O Super Bowl segue sendo o ativo publicitário mais caro dos Estados Unidos. Em 2026, o evento bateu mais um recorde: até US$ 10 milhões por 30 segundos de comercial. Em reais, algo perto de R$ 53 milhões para aparecer na TV pelo tempo de um gole d’água.
E não faltou interessado. Todas as cotas foram vendidas cinco meses antes do jogo, ainda em setembro de 2025.
O preço não subiu por acaso
A escalada é consistente.
Em 2020, um anúncio custava cerca de US$ 5,5 milhões.
Em 2024, foi para US$ 7 milhões.
Em 2025, encostou em US$ 8 milhões.
Agora, chegou aos US$ 10 milhões.
Não é só inflação. É poder de fogo.
Enquanto a atenção do público se fragmenta em redes sociais, streaming e vídeos curtos, o Super Bowl faz o oposto: junta todo mundo no mesmo lugar, ao mesmo tempo.
Isso virou artigo de luxo.
Mais do que futebol americano
O jogo acontece neste domingo (8), na Califórnia, entre New England Patriots e Seattle Seahawks. Mas o esporte é só parte do pacote.
O Super Bowl virou um evento de entretenimento, cultura pop e negócios. Para as marcas, é menos sobre touchdown e mais sobre conversa no dia seguinte.
Quem anuncia ali não compra apenas audiência. Compra relevância cultural.
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Quem entra nessa conta
Segundo executivos da Fox Sports, dona dos direitos de transmissão, a procura por anúncios supera a oferta todos os anos.
Durante a partida, cada marca pode aparecer até 10 vezes, dentro de um limite total de 58 anúncios.
Quem puxa a fila:
Empresas de tecnologia, principalmente ligadas a IA
Setor farmacêutico
Bancos e serviços financeiros
Bebidas alcoólicas
Bens de consumo e entretenimento
Marcas como Doritos, Dove, Häagen-Dazs e Skechers já tratam o Super Bowl como compromisso anual. Não é campanha. É presença institucional.
Audiência que justifica o cheque
Em 2025, o Super Bowl foi assistido por 127 milhões de pessoas, segundo a Fox Sports. Só em publicidade, a emissora faturou cerca de US$ 800 milhões.
Para 2026, a expectativa é maior.
Dados do portal Super Bowl Ads indicam que os investimentos digitais ligados ao evento cresceram 20%, enquanto 90% do inventário publicitário da temporada regular da NFL já foi vendido.
Ou seja: o apetite continua intacto.
O show do intervalo ajuda (muito)
Outro motor dessa máquina é o show do intervalo.
Em 2026, a atração principal será Bad Bunny, vencedor de três Grammys. Em 2025, foi Kendrick Lamar.
Resultado: mais gente assistindo, inclusive quem não liga para futebol americano.
Segundo a Nielsen, o Super Bowl de 2025 teve mais de 140 milhões de espectadores, acima dos 124 milhões de 2024 e dos 115 milhões de 2023. A projeção agora é ultrapassar 150 milhões no mundo.
Quanto mais diverso o público, mais valioso o espaço.
Impacto vai além da TV
O Super Bowl também movimenta a economia local.
Hotéis lotados, restaurantes cheios, turismo aquecido. A NFL transformou uma final esportiva em um evento que injeta dinheiro em várias camadas da economia.
É um modelo que outras ligas observam com atenção. Nem todas conseguem replicar. Quase nenhuma chega perto.
Tecnologia também entra em campo
Dentro das quatro linhas, a NFL joga outro jogo: o dos dados.
Há dez anos, a liga usa o Next Gen Stats, sistema que rastreia jogadores e a bola em tempo real. Chips nas ombreiras, sensores no estádio, dados por todos os lados.
São mais de 500 estatísticas por jogada, processadas automaticamente, com apoio da Amazon Web Services.
Isso melhora análise tática, segurança dos atletas e a experiência do torcedor. Mais dados, mais engajamento. Mais valor para quem anuncia.
O resumo da ópera
US$ 10 milhões por 30 segundos parece absurdo. Até não parecer.
Quando um evento entrega audiência massiva, atenção concentrada e conversa por dias nas redes, o preço deixa de ser só caro. Vira escasso.
O Super Bowl não vende espaço publicitário. Vende o momento em que todo mundo está olhando para o mesmo lugar.
E isso, hoje, custa caro.
Via: Infomoney




