ECONOMIA

BC liquida Banco Pleno e acende alerta sobre liquidez

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O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, antigo Voiter.

E não foi um movimento inesperado.

Nos últimos meses, o banco já enfrentava restrições para captar recursos, aumento da percepção de risco e dificuldades crescentes de liquidez. Quando o dinheiro começa a ficar caro e escasso, o relógio acelera.

O ato foi assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que citou comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias.

Tradução direta: o banco perdeu fôlego.

O tamanho do banco

Antes de qualquer pânico: o Banco Pleno representa 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

É pequeno.

Não é um banco sistêmico. Não é um gigante que arrasta o mercado junto.

Mas tamanho não impede impacto reputacional. Especialmente quando existe histórico recente no radar.

A conexão com o Master

O dono do Pleno é Augusto Ferreira Lima, banqueiro que ganhou projeção ao se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

O antigo Banco Voiter foi incorporado ao conglomerado do Master no início de 2024.

A permanência foi curta.

Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência de controle para Augusto Ferreira Lima. Nascia ali o Banco Pleno sob nova estrutura.

O problema é que mercado tem memória.

Depois da liquidação do Master, qualquer elo societário ou reputacional passou a ser analisado com lupa. Captação ficou mais difícil. Funding ficou mais caro. Confiança ficou frágil.

Banco vive de confiança. Sem ela, a engrenagem trava.

O que é liquidação extrajudicial

Liquidação extrajudicial não é intervenção temporária.

É o fim da linha operacional.

O Banco Central usa esse instrumento quando entende que não há plano viável de recuperação. As atividades são interrompidas. As obrigações passam a ser consideradas vencidas. Um liquidante assume para organizar ativos e passivos.

O banco sai de cena.

Não existe prazo fixo para concluir o processo. Pode durar anos, dependendo da complexidade do balanço e de eventuais disputas judiciais.

O que acontece com clientes

Depósitos dentro dos limites cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos seguem as regras de proteção vigentes.

O procedimento é técnico. Organizado. Sem improviso.

Como o Pleno tem participação muito pequena no sistema, o risco de contágio é considerado baixo.

O que isso sinaliza

O ambiente ficou mais rigoroso.

Crédito mais seletivo. Investidores mais cautelosos. Regulador menos tolerante.

Bancos menores, com estrutura de capital mais apertada e dependência maior de captação institucional, sentem primeiro quando a maré muda.

Liquidez é oxigênio.

Se ela diminui, o mercado percebe rápido. E o Banco Central age rápido também.

O caso do Banco Pleno não mexe com o sistema inteiro.

Mas reforça uma mensagem clara: em um cenário de confiança frágil, governança sólida e caixa robusto não são diferencial. São pré-requisito.

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