NEGÓCIOS

WePink leva multa de R$ 1,5 milhão do Procon por problemas de entrega

A WePink, marca de cosméticos da influenciadora Virgínia Fonseca, foi multada em R$ 1.566.416,66 (quase R$ 1,6 milhão) pelo Procon de São Paulo.

O motivo? Várias infrações ao Código de Defesa do Consumidor (CDC).

E não foi pouca coisa: atraso na entrega, produtos não enviados, demora no estorno, ignorar direito de arrependimento, falta de informações obrigatórias no site.

Basicamente, a empresa fez tudo errado que uma loja virtual pode fazer.

Os problemas da WePink (segundo o Procon)

A multa é resultado de fiscalização motivada por reclamações de consumidores e análise do site da empresa.

Vamos aos principais problemas identificados:

Descumprimento dos prazos de entrega

Consumidores compraram produtos que não chegaram no prazo — ou não chegaram nunca.

Em alguns casos, a WePink não enviou a totalidade dos produtos comprados.

Ou seja: você compra 3 itens, paga por 3, mas recebe só 2 (ou nenhum).

Isso é grave.

Pós-venda ruim

O Procon constatou que a WePink não prestou serviço adequado no pós-venda.

Consumidores relataram:

Demora excessiva pro estorno de valores
Demora pra entrega de novos produtos em casos de trocas (quando o produto veio com defeito)

Traduzindo: se você teve problema, a empresa demorou pra resolver (ou não resolveu).

Ignorou o direito de arrependimento

O direito de arrependimento é garantido por lei: você pode devolver um produto comprado pela internet em até 7 dias e receber o reembolso integral — sem precisar justificar.

Só que, segundo o Procon, a WePink ignorou essas solicitações.

Consumidores tentaram exercer o direito, mas a empresa não respondeu ou demorou demais.

Isso é ilegal.

Falta de informações obrigatórias no site

No início de dezembro, o Procon verificou que a WePink deixou de informar dados obrigatórios pro comércio eletrônico, como:

Endereço físico da empresa
E-mail para contato

Isso é obrigatório por lei. Se você não coloca essas informações no site, tá infringindo o CDC.

Por quê? Porque o consumidor precisa saber onde a empresa tá e como entrar em contato se tiver problema.

Sem esses dados, a empresa fica invisível — e isso é proibido.

Multa de R$ 1,5 milhão: como foi calculada?

O Procon explica que o valor da multa foi estipulado levando em conta:

Gravidade da infração — várias infrações, não só uma
Vantagem auferida — quanto a empresa ganhou com as vendas (mesmo sem entregar direito)
Condição econômica do fornecedor — tamanho e faturamento da empresa

Ou seja: não é um valor aleatório. Foi calculado com base no tamanho do problema e no tamanho da empresa.

E considerando que a WePink fatura milhões (é marca de uma das maiores influenciadoras do Brasil), R$ 1,5 milhão é proporcional.

A empresa pode se defender

A WePink tem direito à defesa.

Ela pode contestar a multa, apresentar documentos, provas, etc.

Se conseguir provar que os problemas foram pontuais ou que já foram corrigidos, a multa pode ser reduzida ou até anulada.

Mas se o Procon mantiver a decisão, a empresa vai ter que pagar os R$ 1,5 milhão.

E os consumidores? O que fazer?

Se você comprou da WePink e teve problema, o Procon recomenda:

Formalizar reclamação no Procon-SP ou no órgão de defesa do consumidor da sua cidade/estado
Guardar provas (prints de conversas, e-mails, comprovantes de pagamento)
Exigir seus direitos (reembolso, troca, entrega)

Você não é obrigado a aceitar o prejuízo. O Código de Defesa do Consumidor tá do seu lado.

Por que isso acontece tanto com marcas de influenciadores?

Nos últimos anos, muitos influenciadores lançaram marcas próprias — de roupas, cosméticos, suplementos, etc.

E muitas dessas marcas tiveram problemas graves:

Atraso na entrega
Produtos com defeito
Atendimento ruim
Falta de estoque
Problemas logísticos

Por quê isso acontece tanto?

Porque lançar uma marca é muito mais difícil do que parece.

Você não pode só:

Colocar seu nome num produto
Divulgar pros seguidores
Esperar que dê certo

Você precisa de:

Fornecedores confiáveis (que entreguem no prazo e com qualidade)
Logística eficiente (armazenagem, separação, envio)
Site funcional (que aguente alto volume de acessos)
Atendimento ao cliente (SAC, trocas, devoluções)
Capital de giro (pra bancar estoque, custos operacionais)

E muitos influenciadores não têm experiência em gestão empresarial.

Eles sabem vender (porque têm milhões de seguidores), mas não sabem operar uma empresa de verdade.

Resultado? Caos.

Virgínia já se pronunciou?

Até o momento, não há manifestação oficial de Virgínia Fonseca ou da WePink sobre a multa.

Mas é provável que ela (ou a assessoria dela) se pronuncie nos próximos dias — seja pra contestar a multa, seja pra se desculpar com os consumidores.

Vamos aguardar.

WePink não é a primeira (e não será a última)

Marcas de influenciadores já envolvidas em polêmicas com consumidores:

Boca Rosa (Bianca Andrade) — problemas com entregas e qualidade de produtos
Pantys (Luisa Marilac e parceiras) — atrasos, produtos diferentes do anunciado
Marcas de suplementos de diversos influencers fitness — propaganda enganosa, produtos sem registro

Então, não é novidade.

Mas isso não torna aceitável.

Se você tem uma empresa, você tem responsabilidades.

E se você não cumpre essas responsabilidades, vai pagar multa — como a WePink tá pagando agora.

O que aprender com isso?

Se você é consumidor:

Pesquise antes de comprar — veja reclamações no Reclame Aqui
Guarde provas — prints, e-mails, comprovantes
Conheça seus direitos — CDC existe pra te proteger
Reclame — no Procon, no Reclame Aqui, nas redes sociais

Se você é influenciador que quer ter marca própria:

Contrate gente competente — gestão, logística, atendimento
Teste antes de lançar — não faça lançamento gigante sem testar a operação
Seja transparente — se tiver problema, avise e resolva rápido
Não prometa o que não pode cumprir — prazo de entrega realista

Porque no final, você (o dono da marca) é responsável. Não adianta colocar a culpa nos fornecedores, na logística, no site.

Via: Infomoney