark Post, apresentou o primeiro hambúrguer de carne cultivada da história.
O detalhe curioso (e doloroso):
Dois hambúrgueres custaram cerca de US$ 330 mil.
Desde então, a empresa fez o que toda startup promete e poucas conseguem: reduzir custos drasticamente.
Segundo a própria Mosa Meat:
- O custo do meio de crescimento celular caiu 80 vezes
- O custo para produzir gordura caiu 66 vezes
- No total, os custos despencaram 99,999% em relação ao primeiro experimento
Nada mal para algo que parecia ficção científica há pouco mais de uma década.
O maior desafio agora não é tecnologia, é burocracia
Hoje, o grande gargalo da carne cultivada não é mais o laboratório — é o governo.
A Mosa Meat já entrou com pedidos de aprovação em:
- União Europeia
- Reino Unido
- Suíça
- Singapura
No Reino Unido, inclusive, a agência reguladora publicou recentemente as primeiras diretrizes oficiais para esse tipo de produto. Um pequeno passo para o regulador, um grande salto para quem quer vender carne feita sem abater animais.
Um setor em crise, mas com futuro promissor
Enquanto a Mosa capta recursos, o resto do setor sofre. Nos primeiros nove meses de 2025, startups de carne cultivada levantaram apenas US$ 36 milhões, bem abaixo dos US$ 139 milhões de 2024.
O resultado:
- Várias empresas fecharam
- Entre elas, nomes como Meatable e Upstream Foods
Mesmo assim, estudos da Market Growth Reports apontam que o mercado pode crescer 17,2% ao ano, saltando de US$ 198 milhões em 2025 para US$ 827 milhões até 2034.
O motivo?
O custo da proteína tradicional está subindo
Pressão ambiental e regulatória
Interesse crescente de grandes compradores institucionais
Segundo a pesquisa, 35% de universidades, hospitais e refeitórios corporativos já demonstram interesse em incluir carne cultivada em seus cardápios.
Dinheiro, sustentabilidade e paciência
A Mosa Meat mostra que, apesar do hype ter esfriado, o jogo ainda não acabou. A diferença agora é que o setor saiu da fase de promessa futurista e entrou na fase mais dura: aprovações, escala e mercado real.
Se vai virar algo comum no prato do brasileiro? Ainda é cedo.
Mas uma coisa é certa: quando até o Leonardo DiCaprio coloca dinheiro, vale pelo menos ficar de olho.
Fonte: CNN Brasil


