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Motorola desembolsa US$ 1,5 bi por “sequestradora” de drones

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Esqueça a imagem da Motorola como aquela empresa que apenas fabricava o celular do seu primeiro estágio. No topo da pirâmide corporativa, a Motorola Solutions opera no bilionário mercado de segurança pública e defesa global. E nesta segunda-feira (1º de junho de 2026), ela provou que está disposta a gastar o que for preciso para mandar no espaço aéreo corporativo e militar, anunciando a compra da startup israelense D-Fend Solutions por US$ 1,5 bilhão.

Com a receita crescendo mais de 50% ao ano e uma projeção de faturar US$ 185 milhões em 2026, a D-Fend virou a joia da coroa que o mercado de defesa cobiçava. O motivo? Eles descobriram como derrubar um drone inimigo sem disparar um único tiro ou explodir nada.

O Paradoxo do Drone: Quando o escudo quebra o próprio teto

A urgência por trás desse negócio foi desenhada pelos conflitos geopolíticos recentes. Os ataques cibernéticos e físicos a data centers no Oriente Médio e os apagões operacionais em aeroportos europeus — causados por pequenos drones comerciais invadindo pistas — acenderam um alerta vermelho nos governos: a infraestrutura crítica do planeta está vulnerável a aparelhos que qualquer pessoa compra na internet.

O grande problema das tecnologias de defesa tradicionais sempre foi o “efeito colateral”. Se você usa um jammer (bloqueador de sinal) para derrubar um drone perto de um aeroporto ou de um centro de dados, você acaba derrubando também o Wi-Fi, o sinal de celular da região e a comunicação dos próprios pilotos de avião. É o equivalente a queimar a casa para se livrar de uma infiltração.

É aqui que a D-Fend entra com o seu principal produto, o EnforceAir:

  • Sequestro por Radiofrequência: Em vez de emitir um ruído para cegar o aparelho, a tecnologia lê as ondas de rádio, invade o sistema de navegação do drone invasor em pleno voo e assume o controle do controle remoto.
  • Pouso Controlado: Uma vez no comando, o operador “sequestra” o drone e o faz pousar suavemente em uma zona segura pré-determinada, permitindo inclusive que a polícia confisque o aparelho intacto para investigar quem o estava pilotando.

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A canetada do Tio Sam que abriu as portas do mercado

Se a tecnologia israelense já era atraente para os membros da Otan e para os departamentos de Defesa e Justiça dos EUA, uma mudança recente na legislação americana transformou esse negócio em uma mina de ouro regulamentada.

A aprovação do Safer Skies Act mudou o jogo de patrulhamento urbano. A lei passou a permitir que policiais estaduais e locais certificados utilizem ferramentas de contramedida para interceptar e aterrissar drones não autorizados. Antes, apenas órgãos federais de alta patente podiam fazer isso.

Ao comprar a D-Fend, a Motorola Solutions se posiciona como a fornecedora padrão de tecnologia antirradar e antidrone para praticamente qualquer delegacia de polícia de grande porte nos Estados Unidos e na Europa. Greg Brown, CEO da Motorola, resumiu bem o espírito da coisa: “A simples detecção não é mais suficiente”. No cenário atual, quem apenas vê o perigo, mas não consegue pará-lo, já perdeu a batalha.

O tamanho do ecossistema e o ganho do investidor

De acordo com dados da consultoria Mordor Intelligence, o mercado global de tecnologia antidrone foi avaliado em US$ 2,47 bilhões em 2026, mas a projeção é que ele dê um salto quântico para US$ 8,42 bilhões até 2031. Estamos falando de um setor que vai quase quadruplicar de tamanho em cinco anos.

Para a Motorola Solutions, o fechamento do acordo no quarto trimestre deste ano consolida uma transição de portfólio inteligente. A empresa deixa de vender apenas o rádio comunicador da viatura para vender o software de inteligência que impede um ataque terrorista ou a espionagem industrial em um grande data center de inteligência artificial.

Para o investidor que acompanha as grandes tendências de tecnologia, o recado é direto: o conceito de segurança corporativa mudou de endereço. Proteger o perímetro de uma empresa hoje não significa apenas colocar uma guarita com segurança na portaria ou um firewall na rede de computadores; significa garantir que o teto da sua empresa esteja blindado contra invasores silenciosos que vêm de cima.

A Motorola jogou US$ 1,5 bilhão na mesa para garantir que, quando o assunto for o controle dos céus privados, ela seja a dona do controle remoto.

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