A Sony acabou de fazer um dos investimentos mais nostálgicos (e estratégicos) dos últimos tempos: comprou 80% da franquia Peanuts — aquela do Snoopy, Charlie Brown, Woodstock e toda a turma.
O negócio foi fechado por 630 milhões de dólares canadenses, o que dá aproximadamente US$ 457 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões).
Parece muito? Talvez. Mas considerando que Peanuts é uma das franquias mais icônicas e lucrativas do mundo, a Sony praticamente fez uma pechincha.
Como ficou a divisão?
A Sony não comprou tudo de uma vez — ela já tinha uma parte e agora aumentou a fatia.
Veja como ficou:
Sony Pictures Entertainment + Sony Music Entertainment: 80% da franquia
Família de Charles M. Schulz (criador): 20%
Antes, a estrutura era diferente:
- Sony Music: 39%
- WildBrain (empresa canadense): 41%
- Família Schulz: 20%
Agora, a Sony comprou os 41% da WildBrain por US$ 457 milhões, e somou com os 39% que já tinha.
Resultado? Controle quase total da marca.
Por que a Sony quer tanto o Snoopy?
Simples: Peanuts é uma máquina de fazer dinheiro.
A franquia foi criada por Charles M. Schulz em 1950 (isso mesmo, tem 74 anos) e desde então nunca saiu de cena.
Sabe aquele pessoal que diz que “não fazem mais marcas como antigamente”? Peanuts é a prova viva disso.
A turma do Charlie Brown continua extremamente relevante e lucrativa, mesmo décadas depois.
O que Peanuts movimenta hoje?
Animações e especiais no Apple TV+ — novas séries e episódios sazonais
Produtos licenciados — camisetas, canecas, pelúcias, bonecos
Parques temáticos — atrações dedicadas ao Snoopy em vários lugares do mundo
Quadrinhos reimpresos — as tirinhas originais ainda vendem
Especiais de Natal e Halloween — tradição em milhões de lares
Ou seja: Peanuts não para de gerar receita.
E a Sony sabe disso.
Apple TV+ e o renascimento de Peanuts
Nos últimos anos, a Apple TV+ tem investido pesado em conteúdo de Peanuts.
Séries como:
“Snoopy in Space” (Snoopy no Espaço)
“The Snoopy Show” (O Show do Snoopy)
Especiais de Halloween e Natal
Tudo isso trouxe a franquia de volta pro radar de uma nova geração.
E agora, com a Sony no controle, a tendência é que mais conteúdo seja produzido — não só pra Apple TV+, mas também pra cinemas, streaming próprio da Sony e outras plataformas.
Afinal, a Sony tem experiência em transformar franquias antigas em sucessos modernos (olha o que fizeram com Homem-Aranha e Ghostbusters).
A família Schulz mantém 20% (e isso é importante)
Mesmo vendendo 80% da franquia, a família de Charles M. Schulz manteve 20% — e isso não é à toa.
Manter a família envolvida garante que a essência de Peanuts não se perca.
Charles Schulz era extremamente criterioso com sua obra. Ele nunca quis merchandising exagerado ou adaptações que desvirtuassem os personagens.
Com a família ainda presente, há uma camada de proteção contra decisões puramente comerciais que possam descaracterizar a marca.
É tipo ter o “guardião da lore” no conselho de administração.
Reguladores ainda precisam aprovar
O negócio foi fechado, mas ainda precisa passar pela aprovação de órgãos regulatórios no Canadá e nos Estados Unidos.
Isso é padrão em aquisições grandes, mas raramente essas aprovações são negadas — especialmente quando não há questões antitruste envolvidas.
Então, a menos que algum regulador resolva implicar, a Sony vai mesmo virar dona de 80% de Peanuts.
Por que US$ 457 milhões é barato?
Você pode estar pensando: “meio bilhão de dólares é barato?”
Sim. E muito.
Vamos comparar com outras aquisições de franquias:
Disney comprou a Lucasfilm (Star Wars) por US$ 4 bilhões
Disney comprou a Marvel por US$ 4 bilhões
Microsoft comprou a Activision Blizzard por US$ 69 bilhões
Claro, Peanuts não é Star Wars. Mas é uma franquia com 74 anos de história, reconhecimento global e um mercado de produtos licenciados que gera centenas de milhões por ano.
Por US$ 457 milhões, a Sony comprou uma marca atemporal, adorada por gerações e com potencial de crescimento enorme.
O que vem por aí?
Com a Sony no comando, espere:
Mais filmes de Peanuts — provavelmente animações pro cinema
Mais séries e especiais — pra Apple TV+, Netflix, ou streaming próprio da Sony
Expansão de produtos licenciados — roupas, brinquedos, colaborações com marcas
Novos parques temáticos — ou expansão dos existentes
Jogos de Peanuts — não seria surpresa ver um jogo mobile ou de console
A ideia é modernizar a franquia sem perder o charme clássico.
É um equilíbrio difícil, mas se alguém pode fazer, é a Sony.
Via: Infomoney




