NEGÓCIOS

Nike despenca 10% na bolsa após queda de vendas na China

As ações da Nike caíram quase 10% nesta sexta-feira (19), depois que a empresa divulgou seus resultados do segundo trimestre fiscal de 2026. E o motivo? A China não tá comprando tênis.

Enquanto as vendas na América do Norte subiram 9%, o mercado chinês despencou 17%. E isso foi o suficiente pra assustar investidores e derrubar o valor da empresa na bolsa.

Traduzindo: a Nike tá vendendo bem nos EUA, mas a China — que sempre foi um dos mercados mais importantes — deu um chega pra lá.

E Wall Street não gostou nem um pouco.

Os números que assustaram o mercado

Vamos direto ao ponto: o balanço da Nike veio misto. Tem coisa boa, mas tem muita coisa preocupante.

Receita: subiu, mas pouco

A receita total foi de US$ 12,4 bilhões, um aumento de apenas 1%.

Parece bom? Não muito. Pra uma empresa do tamanho da Nike, crescer 1% é quase empatar. É tipo correr uma maratona e chegar um segundo antes do último colocado.

O crescimento veio principalmente da América do Norte, onde as vendas bombaram. Mas isso foi compensado pelas quedas na China e na Ásia-Pacífico.

Resultado? Receita praticamente estagnada.

Lucro: despencou 32%

Aqui a coisa ficou feia.

O lucro líquido foi de US$ 800 milhões, uma queda de 32% em relação ao ano passado.

E o lucro por ação caiu na mesma proporção: US$ 0,53, uma redução de 32%.

Ou seja: a Nike tá vendendo, mas ganhando menos. E muito menos.

Vendas diretas ao consumidor? Caíram 8%

A Nike vende de duas formas: atacado (pra lojas) e direto ao consumidor (online e lojas próprias).

As vendas no atacado subiram 8%, o que é bom. Mas as vendas diretas caíram 8%.

Isso é preocupante porque vender direto ao consumidor costuma ser mais lucrativo — não tem intermediário, a margem é maior.

Se as vendas diretas caem, significa que menos gente tá comprando nos canais mais rentáveis da empresa.

China: o mercado que virou problema

O grande vilão da história? A China.

As vendas na China despencaram 17%, caindo pra US$ 1,42 bilhão.

Isso é muito grave porque a China sempre foi um dos mercados mais estratégicos da Nike. É o país mais populoso do mundo, com uma classe média crescente e obsessão por marcas de grife.

Mas algo mudou. E a Nike tá sentindo na pele.

Por que a China parou de comprar Nike?

Alguns motivos possíveis:

🇨🇳 Nacionalismo chinês — marcas locais como Li-Ning e Anta estão ganhando espaço, com chineses preferindo consumir produtos nacionais

Economia desacelerando — a China tá com problemas econômicos, o consumo caiu, e tênis de marca virou luxo dispensável

Concorrência pesadaAdidas, Puma e marcas chinesas locais tão brigando forte pelo mercado

Imagem da Nike na China — a empresa enfrentou polêmicas no passado sobre trabalho forçado em Xinjiang, o que gerou boicotes

Seja qual for o motivo, a realidade é essa: a Nike perdeu força na China. E isso dói.

América do Norte salvou a lavoura (mas não foi suficiente)

Enquanto a China afundava, os Estados Unidos seguraram a onda.

As vendas na América do Norte subiram 9%, chegando a US$ 5,63 bilhões.

Ou seja: os americanos continuam comprando Nike — muito, inclusive.

Mas não foi o bastante pra compensar o tombo na China. E por isso a receita total cresceu só 1%.

É tipo quando você ganha um aumento no trabalho, mas o aluguel sobe mais. No fim, você tá praticamente no mesmo lugar.

Nike tá gastando mais com marketing (e ganhando menos)

Outro dado curioso: a Nike aumentou em 13% os gastos com marketing e publicidade, chegando a US$ 1,3 bilhão.

Ou seja: a empresa tá investindo mais em propaganda, campanhas, patrocínios de atletas e eventos esportivos.

Mas mesmo assim, as vendas cresceram pouco e o lucro despencou.

Traduzindo: a Nike tá gastando mais pra vender menos. E isso não é um bom sinal.

Estoque tá encolhendo (e isso pode ser bom ou ruim)

Os estoques da Nike totalizaram US$ 7,7 bilhões, uma queda de 3%.

Isso pode significar duas coisas:

Vendas melhores — a empresa tá vendendo mais e o estoque tá diminuindo
Produção menor — a Nike tá produzindo menos porque espera vendas fracas

Considerando o contexto (lucro caindo, China fraca), provavelmente é a segunda opção.

O que os executivos estão dizendo?

Elliott Hill, CEO da Nike, tentou passar confiança:

“A China continua se destacando como uma das oportunidades de longo prazo mais poderosas no esporte. Isso não mudou.”

Traduzindo do corporatês: “Tá tudo uma merda agora, mas a gente ainda acredita na China”.

Ele também prometeu que a empresa vai “gerenciar o mercado chinês de forma diferente” — o que basicamente significa: “a gente errou e vai ter que mudar”.

Matthew Friend, diretor financeiro, disse:

“Estamos fazendo as mudanças necessárias para posicionar nosso portfólio para uma recuperação completa.”

Traduzindo: “Segura aí que vai demorar”.

O que esperar agora?

A Nike tá numa fase de transição. A empresa sabe que precisa:

Reconquistar a China — seja lá como for
Manter a América do Norte crescendo — não pode deixar esse mercado esfriar
Cortar custos — lucro caindo 32% não é sustentável
Reposicionar os produtos — talvez lançar linhas mais acessíveis ou mais exclusivas

Mas tudo isso leva tempo. E enquanto isso, as ações vão continuar voláteis.

Via: CNN Brasil