O relatório Focus desta segunda-feira (13) trouxe mais uma revisão para cima no IPCA projetado para 2026.
A mediana foi para 4,71% — alta de 0,35 ponto percentual em relação à semana anterior e de 0,61 ponto em relação a quatro semanas atrás, quando estava em 4,10%.
É a quinta semana consecutiva de alta. E o número já está perigosamente perto do limite da meta.
Os números da semana
- IPCA 2026: 4,71% (era 4,36% na semana passada)
- IPCA 2027: 3,91% (terceiro avanço consecutivo)
- IPCA 2028: 3,60% (estável)
- Selic 2026: 12,50% (terceira semana estável)
- PIB 2026: 1,85% (estável)
- Câmbio: R$ 5,37 (recuou levemente em relação à semana anterior)
Por que 4,71% é um número importante
A meta de inflação do Banco Central para 2026 é de 3,0%. A banda de tolerância vai até 4,5%.
Com 4,71%, a projeção do mercado já ultrapassou o teto da meta.
Isso não significa que o BC vai subir os juros — a Selic está em 14,75% e o mercado ainda projeta cortes. Mas significa que, se a inflação sair como o mercado está projetando, o BC tecnicamente terá descumprido a meta de 2026.
O que muda com isso: o presidente do BC teria que escrever uma carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando os motivos do descumprimento e as medidas a serem adotadas. É a transparência obrigatória do sistema de metas.
A velocidade da revisão
Há quatro semanas, a projeção estava em 4,10%. Agora está em 4,71%.
Isso é 0,61 ponto percentual de revisão em um mês. Para inflação, é uma velocidade alta — e indica que o choque do petróleo está sendo incorporado nas expectativas de forma persistente, não passageira.
Quando o mercado revisa a inflação por cinco semanas seguidas sem dar sinais de parar, o BC fica mais cauteloso para cortar os juros. Cada corte de Selic, quando a inflação está subindo nas projeções, aumenta o risco de a inflação sair ainda mais alta.
A Selic que não se move
A Selic projetada para o fim de 2026 permanece em 12,50% pela terceira semana consecutiva.
Para 2027, 10,50% há 61 semanas. Para 2028, 10,00%. Para 2029, 9,75%.
O mercado não está revendo a Selic — está esperando ver o que o petróleo e a guerra fazem com a inflação antes de mudar essa projeção.
O que o cessar-fogo muda
Trump anunciou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Se a trégua se consolidar e o petróleo recuar, a pressão sobre a inflação diminui — e as revisões para cima no IPCA podem parar.
Se o cessar-fogo não se sustentar ou se o petróleo se mantiver alto, a projeção de inflação vai continuar subindo. E o BC vai ter cada vez menos espaço para cortar juros.
O câmbio recuando levemente para R$ 5,37 sugere que o mercado está dando algum crédito ao cessar-fogo. Mas não muito.
O recado
Em quatro semanas, a projeção de inflação para 2026 saiu de 4,10% para 4,71% — e cruzou o teto da meta do Banco Central.
Cinco semanas seguidas de revisão para cima é o mercado dizendo que esse choque veio para ficar. E que o trabalho do BC de trazer a inflação de volta para a meta ficou mais difícil.
O cessar-fogo com o Irã é a única notícia que pode quebrar esse ciclo nas próximas semanas. Se a paz se sustentar, o petróleo recua, o IPCA para de subir nas projeções e o BC ganha margem para continuar cortando os juros.
Se não: a conta cresce toda segunda-feira.




