NEGÓCIOS

Warner Bros rejeita oferta de U$108 bi da Paramount

A Warner Bros Discovery acabou de dar um sonoro “não” para a oferta de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 575 bilhões) da Paramount Skydance. E não foi um “não, obrigado” educado — foi um “vocês estão mentindo pros acionistas” bem direto.

Nesta quarta-feira (17), o conselho de administração da Warner rejeitou a proposta hostil e, de quebra, soltou uma carta aos acionistas dizendo que a Paramount “enganou consistentemente” todo mundo sobre quem estava bancando a compra.

Traduzindo: a Warner chamou a Paramount de mentirosa. Em público. Por escrito. No documento oficial enviado à SEC (o equivalente à CVM nos EUA).

Pegou fogo no parquinho corporativo.

A oferta que “não vale o papel em que está escrita”

A Paramount ofereceu US$ 30 por ação em dinheiro, dizendo que o cheque estava garantido pela família Ellison — comandada pelo bilionário Larry Ellison, presidente da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo.

O problema? Segundo a Warner, isso nunca foi verdade.

“Não é o caso, e nunca foi”, escreveu o conselho da Warner na carta. A oferta, segundo eles, tem “inúmeros riscos significativos” e não oferece garantias financeiras sólidas.

Em bom português: a Paramount prometeu um dinheiro que ela não tem — ou que não está tão garantido quanto parece.

O trust misterioso que ninguém conhece

A Warner foi ainda mais longe e apontou o dedo para um detalhe espinhoso: o dinheiro não viria da família Ellison diretamente, mas de um tal Lawrence J. Ellison Revocable Trust.

Esse trust (um tipo de fundo fiduciário) é “desconhecido e opaco”, segundo a Warner. Ninguém sabe direito quanto ele tem, quais são seus ativos e passivos, e o pior: tudo pode mudar a qualquer momento.

Ou seja: a Paramount estava prometendo bilhões baseada em um fundo que pode ser alterado sem aviso prévio. É tipo alguém te emprestar dinheiro dizendo “confia, meu tio é rico”, mas sem te mostrar a conta bancária do tio.

A Warner não comprou a história.

Netflix na jogada: a oferta “de verdade”

Enquanto a Paramount fazia promessas nebulosas, a Netflix chegou com uma proposta concreta, vinculante e sem enrolação.

A gigante do streaming ofereceu US$ 27,75 por ação pelos estúdios de cinema e TV da Warner, pelo acervo completo da empresa e pelo serviço de streaming HBO Max.

A diferença? A oferta da Netflix:

Não depende de financiamento externo — a Netflix tem o dinheiro
Tem compromissos de dívida robustos — bancos de verdade toparam entrar
É um acordo vinculante — não é promessa, é contrato

Segundo o conselho da Warner, a proposta da Netflix é superior em todos os aspectos. E mais importante: é real.

Paramount insiste: “temos dinheiro, confia”

Na semana passada, a Paramount tentou contornar o conselho da Warner e foi direto aos acionistas, argumentando que tinha “financiamento sólido”:

  • US$ 41 bilhões em novas ações garantidas pela família Ellison e pela RedBird Capital
  • US$ 54 bilhões em compromissos de dívida do Bank of America, Citi e Apollo

Parecia robusto. Até a Warner destrinchar tudo e mostrar que o tal “compromisso de capital” da família Ellison não era tão comprometido assim.

Seis propostas, seis “nãos”

Essa não foi a primeira tentativa da Paramount. Ela já apresentou seis propostas diferentes para comprar a Warner — incluindo suas redes de TV como CNN e TNT Sports.

E todas foram rejeitadas.

A mensagem da Warner está clara: ou a Paramount apresenta uma oferta de verdade, com dinheiro de verdade e garantias de verdade, ou pode parar de insistir.

O que tá em jogo?

A Warner Bros Discovery é dona de:

Warner Bros Studios — um dos maiores estúdios de Hollywood
HBO Max — serviço de streaming com séries como Game of Thrones e Succession
CNN — uma das maiores redes de notícias do mundo
TNT Sports — direitos esportivos valiosos

Ou seja: quem comprar a Warner leva um império de entretenimento. E a Paramount quer isso — mas, segundo a Warner, sem ter como pagar direito.

Via: Infomoney