Os acionistas da Warner Bros. Discovery votaram de forma “esmagadora” a favor da venda da empresa para a Paramount Skydance, na assembleia extraordinária realizada nesta quinta-feira.
É o passo mais importante que faltava do lado privado. A fusão que vai criar um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo está mais perto — mas ainda não está fechada.
Como chegamos aqui
A história dessa fusão tem mais reviravoltas do que uma série de streaming.
A Warner havia fechado um acordo para vender seus estúdios e o HBO Max para a Netflix por US$ 27,75 por ação. Era o acordo que estava na mesa.
A Paramount não gostou. E decidiu ir diretamente aos acionistas da Warner com uma oferta mais alta, tentando uma aquisição hostil.
O lance da Paramount venceu: US$ 31 por ação — R$ 3,25 a mais que a oferta da Netflix. A Netflix disse que não igualaria e saiu da disputa.
Com a aprovação dos acionistas desta quinta-feira, o negócio avança para a fase final.
O que a fusão cria
A combinação de Warner e Paramount reuniria sob o mesmo teto:
Do lado da Warner: HBO, Max, CNN, Warner Bros. (o estúdio), Discovery, Food Network e dezenas de outras marcas.
Do lado da Paramount: CBS, Paramount Pictures, MTV, Nickelodeon, Paramount+ e um catálogo histórico de filmes e séries.
É um rival muito mais sólido para a Netflix — que atualmente domina o streaming global. E é exatamente por isso que os reguladores vão olhar com atenção.
O obstáculo que ainda existe
A aprovação dos acionistas é necessária mas não suficiente. A fusão ainda precisa passar pelo escrutínio regulatório.
A preocupação dos reguladores é direta: duas das maiores empresas de entretenimento americanas unidas concentrariam enorme poder de mercado — em produção de conteúdo, distribuição em TV a cabo e streaming simultâneo.
O ambiente antitruste sob o governo Trump tem sido mais permissivo do que o governo anterior, o que aumenta as chances de aprovação. Mas fusões desse tamanho sempre levantam questões sobre concentração de mercado, acesso a conteúdo e quais canais ou plataformas podem precisar ser vendidos como condição para o aval regulatório.
O financiamento que vem do Golfo
Como reportamos anteriormente, a Paramount está negociando com três fundos soberanos do Oriente Médio — liderados pela Arábia Saudita — para captar cerca de US$ 24 bilhões que vão financiar a compra. O PIF saudita deve entrar com até US$ 10 bilhões.
Com a aprovação dos acionistas, essa negociação de financiamento também ganha urgência.
O CEO que sai com R$ 3,5 bilhões
David Zaslav, que conduziu toda essa saga como CEO da Warner, deve embolsar mais de US$ 667 milhões com a conclusão do negócio — incluindo rescisão, ações adquiridas e reembolso de impostos.
A fusão que ele articulou vai transformar a indústria. E ele vai sair muito bem.
O que vem por aí
Com os acionistas a bordo, o foco agora vai para:
Aprovação regulatória — o prazo e as condições impostas pelos reguladores vão definir o formato final do negócio.
Financiamento — os US$ 24 bilhões dos fundos soberanos precisam ser formalizados.
Integração — quando e como as duas empresas vão unir operações, marcas e plataformas.
O acordo foi originalmente previsto para ser concluído até o terceiro trimestre de 2025. Com os votos aprovados, essa janela ainda é possível — desde que os reguladores não atrasem.
O recado
A maior fusão da história do entretenimento acaba de ganhar o aval de quem mais importava: os acionistas que venderam.
Falta o regulador dizer sim. E no entretenimento, como nas séries de streaming, o penúltimo capítulo costuma ser o mais tenso.




